Um trecho de código recém-adicionado ao ADLX 1.5 — o kit de desenvolvimento oficial da AMD para placas de vídeo — pode marcar o início de uma virada fundamental para quem joga no ecossistema Radeon. A interface IADLX3DFidelityFXFrameGenUpgradeRatioOption, descoberta no repositório GPUOpen, revela que o FSR4 (FidelityFX Super Resolution 4) ganhará um seletor de “multiplicador” para frame generation, habilitando a GPU a criar mais de um quadro sintético entre dois quadros reais. Em outras palavras: a próxima geração da tecnologia pode saltar de 2× para 4× ou até 6× na contagem de FPS, colocando a AMD no mesmo patamar de NVIDIA e Intel.
O que o código revela exatamente?
Dentro do SDK agora existem os métodos GetRatio e SetRatio. Por padrão, só aparecem as opções “unknown” e “2×”, mas a própria documentação sugere suporte a valores superiores. Não faria sentido incluir um seletor escalável se a empresa pretendesse manter o limite atual. Outro detalhe interessante é um override via driver: jogos que já adotam o FSR 3.1 poderão ser atualizados automaticamente para o algoritmo de IA do FSR4 através do software AMD Adrenalin, sem a necessidade de um patch dedicado pelos estúdios.
Por que isso importa para você que joga?
Frame generation é, hoje, o principal atalho para turbinar a taxa de quadros sem sobrecarregar a GPU. Menos stutter, mais suavidade em monitores de alta taxa de atualização e, de quebra, um input lag relativamente contido graças às técnicas de predição de movimento por IA. Nos shooters competitivos ou em jogos de mundo aberto pesados, a diferença entre 90 fps nativos e 360 fps interpolados pode ser o que transforma um monitor 144 Hz “comum” em uma experiência de e-sports.
NVIDIA 6×, Intel 4×… e onde a AMD ficou para trás
Desde 2026 a NVIDIA já oferece multiplicador de até 6× com o DLSS 4.5 nas GPUs RTX 50. A Intel correu atrás com XeSS 3 e suporte a 4× nos chips Arc. Enquanto isso, o FSR4 inicial da AMD limitava-se a 2×, entregando somente um terço da capacidade máxima da rival verde. A descoberta do seletor de proporção sugere que a AMD está pronta para fechar essa lacuna — e talvez até igualar o 6× da NVIDIA.
RDNA 4: o provável requisito mínimo
Ferramentas de terceiros, como o Lossless Scaling, já mostram que gerações antigas (RDNA 2 e RDNA 3) conseguem gerar múltiplos quadros por software. Contudo, analistas de mercado acreditam que o suporte oficial será exclusivo para a arquitetura RDNA 4, esperada para batizar a família Radeon RX 9000. O motivo? O FSR4 utiliza redes neurais mais complexas, aceleradas por blocos de IA dedicados no silício — algo que as GPUs atuais da AMD não possuem em abundância.
Quando saberemos mais?
Todos os holofotes apontam para a Computex 2026, em junho, onde a AMD deve detalhar o Multi-Frame Generation nativo e, quem sabe, anunciar multiplicadores de 4× ou 6× em demonstrações práticas. Caso a promessa se confirme, jogadores que planejam montar ou atualizar PCs no segundo semestre terão uma nova variável para colocar na balança: optar por uma RX 9000 com FSR4 “turbo” ou investir nas já consolidadas RTX 50 com DLSS 4.5.
Imagem: William R
Impacto para quem está pesquisando upgrade hoje
Se você pensa em trocar de GPU em 2024-25, vale ponderar. Placas como a RX 7900 XTX ainda oferecem excelente custo-benefício — frequentemente em promoções na Amazon — mas podem não receber o multiplicador total do FSR4. Já quem segura o orçamento até a estreia da RDNA 4 poderá sair na frente em taxas de quadros e, potencialmente, economizar em monitores caríssimos de 480 Hz, já que a geração de quadros artificial eleva o FPS além do nativo.
No fim das contas, a linha de código no ADLX 1.5 pode parecer um detalhe de bastidor, mas antecipa uma disputa que promete balançar o mercado de GPUs e influenciar diretamente qual mouse, teclado ou monitor gamer você vai preferir daqui a poucos meses.
Com informações de Hardware.com.br