A Samsung comemora um recorde de pré-venda com o Galaxy S26 Ultra, mas, nos bastidores, a divisão de dispositivos móveis (MX) vive dias de apreensão. O salto nos valores de memórias DRAM e NAND — insumos críticos para qualquer smartphone top de linha — pode levar a empresa ao primeiro prejuízo anual de sua história nesse segmento. A ironia é que, ao mesmo tempo, a divisão de componentes (Device Solutions) surfa a mesma onda de preços elevados para anunciar lucros robustos.
Memória pesa (e muito) na etiqueta de um flagship
Estimativas da Counterpoint Research apontam que o custo de materiais (BoM) de um smartphone acima de US $ 800 deve subir entre US $ 100 e US $ 150 em 2026. Nada menos que 41 % dessa conta fica nas memórias: 23 % em RAM LPDDR5X e 18 % em armazenamento NAND.
Para efeito de comparação, a geração Galaxy S25 exigia cerca de 15 % menos memória RAM por unidade. Já rivais como o iPhone 16 Pro empregam DRAM LPDDR5 igual, porém em menores capacidades, o que reduz sua exposição imediata ao aumento de preços.
Por que a DRAM ficou tão cara de repente?
A corrida global por Inteligência Artificial mudou a matemática dos data centers. Servidores otimizados para IA descobriram que memórias LPDDR5/5X — antes exclusivas de smartphones — oferecem menor consumo energético, reduzindo gastos com energia e refrigeração, dois vilões de qualquer operação em nuvem.
Resultado: hiperescaladores como Amazon AWS, Google e Microsoft passaram a disputar os mesmos wafers usados pelos celulares. Para atender à demanda corporativa, a Samsung já desativou linhas de LPDDR4 e redirecionou fabricação para LPDDR5, criando gargalos no fornecimento ao setor mobile.
A situação piora quando a TSMC eleva preços de litografia avançada, empurrando parceiras como a Qualcomm a buscar a própria Samsung Foundry para produzir o futuro Snapdragon 8 Elite Gen 6. Mais custo no chipset, menos margem para quem monta o celular.
Galaxy S26 Ultra: sucesso de vendas, lucro evaporando
Mesmo sob pressão, a linha Galaxy S26 impressiona. Pré-vendas:
- Coreia do Sul: recorde histórico para a família Galaxy.
- Estados Unidos: +25 % sobre o S25.
- Europa: +20 % na comparação ano a ano.
O modelo Ultra, com 12 GB de RAM LPDDR5X na configuração básica, responde pela maior parte dos pedidos. Segundo analistas, a Samsung enviou 62,8 milhões de smartphones no 1.º trimestre de 2026, crescimento de 3,6 %. Sob condições normais, seria motivo para soltar fogos; porém o diretor TM Roh já avisou ao conselho: as margens podem não fechar a conta.
Efeito dominó: o que isso significa para o consumidor?
1. Preços mais altos nos flagships – Se a DRAM continuar inflacionada, é pouco provável que as próximas gerações de celulares premium mantenham o ticket médio atual. A Apple, por exemplo, pode cortar custos reduzindo upgrades de memória, enquanto fabricantes menores talvez lancem menos modelos top de linha.
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2. Possível impacto em PCs e consoles – A mesma LPDDR5X já aparece em handhelds como o ASUS ROG Ally e tende a encarecer módulos DDR5 para desktop. Se você pensa em ampliar RAM ou SSD NVMe — itens fartamente listados na Amazon — ficar de olho em promoções antecipadas pode valer a pena.
3. Mais foco em eficiência – O aumento no custo por gigabyte pressiona desenvolvedores a otimizar software. Esperamos ver Android e OneUI 8.5 trabalhando melhor com menos recursos, algo positivo para quem segura o aparelho por vários anos.
Projeções: quando a maré deve virar?
Historicamente, ciclos de memória se autorregulam: preços sobem, capacidade aumenta, e o mercado volta ao equilíbrio em 12 a 18 meses. Entretanto, o boom da IA prolonga essa fase de pico. Analistas não descartam que 2026 feche com DRAM até 30 % mais cara do que no início do ano.
Para a Samsung, a aposta recai na própria divisão de semicondutores: fabricar mais LPDDR5/5X e ganhar escala o bastante para compensar o aperto no mobile. Para o usuário entusiasta, resta acompanhar e decidir o melhor momento para trocar de smartphone — ou garantir aquele upgrade de PC antes que os estoques apertem.
No fim das contas, o Galaxy S26 Ultra mantém seu brilho entre os flagship Android, mas a batalha pelos bits de memória mostra que, às vezes, o que está dentro do aparelho pesa mais do que qualquer câmera de 200 MP ou tela de 120 Hz.
Com informações de Mundo Conectado