Uma das grandes dúvidas de quem monta ou atualiza um PC gamer em 2024 é: investir em maior potência bruta ou em tecnologias de upscaling por Inteligência Artificial? Um teste cego promovido pelo site alemão ComputerBase acaba de trazer um dado contundente para essa discussão: 48% dos participantes escolheram o NVIDIA DLSS 4.5 como a melhor qualidade de imagem, superando não apenas o rival AMD FSR 4, mas até mesmo a tão reverenciada resolução nativa com TAA.
Como foi o “duelo às cegas” entre DLSS, FSR e o modo nativo
Para isolar qualquer viés de marca ou marketing, o teste exibiu apenas capturas de tela numeradas. Os votantes não sabiam qual tecnologia estava por trás de cada imagem. As opções eram:
- NVIDIA DLSS 4.5
- AMD FSR 4
- Resolução nativa com TAA
- “Todas iguais” (quando o jogador não percebia diferença)
Seis títulos bem populares — Anno 117, ARC Raiders, Cyberpunk 2077, Horizon Forbidden West, Satisfactory e The Last of Us Part II — compuseram a bateria de testes, garantindo diferentes engines e direções de arte.
Resultado: vitória esmagadora do time verde
Os votos consolidados ficaram assim:
- NVIDIA DLSS 4.5: 48%
- Resolução nativa (TAA): 24%
- AMD FSR 4: 15%
- Imagens equivalentes: 13%
Na prática, quase metade dos participantes considerou as imagens reconstruídas por IA da NVIDIA melhores que aquelas renderizadas pixel a pixel na resolução original — um marco que coloca o upscaling como algo além de um simples “quebra-galho para ganhar FPS”.
Por que o DLSS 4.5 impressiona tanto?
A quarta geração do Deep Learning Super Sampling traz aperfeiçoamentos nos tensor cores das placas GeForce RTX 4000 (e algumas da série RTX 3000 via atualização), permitindo:
- Reconstrução mais precisa de contornos e geometria fina;
- Redução significativa de artefatos em movimento — essencial em jogos competitivos;
- Integração nativa com Frame Generation para taxas de quadros ainda maiores.
Ou seja, quem coloca uma RTX 4060 Ti, RTX 4070 SUPER ou RTX 4080 no carrinho não leva apenas mais CUDA cores, mas um pacote de IA visual capaz de entregar imagens mais limpas sem sacrificar desempenho.
E o AMD FSR 4 ficou para trás?
O FidelityFX Super Resolution evoluiu bastante, principalmente após adotar modelos de IA generativa. O ponto forte continua sendo a compatibilidade ampla: placas Radeon, GeForce mais antigas e até consoles Xbox e PlayStation podem se beneficiar. Contudo, o teste indica que ainda falta refino em detalhes finos e texturas distantes, áreas em que o DLSS se sobressaiu.
Imagem: William R
Cyberpunk 2077: a exceção que confirma a regra
Curiosamente, no futurista Cyberpunk 2077 a resolução nativa levou 34% dos votos, enquanto 22% acharam todas as imagens parecidas. A explicação mais provável é o trabalho de polimento específico que a CD Projekt Red faz em sua Pipeline de renderização, onde o TAA já é extremamente agressivo — um lembrete de que a implementação por jogo ainda conta muito.
O que isso muda para quem vai montar ou atualizar o PC?
1. Qualidade vs. performance: se quase metade dos gamers prefere a imagem upscalada, você pode priorizar placas que tragam hardware dedicado à IA, e rodar em resoluções mais baixas para turbinar FPS sem perda perceptível de nitidez.
2. Longevidade: tecnologias de reconstrução tendem a ganhar suporte em novos lançamentos via atualização de drivers. Investir em uma GPU da série RTX 4000, por exemplo, pode significar qualidade superior por vários anos.
3. Custo-benefício: modelos como a RTX 4070 SUPER ou até a RTX 4060 se tornam mais atraentes quando se considera que o DLSS 4.5 pode igualar ou superar a imagem nativa de GPUs bem mais caras.
E o futuro do upscaling?
Com Intel XeSS ganhando tração e rumores de um DLSS 5.0, a próxima grande batalha deve girar em torno de IA generativa ainda mais avançada e integração com path tracing. Para o consumidor, isso significa jogos mais belos rodando em hardwares potencialmente mais acessíveis — desde que a escolha da placa de vídeo esteja alinhada às tecnologias que você realmente vai usar.
No fim das contas, o teste cego da ComputerBase reforça: em 2024, upscaling por IA já é a preferência da maioria. Se você ainda associa essas técnicas a “imagem borrada”, talvez seja hora de rever seus conceitos — e, quem sabe, sua lista de desejos na próxima promoção.
Com informações de Hardware.com.br