A AMD acaba de deixar escapar nos seus próprios repositórios de código a pista mais concreta de que o FidelityFX Super Resolution 4 (FSR4) não ficará mais preso ao tradicional “dobro de quadros”. Documentos da versão 1.5 do SDK ADLX (AMD Device Library eXtra) revelam uma nova interface chamada IADLX3DFidelityFXFrameGenUpgradeRatioOption, capaz de definir multiplicadores de renderização. Em outras palavras, o usuário — ou o jogo — poderá escolher quantos quadros artificiais a GPU deve fabricar entre dois frames reais, abrindo caminho para 4x ou até 6x de fluidez, algo inédito no universo Radeon.
O que significa “Multi-Frame Generation” na prática?
Hoje, o FSR3 consegue gerar um quadro sintético a cada real, transformando 60 fps em 120 fps. Com o novo Multi-Frame Generation (MFG), a lógica muda: a GPU poderá produzir dois, três ou mais quadros artificiais seguidos. Se a taxa de 6x se confirmar, um jogo que roda a 40 fps nativos pode saltar para 240 fps aparentes — ótimo para quem investe em monitores de 240 Hz ou 360 Hz e não quer ficar refém de hardware topo de linha.
Correndo atrás de NVIDIA e Intel
O tempo é 2026 e o cenário competitivo está acirrado. A NVIDIA já divulga números de até 6x com o DLSS 4.5 nas séries GeForce RTX 50, enquanto a Intel fala em 4x no XeSS 3 para as futuras placas Battlemage. Até agora, a AMD ficava limitada a 2x, o que deixava as Radeon em desvantagem quando o tema era alta taxa de quadros em jogos competitivos como CS2 ou Valorant.
Seletor de multiplicador: como vai funcionar?
No código, surgem as funções GetRatio e SetRatio. O valor padrão é “2x”, mas a arquitetura está pronta para números maiores — algo que não faria sentido se a AMD não planejasse liberar novos patamares. O bônus é um override via driver: títulos que já suportam FSR 3.1 poderão ganhar o MFG de maneira automática pelo software Adrenalin, sem que o estúdio tenha de compilar um “patch dia zero”. Isso agiliza a adoção, ponto vital para virar manchete no Steam ou no Xbox, por exemplo.
Por que o RDNA 4 (Radeon RX 9000) é peça-chave
Ferramentas de terceiros — como o popular Lossless Scaling — já provaram que até GPUs mais antigas conseguem simular múltiplos frames artificiais. No entanto, analistas explicam que o FSR4 faz uso intenso de tensores e novas redes neurais on-chip presentes apenas na micro-arquitetura RDNA 4. Isso sugere que o suporte oficial será limitado à próxima geração de placas, batizada extra-oficialmente de Radeon RX 9000. Se você está pensando em montar ou atualizar um PC gamer em 2026, vale ficar de olho: a promessa é alcançar, no mínimo, 4x de ganho — rivalizando direto com DLSS e XeSS.
Imagem: William R
Impacto direto para quem joga
- Menos tearing, mais suavidade: o salto de fps ajuda quem usa monitores de alta taxa de atualização.
- Latência controlada: a AMD garante que o algoritmo refinado reduz o “input lag” típico de frame generation.
- Longevidade do hardware: placas que hoje lutam para manter 60 fps em 1440p poderão estender a vida útil sem cair para 1080p.
Quando saberemos mais?
Os holofotes apontam para a Computex 2026, em junho. É lá que a AMD deve fincar a bandeira, revelar benchmarks oficiais e, quem sabe, anunciar valores e datas das RX 9000. Até lá, fica a torcida para que o seletor 4x/6x saia do código e entre no painel Adrenalin para todo mundo testar.
Se tudo se confirmar, 2026 marca a virada em que a AMD finalmente alcança a fluidez extrema da concorrência — e abre uma janela de oportunidade para quem busca uma placa potente, mas não quer ou não pode pagar o “taxa verde” das RTX topo de linha.
Com informações de Hardware.com.br