O novo MacBook Neo chegou às lojas como a aposta mais enxuta da Apple para 2024: design ultrafino, zero ventoinhas e o mesmo chip A18 Pro que equipa o iPhone 16. A receita agrada quem busca portabilidade, mas deixa entusiastas com a pulga atrás da orelha: até onde esse processador pode ir se o calor deixar de ser um problema?
O youtuber ETA Prime resolveu descobrir. Em um projeto que mistura engenharia reversível e muita curiosidade, ele instalou um water cooler externo combinado a um módulo Peltier de 50 W. O resultado? O Neo saiu do território “office” e entrou no ringue dos notebooks gamer, entregando quase o dobro de quadros por segundo em jogos populares.
Do limite térmico ao congelamento: a jornada do A18 Pro
De fábrica, o MacBook Neo bate 105 °C sob carga máxima. Para manter a carcaça fina e silenciosa, a Apple confia em um dissipador de grafeno que transfere calor direto para o chassi de alumínio — mas isso aciona o thermal throttling quase instantaneamente.
ETA Prime começou simples: aplicou uma placa de cobre com pasta térmica. Só essa troca caiu para 80 °C e empurrou No Man’s Sky de 30 FPS para 58 FPS. O “modo turbo” veio depois, com o Peltier magnético que gera uma face congelante capaz de formar gelo. A temperatura estabilizou nos 70 °C em plena jogatina e liberou o real potencial do A18 Pro:
- Cinebench R24: +24 % em single-core;
- Geekbench 6: +20 % em multi-core;
- No Man’s Sky: 80 FPS constantes;
- Fallout 4: 60 FPS cravados.
Como isso se compara a outros MacBooks (e PCs Windows)
Para efeito de referência, um MacBook Air M2 sem ventoinha costuma empacar em torno de 35 FPS em No Man’s Sky e apresenta 15 % menos pontuação multi-core no Geekbench 6. Já ultrabooks Windows equipados com Intel Core Ultra 7 155H rodam esses títulos perto dos 50 FPS, mas com ventoinhas audíveis e consumo maior.
Em outras palavras, o A18 Pro tem fôlego comparável — ou superior — a chips x86 muito mais parrudos, desde que o calor seja domado. O mod de ETA Prime mostra que o limite do Neo não é o silício, e sim o projeto térmico escolhido pela Apple.
Peltier em laptop: prós, contras e o que o usuário ganha
O módulo Peltier trabalha como uma “geladeira” elétrica. Ao receber corrente, um lado esfria (congelando, no experimento), enquanto o outro esquenta muito. Por isso, a necessidade do water cooler externo para remover o calor excedente. As vantagens para quem pensa em algo parecido são claras:
Imagem: William R
- Temperaturas até 30 °C mais baixas;
- Menos thermal throttling = mais FPS e rapidez em renderização;
- Operação ainda silenciosa, já que o único ruído vem da bomba do water cooler.
Mas há ressalvas:
- Maior consumo de energia (o Peltier de 50 W dobra o TDP total);
- Condensação de água exige cuidado redobrado para não danificar a placa-mãe;
- Possível perda de garantia da Apple, mesmo sendo uma modificação reversível.
Por que a Apple não coloca ao menos uma ventoinha?
A filosofia da empresa prioriza silêncio e portabilidade absoluta. Contudo, casos como este levantam a discussão: um ventilador ultrafino de 5 mm e um heatpipe modesto poderiam oferecer 80 % do ganho visto por ETA Prime, sem recorrer a “gambiarras geladas”. Para usuários avançados — e para quem já investe em periféricos gamers como mouses de alta DPI e teclados mecânicos —, o gargalo térmico no Neo soa como oportunidade desperdiçada.
Vale a pena tentar em casa?
Se você domina conceitos de refrigeração DIY e quer extrair cada gota de performance do A18 Pro, a modificação de ETA Prime prova que há espaço de sobra. Componentes como pastas térmicas premium, blocos de cobre, coolers all-in-one de 120 mm e módulos Peltier estão facilmente disponíveis no varejo online, inclusive na Amazon Brasil.
Para a maioria dos usuários, porém, esperar pela próxima geração — ou optar por um MacBook Pro já pensado para cargas pesadas — ainda é o caminho mais seguro. De qualquer forma, o experimento deixa claro: o MacBook Neo tem potência escondida, bastando um sistema de refrigeração à altura para transformá-lo em um mini-desktop gamer silencioso.
Com informações de Hardware.com.br