O rumor virou fato. A Apple retirou silenciosamente o Mac Pro de sua loja online e confirmou ao portal 9to5Mac que não haverá novas gerações da icônica estação de trabalho em formato de torre. Com isso, fecha-se um capítulo iniciado em 2006, quando a linha Mac Pro representava o ápice da personalização — algo que já não combinava com a filosofia atual do Apple Silicon.
Por que o Mac Pro perdeu espaço dentro da própria Apple?
A última cartada veio em 2023, com o chip M2 Ultra. Na prática, o desempenho foi idêntico ao do Mac Studio equipado com o mesmo silício, mas o preço disparava — enquanto o Studio partia de US$ 3.999, o Pro começava em US$ 6.999. O problema? A arquitetura unificada do Apple Silicon integra CPU, GPU e memória RAM no mesmo encapsulamento, tornando irrelevante boa parte dos slots PCIe que justificavam o chassi gigante e o fluxo de ar generoso.
Quando o Mac Studio avançou para o M3 Ultra (anunciado em 2024), o Mac Pro ficou estacionado. Manter uma estrutura térmica robusta para chips que consomem pouco e entregam muito já não fazia sentido técnico — nem financeiro.
Do “ralador de queijo” ao design selado
O modelo de 2019, carinhosamente apelidado de cheese grater pela frente perfurada, foi o último suspiro de modularidade vinda de Cupertino. Ali, o usuário ainda podia trocar memória, SSDs e adicionar placas especializadas para áudio ou vídeo. Agora, a Apple oficializa: o futuro da sua linha profissional é compacto, silencioso e fechado.
O que muda para quem trabalha com conteúdo pesado?
Se você depende de placas de captura dedicadas, GPUs NVIDIA RTX ou controladoras de áudio PCIe, a notícia é um balde de água fria. A partir de agora, quem escolher permanecer no ecossistema Apple terá de apostar no Mac Studio — cujo gabinete pequeno não aceita expansões internas — ou migrar para soluções Thunderbolt/USB externas, quase sempre mais caras e menos flexíveis.
Alternativas que continuam apostando em modularidade
Para profissionais que prezam por upgrades, o mercado de workstations PC vive um momento aquecido. Combinações de processadores AMD Ryzen Threadripper 7000 ou Intel Core i9 14ª geração com GPUs como a NVIDIA RTX 4090 oferecem potência bruta e liberdade total para evoluir componentes — da RAM DDR5 a placas de aceleração IA. É um contraste direto com a estratégia “tudo integrado” da Apple.
Imagem: William R
E o Mac Studio, o herdeiro solitário?
Com a aposentadoria do Mac Pro, o Mac Studio torna-se a única opção de alto desempenho “oficial” da Apple. Equipado com até 192 GB de memória unificada no M3 Ultra e GPUs de até 76 núcleos, ele supera em benchmarks muitas RTX da geração passada, mas mantém a filosofia de fábrica fechada: nada de trocar SSD, RAM ou GPU após a compra.
Em resumo, o adeus ao Mac Pro é mais que o fim de uma torre: é a confirmação de que a Apple aposta todas as fichas na integração extrema do Apple Silicon. Quem precisar de flexibilidade deve olhar para fora — seja para docks Thunderbolt, seja para a ainda vibrante cena PC, onde cabos, placas e upgrades continuam bem-vindos.
Com informações de Hardware.com.br