Imagine um dispositivo menor que muitos smartphones, mas capaz de rodar distribuições Linux completas, abrir terminais, compilar código e, de quebra, emular consoles clássicos — tudo em uma tela AMOLED de 90 Hz. Essa é a proposta do PocketCM5, novidade anunciada pela fabricante piBrick que combina a flexibilidade do recém-apresentado Raspberry Pi Compute Module 5 (CM5) a um design portátil com teclado QWERTY físico e trackpad integrados.
Modularidade que agrada a entusiastas
O kit chega quase pronto: placa-mãe, carcaça de alumínio usinado, tela, portas e componentes de áudio já vêm montados. O usuário só precisa instalar três itens:
- o próprio Compute Module 5 (vendido separadamente);
- uma bateria Li-Ion/Po de 5.000 mAh recomendada (mesma pinagem de power banks comuns);
- armazenamento à escolha: SSD M.2 NVMe ou cartão microSD.
Essa abordagem lembra a filosofia “traga suas próprias peças” de projetos como o Framework Laptop, mas em escala de bolso. Para quem já coleciona módulos Raspberry Pi, o custo final cai bastante — e mantém o upgrade fácil no futuro.
Tela AMOLED de 90 Hz: vantagem real em portáteis
Com 3,92 polegadas e resolução de 1.080 × 1.240 píxeis, o painel entrega densidade de 419 ppi e contraste infinito típico de telas AMOLED. A taxa de atualização de 90 Hz traz navegação fluida no terminal, animações suaves em interfaces gráficas e menor “ghosting” em jogos retrô. O suporte multitouch de cinco pontos complementa o teclado físico, ideal para gestos rápidos no GNOME, KDE Plasma ou mesmo em retrocompilações de Android.
Potência do Compute Module 5
A Raspberry Pi Foundation ainda não detalhou todos os clocks do CM5, mas espera-se salto sobre o CM4 (Cortex-A72 de 1,5 GHz). Rumores apontam CPU até 1,8 GHz, nova controladora PCIe 2.0 x1 para SSDs mais velozes e aceleração gráfica VideoCore VI aprimorada. Na prática, isso significa:
- emulação de consoles de 16-bit e 32-bit sem engasgos (SNES, PlayStation 1, Dreamcast leve);
- compilação de projetos médios em C/C++ em minutos, não horas;
- streaming via Moonlight ou Steam Link a 60 fps estáveis.
Como todo Raspberry Pi, o módulo oferece comunidade gigante, fóruns ativos e bibliotecas prontas para IoT, automação e projetos educacionais.
Conectividade que supera muitos notebooks de entrada
Medindo apenas 80 × 145 × 20 mm, o PocketCM5 consegue acomodar:
- USB-C (dados e carregamento);
- USB-A para periféricos legacy;
- HDMI tamanho padrão + micro-HDMI (duplo monitor, suporte 4K a 30 Hz);
- P2 3,5 mm para fones e microfones analógicos;
- alto-falantes estéreo embutidos.
Um microcontrolador RP2040 dedicado gerencia teclado, trackpad e expansão de I/O, enquanto o acelerômetro interno habilita rotação automática de tela ou controles “motion” em jogos compatíveis. Há ainda suporte opcional a câmeras oficiais Raspberry Pi via flat-cable, ideal para makers criarem projetos de visão computacional portáteis.
Imagem: William R
Código aberto do início ao fim
Placas, firmware e esquemas elétricos estão publicados no GitHub da piBrick. Para desenvolvedores, isso significa liberdade total para custom ROMs, kernels otimizados e drivers alternativos. Para a comunidade maker, traduz-se em mods que vão de baterias maiores a cases em impressora 3D.
Preço e disponibilidade
O kit básico parte de US$ 240 (cerca de R$ 1.200 sem impostos). Adicione o CM5 (estimado em US$ 60–80), uma bateria 5.000 mAh (≈ US$ 20) e um SSD M.2 de 256 GB (≈ US$ 30) e terá um computador Linux completo na casa dos US$ 350. Para efeito de comparação, o Steam Deck começa em US$ 399, porém sem teclado físico, tela AMOLED nem a modularidade de trocar a “placa-mãe” por outra geração futura.
Para quem é o PocketCM5?
• Desenvolvedores que precisam de um terminal always-on e portas cheias onde quer que estejam.
• Entusiastas de retro-gaming que buscam portabilidade extrema sem sacrificar a qualidade de tela.
• Makers e educadores que querem demonstrar projetos de robótica, IoT ou IA em eventos, feiras e salas de aula.
• Viajeros digitais que preferem um dispositivo Linux nativo em vez de tablets Android ou iPads com limitação de software.
Com binômio tela premium + hardware aberto, o PocketCM5 mostra que há espaço para novos formatos entre smartphones e laptops. Se você já vibra com a ideia de compilar, jogar e criar em qualquer lugar, vale acompanhar de perto o início das vendas internacionais.
Com informações de Hardware.com.br