Thomas Mahler, CEO da Moon Studios e diretor criativo por trás dos premiados Ori and the Blind Forest e Ori and the Will of the Wisps, deu uma verdadeira descarga elétrica na comunidade gamer ao criticar publicamente o Xbox Game Pass. Em uma sequência de posts no X (ex-Twitter), o desenvolvedor chamou o modelo de assinatura da Microsoft de “um pouco como o comunismo” e afirmou que o catálogo do serviço não alcança a qualidade necessária para manter o público pagando mês após mês.
“Se as pessoas não aparecem, o modelo desmorona”
No centro da crítica está a ideia de que, para sustentar um serviço recorrente, é preciso lançar títulos que virem pauta de conversa, que entrem na cultura pop. Mahler foi direto: “Que grande jogo do Xbox, nos últimos anos, foi simplesmente um deleite? Esse jogo não existe.” Segundo ele, sem um “jogo-evento” de peso — algo no nível de um Elden Ring ou The Last of Us — a assinatura perde tração.
Exclusivos em xeque: Bethesda e o caso Starfield
O executivo também mirou a Bethesda, adquirida pela Microsoft em 2021. Para ele, estúdios como Arkane e Bethesda Game Studios “entregaram abaixo do esperado”, citando Starfield como exemplo: “Esperava-se um Skyrim no espaço, melhor que o Skyrim original; em vez disso, recebemos Starfield”, escreveu. O recado é claro: sem hits estrondosos, a lógica de “conteúdo constante” do Game Pass perde valor.
Entenda a analogia com o “comunismo”
Mahler comparou o Game Pass a um sistema no qual todos recebem igual incentivo, independentemente do sucesso individual. Na visão dele, isso dilui a motivação para criar algo extraordinário: “Se você não der às pessoas um forte incentivo, elas não vão se esforçar”, afirmou. Para o desenvolvedor, a falta de diferenciação acaba nivelando a oferta por baixo, algo que, segundo ele, já estaria ocorrendo.
O que isso significa para quem joga no PC?
Para o público que investe em hardware — das GPUs RTX 4000 aos mouses ultraleves que vemos na Amazon — a fala de Mahler acende um alerta. A proposta do Game Pass no PC é justamente tornar o upgrade de componentes mais atraente, espalhando títulos que estiquem o desempenho do seu processador ou da nova placa de vídeo. Se esses “test drives tecnológicos” deixarem de surpreender, o entusiasmo por trocar de hardware pode esfriar. Afinal, por que investir em um SSD NVMe de 7 GB/s se não há games que façam bom uso daquela velocidade toda?
Concorrência: PlayStation Plus e Netflix dos games
Enquanto isso, a Sony reforça o catálogo do PlayStation Plus com lançamentos e clássicos remasterizados, e a Nintendo aposta na nostalgia com o Switch Online. O “padrão Disney+” que Mahler cobra da Microsoft já virou mantra do streaming de filmes: sem títulos premium, o assinante pausa a mensalidade. Nos games pode ser ainda mais cruel, pois tempo de jogo disputa com tempo de trabalho e estudo — a barreira de entrada é maior que dar play em um episódio de 30 minutos.
Imagem: William R
Microsoft reage?
Até o momento, a Microsoft não se pronunciou sobre as declarações de Mahler. Internamente, porém, há sinais de mudança: Senua’s Saga: Hellblade II, Indiana Jones and the Great Circle e o aguardado Fable estão na fila de exclusivos para 2024 e 2025. Resta saber se, juntos, eles conseguem se tornar o “fenômeno cultural” que o criador de Ori considera imprescindível.
No fim das contas, as críticas jogam luz sobre um dilema central da indústria: qual é o ponto de equilíbrio entre quantidade e qualidade em um serviço de assinatura de jogos? Se a maré de lançamentos AAA não acompanhar o ritmo, desenvolvedores, jogadores e até mesmo o mercado de hardware poderão repensar suas apostas.
Com informações de Hardware.com.br