Uma ação coletiva de US$ 3,9 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões) acaba de receber sinal verde na Justiça britânica e promete sacudir o ecossistema da Apple: até 40 milhões de usuários do Reino Unido poderão receber aproximadamente US$ 100 (R$ 515) cada. O litígio, movido pela entidade de defesa do consumidor Which?, acusa a gigante de Cupertino de violar as leis de concorrência ao favorecer o iCloud e “aprisionar” donos de iPhone e iPad em seu serviço de nuvem.
O cerne da disputa: apenas 5 GB grátis e bloqueio a rivais
Na prática, o processo sustenta que a Apple:
- Oferece somente 5 GB de armazenamento gratuito — volume considerado insuficiente até para quem grava vídeos curtos em 4K;
- Coloca fotos, mensagens e backups completos dentro dessa cota, gerando rapidamente a necessidade de assinar planos pagos;
- Dificulta a adoção de serviços concorrentes, que não têm o mesmo nível de integração com o iOS.
Para efeito de comparação, o Google One entrega 15 GB sem cobrar nada, enquanto a Microsoft oferece 5 GB no OneDrive, mas com planos de 100 GB a partir de R$ 9 mensais — e frequentemente “casados” com o Office 365. Em termos de hardware, soluções locais como SSDs portáteis (a exemplo do Samsung T7 Shield ou do SanDisk Extreme Portable, ambos facilmente encontrados na Amazon) podem ser alternativas rápidas para quem prefere guardar arquivos fora da nuvem.
Calendário do julgamento: só em 2028, mas a Apple já precisa reagir
O Tribunal de Apelações da Concorrência (CAT) marcou a primeira data disponível para outubro de 2028, com previsão de nove semanas de debates. Parece longe, mas o relógio corre: a Apple precisa apresentar sua defesa até 31 de julho deste ano. O histórico mostra que acordos extrajudiciais são raríssimos; portanto, é pouco provável que a empresa simplesmente reembolse usuários ou abra ainda mais o iOS no curto prazo.
Efeito dominó: União Europeia de olho via DMA
Enquanto isso, a Itália iniciou sua própria investigação à luz do Digital Markets Act (DMA). O argumento é semelhante: por ser “gatekeeper”, a Apple teria de garantir o mesmo nível de acesso a APIs e componentes de sistema que o iCloud possui. Caso Bruxelas decida endurecer, o pior cenário para o consumidor europeu seria ver recursos do iCloud (ou de novas funções como o Apple Intelligence) temporariamente desligados — algo que já ocorreu com assistentes de IA no continente.
O que muda para você agora?
Usuários de iPhone que estão sempre no limite dos 5 GB grátis têm, neste momento, três caminhos práticos:
Imagem: Jny Evans
- Apostar em alternativas de nuvem como Google One, Mega ou Dropbox, que contam com apps para iOS e planos de 50 GB a 200 GB a preços competitivos.
- Investir em armazenamento físico. Um SSD externo USB-C de 1 TB custa menos de um ano do iCloud+ 2 TB e garante leitura acima de 1.000 MB/s para transferências rápidas. Modelos populares incluem o Kingston XS2000 e o já citado Samsung T7 Shield.
- Aguardar a evolução do processo, que pode forçar a Apple a ampliar o espaço gratuito ou a flexibilizar integrações, beneficiando apps de terceiros.
Para gamers mobile e criadores de conteúdo que gravam em 4K/60 fps, ter um plano B de backup é fundamental. Um simples update de sistema ou falha de hardware pode significar a perda de gigs de gameplay e projetos se o iCloud estiver cheio.
Próximos passos e por que acompanhar de perto
Apesar da data do julgamento parecer distante, investigações antitruste tendem a criar efeito cascata. Se o Reino Unido confirmar que o iCloud tem vantagem competitiva indevida, outras jurisdições — inclusive o Brasil — podem abrir processos semelhantes. Para o consumidor, isso significa mais ofertas, preços potencialmente menores e, quem sabe, um aumento no armazenamento grátis.
Enquanto nada é decidido, vale revisar sua estratégia de backup. Soluções híbridas, combinando nuvem e SSD externo, oferecem o melhor dos dois mundos: praticidade on-line e segurança off-line. E, claro, ficam de olho em promoções recorrentes na Amazon que costumam reduzir em até 30% o preço desses dispositivos de armazenamento.
Com informações de Computerworld