Os primeiros benchmarks do MacBook Neo confirmam o que muitos fãs da Apple esperavam: o novo chip A18 Pro — derivado do iPhone 16 Pro — não só supera o venerável Apple M1, como também aproxima os notebooks de entrada da marca do patamar de performance visto nas famílias mais recentes, como M3 e M4. Mas o que esses números significam na prática para quem trabalha, estuda ou joga no macOS? A seguir, destrinchamos os resultados, comparamos gerações e explicamos onde o Neo brilha (e onde ainda fica atrás).
Resultados de benchmark: onde o A18 Pro faz diferença
Nos testes preliminares do Geekbench, o MacBook Neo registrou 3.461 pontos em single-core e 8.668 pontos em multi-core. No teste gráfico Metal, focado em desempenho de GPU, o resultado foi de 31.286 pontos. Para efeito de comparação direta:
- MacBook Air M1 – 2.346 (single) / 8.342 (multi) / 33.148 (Metal)
- MacBook Air M4 – 3.696 (single) / 14.730 (multi)
Esses números revelam um salto de quase 50 % em tarefas de núcleo único em relação ao M1, área em que a responsividade do sistema e aplicações “leves” — como navegação, edição de texto ou planilhas — mais se beneficiam. Já em cargas multi-threaded, o ganho é mais modesto, porém ainda suficiente para ver o Neo à frente em renderizações pontuais ou exportação de vídeos curtos.
Arquitetura de iPhone, alma de notebook
O A18 Pro do MacBook Neo traz seis núcleos de CPU, mas com um detalhe: há um núcleo gráfico a menos do que na versão presente no iPhone 16 Pro. Mesmo assim, o chip alcança resultados gráficos muito próximos ao smartphone, perdendo pouco mais de 1.000 pontos no Metal. Esse corte sutil ajuda a Apple a manter o consumo térmico sob controle em um chassi sem ventoinhas, característica que fez do MacBook Air um sucesso de vendas.
Vale a pena para criadores de conteúdo?
Para quem lida com tarefas profissionais pesadas — edição de 4K no Final Cut Pro, modelagem 3D ou trabalho intensivo em After Effects — o M4 ainda reina absoluto. O score de multi-core mais que 70 % superior mostra por que a linha “M” continua fundamental em fluxos de trabalho high-end. Contudo, se seu foco é edição leve, pacote Office, streaming, programação ou jogos casuais, o MacBook Neo entrega performance de sobra com o bônus de maior autonomia e um preço potencialmente mais baixo.
O alvo real: notebooks Windows com Intel Core Ultra
Nas peças de marketing, a Apple evita comparações com outros Macs. A mira é clara: PCs Windows na mesma faixa de preço equipados com Intel Core Ultra 5. Segundo a empresa, o Neo chega a ser 50 % mais rápido em tarefas do dia a dia e até três vezes melhor em processamento local de IA — ponto relevante para quem começa a usar recursos de geração de imagem ou legendas automáticas sem depender da nuvem.
Impacto para gamers de macOS
Se você aproveita os títulos mais recentes que chegaram pela Game Porting Toolkit 2 ou via Steam, os ganhos de single-core e a GPU baseada na arquitetura do iPhone 16 Pro significam taxas de quadros mais estáveis e carregamentos mais rápidos em jogos otimizados, como No Man’s Sky, Resident Evil Village e Death Stranding. Ainda não é um substituto para placas de vídeo dedicadas de PCs — disponíveis em notebooks gamer da linha RTX, por exemplo —, mas a evolução é notável em comparação ao M1.
Imagem: William R
Resumo: quem deve considerar o MacBook Neo?
• Usuários do MacBook Air M1 que sentem o sistema “engasgar” em apps mais modernos.
• Estudantes e profissionais que priorizam portabilidade, bateria longa e desempenho fluido em multitarefa.
• Quem quer experimentar recursos de IA on-device sem migrar para linhas Pro ou Max mais caras.
• Jogadores casuais ou desenvolvedores indie que precisam de um salto gráfico em relação ao M1, mas não exigem Ray Tracing de última geração.
Por outro lado, editores de vídeo profissional, artistas 3D ou entusiastas que trabalham com grandes bibliotecas no DaVinci Resolve devem continuar de olho nos chips M3 e M4 — ou considerar notebooks Windows com GPUs RTX 40-series, dependendo do software.
O MacBook Neo inaugura um segmento interessante: notebooks de entrada com DNA de smartphone topo de linha, prometendo mais potência por watt e longevidade de software. Resta saber se o preço final — ainda não revelado no Brasil — manterá a reputação de “custo-benefício Apple” inaugurada pelo Air M1 em 2020.
Com informações de Hardware.com.br