A automação deixou de ser promessa distante e já começa a mudar o cenário das entregas no mundo todo. Durante o Fórum de CEOs da APEC, Richard Liu, fundador da JD.com — segunda maior varejista on-line da China — afirmou que “mais cedo ou mais tarde” cerca de 700 mil entregadores humanos serão substituídos por robôs. A declaração, embora contundente, reflete um movimento que vem ganhando tração não só na Ásia, mas também nos Estados Unidos, Europa e até no Brasil.
Por que a JD.com acelera a troca de entregadores por robôs?
A empresa já investe pesado em veículos autônomos de entrega (ADVs) desde 2016. Esses furgões elétricos percorreram, só em 2023, mais de 10 milhões de quilômetros de teste. Em julho de 2025, outros 30 mil ADVs foram encomendados para atender 200 cidades chinesas, segundo o The Wire China. A matemática é simples: além de reduzir custos operacionais (salários, seguros e benefícios), os robôs mantêm a mesma eficiência 24/7, algo impossível para uma equipe humana.
Automação em ritmo global
A JD.com não está sozinha. Amazon, FedEx e DHL já testam frotas de entregadores autônomos e drones. No Japão, robôs humanoides da Unitree ajudam no principal aeroporto de Tóquio; e, nos EUA, a Figure AI colocou máquinas bípedes na linha de produção de uma grande fábrica. Até a Boston Dynamics, famosa pelos cães-robô Spot, firmou contrato para patrulhar estádios que receberão jogos da Copa do Mundo de 2026 em Dallas.
O que acontecerá com os 700 mil trabalhadores?
Para evitar um impacto social imediato, Liu afirma que a JD.com já fechou parceria com 120 instituições de ensino técnico. O plano é reciclar mão de obra para áreas de manutenção e programação de robôs — funções que, ironicamente, só existem por causa das próprias máquinas. Ainda assim, projeções apontam que a China poderá chegar a 320 milhões de trabalhadores autônomos sem vínculo fixo até o fim de 2026, número equivalente a uma “segunda população do Brasil” desprotegida pelo mercado formal.
Como isso afeta você, consumidor?
Para quem compra on-line, a notícia é quase toda positiva: fretes mais rápidos, entregas 24 horas e menor custo final. Em períodos críticos — como lançamentos de placas de vídeo ou consoles disputados —, a logística autônoma promete reduzir atrasos e garantir que o produto chegue no dia combinado. Outro ponto importante é a sustentabilidade: a maioria dos ADVs usa baterias de íon-lítio, reduzindo a emissão de CO₂.
E o Brasil nessa história?
Por aqui, iFood, Rappi e Daki já testaram robôs de calçada e drones de entrega. Embora a regulamentação ainda avance devagar, o sucesso desses pilotos empurra o setor para adotar soluções semelhantes às da China. O resultado deve ser sentido primeiro nos grandes centros urbanos, onde o tráfego intenso encarece e atrasa entregas convencionais.
Imagem: Reprodução
Robôs domésticos surfam a mesma onda
Se a tendência nas ruas é de veículos autônomos, dentro de casa os robôs aspiradores, mops inteligentes e ajudantes de cozinha seguem crescendo em vendas. Eles utilizam sensores LiDAR, rotas otimizadas por IA e, em modelos premium, até bases de esvaziamento automático — tecnologias que compartilham o mesmo ecossistema de componentes usados nos robôs de delivery. Não à toa, fabricantes como iRobot, Ecovacs e Xiaomi reportaram aumentos de dois dígitos na demanda global em 2023.
No fim das contas, a fala de Richard Liu funciona como um aviso: a logística autônoma deixou o estágio de teste e entrou na fase de escala. Para consumidores, isso significa entregas mais baratas e velozes; para profissionais de hoje, abre-se a necessidade urgente de migração para funções de alta qualificação técnica. A mudança é certa — a dúvida é quem estará preparado para aproveitá-la.
Com informações de Tecnoblog