A partir de agosto, alunos noruegueses de 6 a 13 anos não poderão mais recorrer a ChatGPT, Bing Chat ou qualquer outra ferramenta de inteligência artificial (IA) durante as atividades escolares. O anúncio, feito ontem (19) pelo primeiro-ministro Jonas Gahr Støre em Oslo, marca uma guinada de 180° em um país que vinha apostando forte em computadores e tablets na sala de aula desde os anos 1990.
Por que a Noruega resolveu apertar o freio?
Segundo Støre, a IA “faz as crianças pularem etapas essenciais”, como o domínio da leitura, da escrita e do cálculo. Em bom português: se o robô resolve a equação, o aluno deixa de exercitar o cérebro. O governo teme que a facilidade de gerar textos prontos e respostas automáticas acabe minando a aprendizagem básica.
Entenda as faixas etárias e as novas regras
Ensino fundamental (1º ao 7º ano – 6 a 13 anos): IA totalmente proibida.
Ensino fundamental II (8º ao 10º ano – 14 a 16 anos): uso restrito e sempre supervisionado pelo professor.
Ensino médio (17 a 19 anos): aprendizado guiado para que os jovens entendam como usar IA de forma crítica e ética, pensando no mercado de trabalho.
Computadores e tablets: de heróis a vilões?
A Noruega foi um dos primeiros países europeus a informatizar o ensino. Tablets como o iPad e o Samsung Galaxy Tab viraram material obrigatório em diversas escolas na última década. Mas, diante da queda recente no desempenho acadêmico—medida pelo teste PISA e avaliações internas—o governo decidiu rever a estratégia.
O Ministério da Educação antecipou que pretende destinar verba para reabastecer bibliotecas físicas e retomar cadernos de caligrafia. Na prática, isso pode reduzir a demanda por hardware educacional e abrir espaço para soluções híbridas, como e-readers com tinta eletrônica (ex.: Kindle Scribe) que simulam o papel, mas ainda permitem anotações à mão.
Imagem: William R
Smartphones fora de campo a partir de 2024
O pacote de mudanças inclui a proibição de celulares nas aulas—algo que França e Holanda já adotaram—e dá mais poder aos professores para confiscar aparelhos quando necessário. Além disso, tramita no parlamento uma lei que impede menores de 16 anos de criar contas em redes sociais sem consentimento dos pais.
Impacto para o resto do mundo (e para o Brasil)
Embora cada país tenha seu ritmo, a decisão norueguesa deve servir de termômetro para outros sistemas de ensino. No Brasil, onde 71% das pessoas já usam IA para estudo ou trabalho, o debate vai esquentar. Escolas particulares que investiram em Chromebooks, por exemplo, podem ter de criar políticas claras de uso de IA generativa em provas e redações.
Para os pais, a mudança na Noruega sinaliza que controle dos dispositivos e equilíbrio entre analógico e digital continuam fundamentais. Se você está escolhendo um notebook ou tablet para seu filho, vale conferir modelos com software de controle parental e stylus para incentivar a escrita manual.
No fim das contas, a Noruega não declara guerra à tecnologia—apenas quer garantir que ela seja ferramenta, não muleta. A discussão está lançada: como manter o aluno engajado sem terceirizar o raciocínio para a máquina?
Com informações de Hardware.com.br