Se você sente falta da era em que o telefone servia para ligar, mandar SMS e – no máximo – jogar um Tetris, o Commodore Callback 8020 pode ser a viagem no tempo que estava faltando. O novo dobrável de US$ 499 resgata o charme dos celulares flip dos anos 2000, roda Sailfish OS (base Linux) e traz um diferencial cada vez mais cobiçado: redes sociais, navegador completo e e-mail corporativo vêm bloqueados de fábrica, sem opção oficial de desbloqueio. A proposta é simples: produtividade, foco e uma pitada generosa de nostalgia – tudo em um hardware modesto, mas curioso.
Design retrô com toque high-tech
À primeira vista, o Callback 8020 parece um híbrido entre os lendários feature phones da Nokia e os minilaptops de bolso dos anos 90. Ao abrir a concha, encontramos uma tela interna de 3,25″ (480 × 640 px) e um teclado físico T9 retro-iluminado; o toque na tela vem desligado por padrão para incentivar o usuário a digitar da forma “clássica”. Na tampa externa, o logo Commodore em metal escovado reforça o clima vintage.
Por dentro, o chipset MediaTek Helio G81, 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento (expansível via microSD de até 512 GB) entregam o suficiente para apps leves e chamadas VoLTE. A bateria de 1.550 mAh é removível – raridade em 2024 – e a marca promete até uma semana longe da tomada com uso moderado, graças à tela compacta e à ausência de processos de redes sociais em segundo plano. Nada de 5G aqui: conectividade limitada a 4G LTE, Wi-Fi e Bluetooth, além de GPS integrado para navegação simples.
Sailfish OS “selado” contra distrações
Desenvolvido pela finlandesa Jolla, o Sailfish OS é conhecido por rodar aplicativos Android por meio de uma camada de compatibilidade. No Callback 8020, porém, a Commodore foi além: a loja oficial Commostore distribui apenas apps pré-aprovados, e um bloqueio por DNS impede a instalação manual de Facebook, Instagram, TikTok, Slack ou Teams – mesmo via APK.
Mensageiros instantâneos WhatsApp, Telegram, Signal e WeChat funcionam normalmente, assim como serviços de mobilidade (Uber, Lyft) e streaming de música (Spotify, Apple Music). A ideia é permitir comunicação essencial sem abrir a porta para o “doomscrolling”. Para quem busca um digital detox sem abdicar totalmente da vida conectada, o pacote faz sentido.
Áudio hi-fi e nostalgia em estéreo
Fãs de música ganham um DAC duplo com chipsets ESS e Cirrus Logic, compatível com arquivos de áudio sem perdas. O aparelho ainda traz rádio FM e, como cereja retrô, toques de chamada extraídos do chip SID do clássico Commodore 64. Um par de fones intra-auriculares acompanha o kit, reforçando o apelo “tudo na caixa” que anda raro nos smartphones premium atuais.
Câmeras: simplicidade com sensor Sony de 48 MP
Embora fotografia não seja o foco, a Commodore escolheu um sensor traseiro Sony de 48 MP para fotos ocasionais e uma câmera frontal modesta para videochamadas. Considerando o público-alvo – entusiastas, colecionadores e quem busca um “telefone principal sem feed infinito” – o conjunto atende o básico.
Cores, edições especiais e paciência para receber
O Callback 8020 será oferecido em cinco versões:
Imagem: William R
- BASIC Beige
- ProtoPET White
- SX Silver
- Starlight (translúcida) por US$ 549
- Founders Edition (dourada) por US$ 640
As pré-encomendas abrem em 30 de junho, mas a entrega está prevista apenas para o fim de 2026. Quem se cadastrar na lista de espera antes do dia 30 garante desconto de US$ 50.
Vale a pena ficar de olho?
Enquanto gigantes como Samsung e Motorola apostam em dobráveis de tela grande, a Commodore mira um nicho que cresce silenciosamente: usuários cansados de notificações constantes e da corrida por especificações. Produtos como o Nothing Phone (2a) ou o Nokia 2660 Flip já mostraram que design retrô e foco em bem-estar digital podem converter em vendas – especialmente quando aliados a preço mais baixo e bateria duradoura.
Se a promessa de uma semana longe da tomada se confirmar, o Commodore Callback 8020 pode virar o “segundo telefone” ideal para viagens, festivais ou simplesmente para quem quer separar vida pessoal das redes sociais. Resta torcer para que a Jolla mantenha o suporte de segurança do Sailfish OS até 2026 e que a Commodore cumpra o cronograma de entrega.
No mínimo, o aparelho reacende a chama nostálgica e coloca a marca Commodore – comprada em 2025 pelo youtuber Christian Simpson – de volta ao radar dos entusiastas.
Com informações de Hardware.com.br