O universo gamer amanheceu mais silencioso. Claude Guillemot, um dos cinco irmãos que fundaram a Ubisoft e presidente da Guillemot Corporation — holding responsável por marcas icônicas de acessórios como Thrustmaster e Hercules — faleceu aos 69 anos após a queda de um bimotor Cessna 421 na noite da última terça-feira (19) na região de La Baule, costa atlântica da França. Segundo autoridades locais, a aeronave, pilotada por Guillemot, caiu poucos minutos antes do pouso planejado no aeroporto La Baule-Escoublac e incendiou-se rapidamente, vitimando também o instrutor de voo que o acompanhava.
De fazenda familiar a gigante global de games
Nascido em 30 de outubro de 1956, Claude trazia no DNA o espírito empreendedor dos pais, que administravam a empresa agrícola Guillemot Detoc. Essa veia empresarial evoluiu em 1984 para a importadora de software Guillemot Informatique, pavimentando o caminho para a fundação da Ubisoft dois anos depois, em Carentoir.
Enquanto Yves Guillemot se tornava o rosto mais midiático da Ubisoft, Claude assumia a Vice-Presidência Executiva de Operações, papel crítico na publicação de títulos que marcaram gerações, como Zombi (1986) e Rayman (1995). O sucesso inicial permitiu a abertura da filial Ubisoft Montréal em 1997 — hoje um dos maiores estúdios de desenvolvimento do mundo.
Hardware para gamers: a era Thrustmaster e Hercules
Também em 1997, Claude passou a liderar a Guillemot Corporation, conglomerado que adquiriu as marcas Hercules (áudio e multimídia) e Thrustmaster (volantes, joysticks e flight sticks), distribuindo acessórios para mais de 140 países. Se você já pilotou um caça no Microsoft Flight Simulator com o HOTAS Warthog ou venceu uma corrida virtual com o T-GT II, há grandes chances de ter sentido o legado de Claude nas mãos.
Para o consumidor, a principal diferença entre a Thrustmaster e concorrentes como Logitech ou Razer está no foco extremo em simulação realista. O uso de sensores H.E.A.R.T magnetic e sistemas de force feedback de alta precisão são frutos diretos dos investimentos em P&D que Claude fomentou em centros na Europa, Canadá e China.
Impacto imediato no mercado
Embora a Guillemot Corporation siga operando com um time de executivos experientes, analistas de mercado enxergam desafios na sucessão da liderança visionária de Claude, especialmente em um momento em que a demanda por periféricos premium está em curva ascendente graças aos sim racers e aos entusiastas de flight sim. A tendência é que marcas como Thrustmaster mantenham seu roadmap de lançamentos — já existem rumores de novos pedais de corrida e joysticks moduláveis para 2024 —, mas investidores observarão de perto qualquer ajuste estratégico.
Legado que vai além dos jogos
Na França, Claude também presidiu o Club des Trente, fórum de executivos que debate questões socioeconômicas. Seu histórico de resistir à tentativa hostil de aquisição da Ubisoft pela Vivendi (encerrada em 2018) reforça a imagem de empresário resiliente, defensor da independência criativa e industrial.
Imagem: William R
Para os gamers e criadores de conteúdo, o falecimento de Claude Guillemot é um lembrete de como a interseção entre software revolucionário e hardware de ponta molda as experiências que amamos — da primeira aventura colorida de Rayman à sensação tátil de decolar com um joystick de nível profissional.
A Ubisoft, em nota oficial, lamentou profundamente a perda, destacando “o papel crucial de Claude na construção de um grupo que hoje emprega milhares de talentos pelo mundo”.
O futuro dirá como a companhia e o mercado de acessórios premium seguirão sem uma de suas mentes mais inquietas, mas o legado de Claude Guillemot já está, literalmente, em milhões de setups gamer espalhados pelo planeta.
Com informações de Hardware.com.br