A Samsung voltou a sacudir o mercado de exibição cinematográfica durante a CinemaCon 2026, em Las Vegas. A empresa apresentou o Onyx Cinema LED de 14 metros de largura, o maior painel da linha até agora, desenvolvido especialmente para as cobiçadas salas Premium Large Format (PLF). Com brilho seis vezes maior que o padrão de projeção digital e contraste “infinito”, o novo display quer transformar a ida ao cinema em uma experiência que nenhuma TV 4K de sala de estar consegue rivalizar.
Por que um display LED em vez de projetor?
Salas de cinema utilizam, há mais de um século, projetores que lançam luz sobre uma tela revestida de material refletivo. O problema é que, mesmo com evoluções como o laser, esse método ainda sofre com:
- Brilho limitado (12 – 14 ft-L, cerca de 50 nits);
- Pouca uniformidade de cor nas bordas;
- Custo alto de manutenção (lâmpadas, filtros, sistemas de resfriamento);
- Perda de contraste em ambientes parcialmente iluminados.
O Onyx LED elimina essas amarras: cada pixel é uma fonte de luz própria, dispensando lâmpadas e cabine de projeção. Resultado? 300 nits de pico de brilho — nível que coloca até cenas diurnas cheias de reflexos em outro patamar — e pretos absolutos dignos de OLED.
Ficha técnica que impressiona
Confira os destaques do novo painel:
- Dimensão padrão: 14 m de largura (46 ft);
- Expansão modular até 20 m (66 ft);
- Pixel pitch: 3 mm (equilíbrio entre nitidez e custo em telas gigantes);
- Resolução: até 4K a 120 Hz — ideal para filmes em alta taxa de quadros e futuros conteúdos de games em tempo real;
- Formatos DCI suportados: Scope 2,39:1 e Flat 1,85:1;
- Brilho: 300 nits (≈6× a projeção laser);
- Contraste: teórico “infinito” graças ao desligamento completo dos LEDs pretos;
- Compatibilidade: media servers Dolby e GDC, certificação DCI.
Novo tamanho, mesma família
Até então, o portfólio Onyx abrangia versões de 5 m (salas boutique) e 10 m (auditórios premium médios). O salto para 14 m preenche a lacuna dos grandes complexos multiplex e posiciona a Samsung em pé de igualdade (ou superior) a rivais como Sony Crystal LED e LG Miraclass, que hoje focam em telas até 13 m.
Flexibilidade que gera receita extra
Um ponto ignorado por quem só pensa na qualidade de imagem é a rentabilidade. Ao eliminar a cabine de projeção, o Onyx libera metros quadrados valiosos no fundo da sala, abrindo espaço para assentos VIP, área gastronômica ou até um sistema de som mais encorpado. Além disso, cada módulo LED pode ser trocado individualmente, reduzindo tempo de inatividade e custos de manutenção.
O Star Cinema Grill, no Texas, foi o primeiro exibidor norte-americano a adotar a tecnologia em 2019. Segundo Blake Zaugg, gerente de conteúdo da rede, o auditório equipado com Onyx é “consistentemente o mais lucrativo do complexo”, sustentado por ingressos mais caros e ocupação elevada até em horários tradicionalmente ociosos.
Imagem: Internet
Experiência que o espectador nota nos primeiros segundos
Quem já assistiu a um trailer com pretos profundos e brancos ofuscantes em um Onyx relata a mesma sensação: parece que o contraste salta da tela. Para o público acostumado a TVs QLED ou OLED em casa, isso é vital — se o cinema não oferecer algo claramente melhor, por que sair do sofá?
Samsung Spatial Signage e Color E-Paper: além da tela principal
Na mesma apresentação, a Samsung mostrou projetos que podem se tornar fonte de receita adicional para exibidores:
- Spatial Signage de 85″: efeito 3D sem óculos, pensado para lobby, venda de ingressos e publicidade.
- Color E-Paper de 13″: painéis que imitam papel, consumindo quase nada de energia — ideais para cardápios de bombonière e sinalização dinâmicas.
O que vem a seguir?
Desde 2017, o Onyx evolui de curiosidade tecnológica para padrão aspiracional. A versão de 14 m — expansível a 20 m — ataca o último bastião dos projetores: as super telas PLF. Com preços de LEDs em queda e o streaming empurrando estúdios a justificar cada bilhete vendido, a tendência aponta para mais salas adotando painéis auto-emissivos.
Se você é entusiasta de home theater, vale ficar atento: tecnologias desenvolvidas para o Onyx costumam migrar, anos depois, para as linhas de TVs domésticas da Samsung. Em resumo, o futuro do cinema pode antecipar o futuro da sua sala de estar.
Com informações de Mundo Conectado