A Netflix está avaliando uma transformação digna dos velhos pacotes de TV por assinatura: incluir canais lineares com transmissão 24 h e vender, dentro do próprio app, assinaturas de outros serviços de vídeo. A informação, revelada pelo Wall Street Journal, surge no momento em que o tempo gasto pelos usuários na plataforma — a métrica de engajamento mais preciosa do setor — vem encolhendo.
Por que a Netflix quer imitar a TV tradicional?
No modelo “sob demanda” atual, o assinante escolhe o que ver e quando ver. Já os canais lineares oferecem uma grade fixa, como na TV a cabo: imagine um canal só de Seinfeld ou outro dedicado a suspense policial o dia inteiro. A lógica é manter o espectador navegando menos e assistindo mais tempo seguido, algo que FAST channels (Free Ad-Supported TV) como Pluto TV, Samsung TV Plus e The Roku Channel provaram ser eficaz.
Além disso, a disputa no streaming ficou apertada. A fatia de audiência da Netflix nos EUA caiu para 7,8%, seu menor nível desde 2025, enquanto concorrentes como Disney+, Max e Prime Video ganham terreno. Em 12 meses, as ações da companhia recuaram mais de 40%.
Combos de streaming no mesmo aplicativo
Outra aposta envolve vender e gerenciar assinaturas de terceiros dentro do app, transformando a Netflix em um hub parecido com o que Amazon Prime Video Channels e Apple TV já oferecem. Para o usuário, isso significa:
- Pagamento centralizado em uma única fatura;
- Busca unificada que exibe séries e filmes de diferentes catálogos;
- Experiência sem precisar alternar entre múltiplos apps — vantagem decisiva para quem usa controle remoto em smart TVs ou dongles como o Fire TV Stick.
Para a Netflix, cada canal parceiro vira mais tempo de tela dentro do seu próprio ecossistema, reduzindo a chance de cancelamento.
Estratégia global: da França ao Brasil?
O experimento não é totalmente novo. Na França, a empresa já transmite o canal aberto TF1, e o resultado agradou ambas as partes. Fontes ouvidas pelo WSJ dizem que acordos semelhantes podem chegar à Europa e à América Latina. Por aqui, não seria surpresa ver emissoras locais negociando espaço na plataforma, algo que pode chacoalhar tanto operadoras de TV a cabo quanto serviços gratuitos como Globoplay FAST.
E os esportes? Olho na Copa do Mundo
Executivos discutem entrar nos leilões de direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2030 e 2034. Se a negociação avançar, a Netflix reforçaria o cardápio com eventos ao vivo de grande apelo, repetindo movimentos de Apple (MLS) e Prime Video (NFL Thursday Night Football).
Imagem: Thiago Mobil
O que isso muda para você — e para seus gadgets
• Menos tempo zapeando: canais temáticos facilitam assistir “o que estiver passando”, ótimo para relaxar sem escolher título por título.
• Maior necessidade de banda: transmissões ao vivo exigem estabilidade; roteadores Wi-Fi 6/6E e cabos de rede Gigabit viram aliados essenciais.
• Controles remotos mais simples: quem usa dongles ou smart TVs com botões exclusivos da Netflix pode navegar em vários serviços sem sair do app.
Na prática, a mudança aproxima a Netflix do papel que o Amazon Fire TV e o Apple TV 4K já desempenham como “central multimídia”, mas com um diferencial: a gigante do streaming controla não só o hardware (via parcerias em TVs embarcadas), como também o catálogo original que ainda dita tendências cultura pop.
Se as ideias saírem do papel, você poderá abrir a Netflix e, no mesmo lugar, assistir a um jogo ao vivo, maratonar Stranger Things ou assinar um canal premium de esportes — tudo sem trocar de aplicativo. Para quem vive testando novos serviços (e novos dispositivos de streaming), vale ficar de olho: 2024 pode marcar a volta da “TV a cabo”, agora turbinada pelo algoritmo.
Com informações de Tecnoblog