Uma brecha nos sistemas da Dataprev, estatal responsável pelo processamento de benefícios previdenciários, permitiu que terceiros consultassem informações sigilosas de pelo menos 1,6 milhão de segurados do INSS. O instituto confirmou que 97 % dos CPFs acessados pertencem a cidadãos já falecidos, mas cerca de 50 mil registros ativos também foram expostos, acendendo o alerta para possíveis tentativas de fraude.
O que exatamente aconteceu?
A vulnerabilidade foi identificada pela própria Dataprev durante a checagem rotineira de logs. Ao digitar um CPF em requisições de aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-reclusão, invasores conseguiam visualizar dados cadastrais completos e, em alguns casos, o histórico de vínculos empregatícios — um prato cheio para golpes de engenharia social. O incidente já foi reportado à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que abriu processo de investigação.
Dados de falecidos não importam? Importam, sim
Embora a maioria das vítimas não esteja mais viva, seus CPFs continuam válidos na Receita Federal por até cinco anos após o óbito. Durante esse período, criminosos podem usar essas informações para abrir contas fantasmas, contratar serviços ou até solicitar empréstimos consignados em nome da família, causando danos financeiros e burocráticos a quem ficou.
Segurados vivos: qual o risco real?
Para quem ainda está na ativa, o INSS garante que não é possível “pular etapas” e liberar benefícios automaticamente. Mesmo assim, dados vazados facilitam fraudes em bancos, operadoras de telefonia e e-commerce, onde a verificação de identidade é mais branda. Em outros vazamentos recentes — como o do Ministério da Saúde em 2021 — golpistas usaram essas informações para clonar WhatsApp, roubar contas de e-mail e até emitir cartões de crédito.
Como se proteger já
A primeira medida é ativar a verificação em duas etapas em todos os serviços digitais. Nos portais gov.br, INSS ou e-CAC, isso inclui autenticação por app ou reconhecimento facial. Também vale solicitar o bloqueio de crédito gratuito no Registrato do Banco Central, dificultando a abertura de contas em seu nome.
Ferramentas que reforçam sua segurança (disponíveis na Amazon)
• Chaves de segurança FIDO2 (ex.: YubiKey 5 NFC) – criam uma segunda camada física de autenticação compatível com Google, Microsoft e gov.br.
• HDs/SSDs criptografados (ex.: Kingston IronKey Vault Privacy) – ideais para guardar backups de documentos sensíveis sem risco caso o dispositivo seja perdido.
• Gerenciadores de senhas com hardware dedicado (ex.: Kensington VeriMark) – geram e armazenam credenciais complexas fora do navegador.
Imagem: ers Alecrim
Esses gadgets não eliminam o vazamento já ocorrido, mas reduzem drasticamente a superfície de ataque em futuras tentativas de golpe.
INSS promete “travas extras”
Após detectar a exposição, o instituto diz ter reforçado políticas internas, incluindo a exigência de biometria facial para novos requerimentos e auditoria constante dos acessos. A Dataprev, por sua vez, trabalha em um patch definitivo para fechar a falha e deverá notificar individualmente os segurados vivos afetados.
Vazamentos de dados viraram rotina no Brasil, mas a cada incidente surgem lições valiosas: mantenha suas informações atualizadas, diversifique senhas, habilite 2FA e considere investir em soluções de hardware para aumentar a sua segurança digital.
Com informações de Tecnoblog