A Meta está prestes a levar os smart glasses a um novo patamar. Segundo apuração do Financial Times, a gigante de Mark Zuckerberg testa internamente o recurso “super sensing”, capaz de gravar áudio continuamente e capturar fotos a cada poucos segundos. Na prática, os óculos funcionariam como uma “memória externa”: registram seu dia, extraem informações relevantes e, depois, permitem que a Meta AI responda perguntas como “onde deixei minhas chaves?” ou “qual foi o valor combinado na reunião das 14h?”.
Como funciona o super sensing?
O protótipo utiliza microfones e câmeras já presentes nos modelos atuais da linha Ray-Ban Meta para coletar dados brutos. Esses registros não ficariam salvos no dispositivo; eles seriam analisados localmente, transformados em metadados (texto) e enviados para a nuvem da Meta. Lá, a inteligência artificial processa tudo e devolve respostas contextuais ao usuário.
Essa arquitetura, segundo fontes internas, foi pensada para reduzir riscos legais e de privacidade, já que o usuário — e, teoricamente, nem mesmo a Meta — teria acesso ao áudio ou às imagens originais. Ainda assim, o simples ato de gravar pessoas e ambientes 24 h por dia já acendeu debates dentro da empresa e em órgãos reguladores.
Privacidade em foco: a lição do Microsoft Recall
A repercussão lembra o que aconteceu com o Microsoft Recall, recurso que prometia gravar a tela do PC continuamente para oferecer busca contextual. Anunciado em 2024, ele sofreu diversos adiamentos e, mesmo após o lançamento em 2025, enfrentou bloqueios de antivírus e críticas de especialistas em segurança. A Meta quer evitar o mesmo destino, mas terá de convencer usuários e reguladores de que os dados não serão usados para treino de IA sem consentimento claro.
O que isso significa para você?
1. Produtividade turbinada: Quem vive em calls, eventos ou aulas presenciais pode ganhar um assistente que “anota tudo” e responde dúvidas rapidamente. É como ter um estagiário invisível gravando detalhes que você esqueceu.
2. Uso em games e esportes: Para entusiastas de e-sports ou atletas amadores, o recurso pode registrar estatísticas de treinos, posicionamento e estratégias sem a necessidade de câmeras externas.
3. Cuidado com ambientes sensíveis: Escritórios com informações sigilosas ou espaços onde a privacidade de terceiros é crucial (hospitais, tribunais, escolas) podem restringir o uso do dispositivo, tal como já acontece com smartphones em certas áreas.
Imagem: Thássius Veloso
Vai funcionar nos óculos atuais?
Fontes do FT sugerem que parte das funções do super sensing poderia chegar por atualização de software aos Ray-Ban Meta já vendidos lá fora, sem a necessidade de novo hardware. Não há, porém, qualquer confirmação oficial de lançamento ou disponibilidade para o mercado brasileiro.
Mercado em aquecimento: Google e Samsung na cola
O sucesso da parceria Meta + EssilorLuxottica (Ray-Ban, Oakley) fez concorrentes se mexerem. O Google Glass ganhou sobrevida com integração ao Gemini, enquanto Google e Samsung anunciaram em maio um novo headset Android XR. A corrida pelos óculos inteligentes lembra a dos smartphones em 2007: quem entregar primeiro boa experiência, app store robusta e privacidade convincente deve liderar a próxima onda de dispositivos vestíveis.
Vale esperar para comprar?
Se você busca um gadget leve para fotos, vídeos e streaming ao vivo, os Ray-Ban Meta atuais já oferecem câmera de 12 MP, vídeos em 1080p e som direcional — recursos ausentes nos rivais da Bose ou na primeira geração do Snapchat Spectacles. No entanto, caso a capacidade de “memória externa” seja essencial para o seu fluxo de trabalho ou estudos, acompanhar a evolução do super sensing antes de investir pode ser a escolha mais inteligente.
No momento, a Meta limita-se a dizer que “desenvolve seus produtos com a privacidade construída desde a base”. Até que o recurso seja oficializado, resta acompanhar os testes e, principalmente, a conversa regulatória que certamente virá.
Com informações de Tecnoblog