A Meta acaba de acionar novamente a Justiça norte-americana após detectar uma nova tentativa de invasão direcionada a usuários do WhatsApp, supostamente orquestrada pela NSO Group, criadora do controverso spyware Pegasus. A big tech pede que o tribunal declare a empresa israelense em desacato, já que uma decisão de 2023 proibia a NSO de explorar qualquer brecha no aplicativo de mensagens.
Relembre o embate Meta x NSO Group
O confronto começou em 2019, quando a Meta processou a NSO Group por usar chamadas de voz do WhatsApp para instalar o Pegasus em aparelhos de jornalistas, ativistas e dissidentes políticos. Em 2023, a gigante de Mark Zuckerberg venceu a disputa: recebeu indenização de US$ 167 milhões (reduzida depois para US$ 4 milhões) e garantiu uma proibição permanente contra a atuação da NSO na plataforma.
O que mudou agora?
Menos de um ano após a sentença, a Meta afirma ter encontrado novas contas vinculadas à NSO tentando enganar usuários com links maliciosos — um esquema clássico de phishing. Segundo um porta-voz, menos de dez pessoas foram alvo dessa campanha, concentradas principalmente na Jordânia e no Líbano, e não há evidências de dispositivos efetivamente comprometidos.
Por dentro do Pegasus: por que ele assusta tanto?
Diferentemente de malwares comuns, o Pegasus opera silenciosamente em segundo plano, permitindo que atacantes leiam mensagens criptografadas, acessem câmeras e microfones e até rastreiem localização em tempo real. O software é vendido a governos e agências de inteligência, mas relatos de uso contra civis transformaram a ferramenta em sinônimo de espionagem digital.
Impacto para você: devo me preocupar?
Se você utiliza o WhatsApp para comunicação pessoal ou profissional — inclusive para negociações de hardware, compras online e autenticação de serviços —, qualquer brecha de segurança é um risco potencial às suas senhas e dados bancários. Por ora, o ataque atingiu um grupo restrito, mas o episódio reforça a necessidade de boas práticas:
Imagem: T. Schneider
- Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp para blindar sua conta;
- Evite clicar em links suspeitos, mesmo que pareçam vir de contatos conhecidos;
- Mantenha o sistema operacional e o app sempre atualizados — patches de segurança costumam fechar portas exploradas por spywares;
- Use antivírus de confiança em PCs e, no Android, verifique periodicamente permissões de apps desconhecidos.
Próximos passos no tribunal
Se o pedido da Meta for acatado, a NSO Group pode enfrentar sanções financeiras mais duras e, possivelmente, novas restrições de atuação nos Estados Unidos. A empresa israelense, até o momento da publicação, não comentou as acusações.
Neste cenário, a batalha jurídica também serve de termômetro para outras plataformas de mensagens criptografadas, como Signal e Telegram, que observam de perto como a justiça trata empresas comercializadoras de spyware. Para nós, usuários finais, vale o lembrete: segurança digital é maratona, não corrida de 100 metros — manter o hábito de boas práticas é tão importante quanto comprar um mouse gamer ou uma placa de vídeo de última geração.
Com informações de Olhar Digital