Na Computex 2026, a Qualcomm subiu ao palco disposta a chacoalhar o mercado de PCs. A empresa não apenas oficializou a aguardada família Snapdragon X2 — projetada para brigar com Intel, AMD e até Apple — como também revelou o inédito Snapdragon C, um chip pensado para notebooks de entrada que custem até US$ 400 (cerca de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil, se fabricados no Brasil). A jogada coloca a arquitetura ARM em um território até então dominado pelos Celeron, Pentium Silver e pelas linhas Athlon, prometendo maior autonomia de bateria sem inflar o preço.
Por dentro do Snapdragon C: autonomia antes de tudo
Para alcançar esse preço agressivo, o Snapdragon C abre mão dos núcleos Orion de 3ª geração usados nos modelos premium e adota núcleos ARM customizados mais simples, ainda assim fabricados no processo avançado de 3 nm da TSMC. O foco é eficiência energética: a Qualcomm fala em jornadas inteiras de aula ou trabalho com uma única carga, algo que os chips x86 de baixo custo raramente entregam.
Há também uma NPU integrada que, embora fique abaixo dos 40 TOPS exigidos pelo Copilot+ completo da Microsoft, já executa tarefas locais úteis como blur de fundo em videochamadas e modelos de linguagem compactos para transcrição, tradução ou geração de resumos.
Preço e disponibilidade: quando o barato chega às prateleiras?
A Qualcomm sinalizou parceiros como Lenovo, Acer e Positivo para notebooks equipados com o Snapdragon C. Lá fora, o tíquete-alvo fica em US$ 350–400; por aqui, modelos montados localmente devem partir de aproximadamente R$ 3,5 mil. Para quem usa o notebook para navegar, estudar e fazer streaming, a promessa é ganhar horas extras longe da tomada e um sistema silencioso — tudo sem ventoinhas barulhentas.
Snapdragon X2: a artilharia pesada
Se o C cuida do dia a dia, a família Snapdragon X2 ataca o desempenho. São três variantes:
- X2 Plus
- X2 Elite (12 ou 18 núcleos)
- X2 Elite Extreme, o topo absoluto
O modelo Extreme é um SiP — memória RAM LPDDR5X soldada dentro do encapsulamento do chip, reduzindo latência e aumentando a largura de banda. Resultado: a NPU atinge **80 TOPS**, número que ultrapassa os 45 TOPS do Apple M3 Max e iguala ou supera o Intel Core Ultra 9 em cargas práticas de IA.
Benchmarks que incomodam os líderes atuais
No Geekbench 6, um Asus Zenbook A16 equipado com o X2 Extreme passou dos 23 mil pontos em multicore. É o bastante para superar o Apple M3 Max em multi-thread e empatar tecnicamente com o Core Ultra 9 e o Ryzen AI 9, ainda que a Apple mantenha ligeira vantagem em single-core.
Imagem: Internet
E os jogos? Finalmente um respiro no Windows on ARM
A GPU Adreno de nova geração praticamente dobrou o desempenho da linha X Elite anterior. Títulos exigentes como Cyberpunk 2077 e Red Dead Redemption 2 saltaram de 34 fps para cerca de 58 fps na mesma configuração gráfica. Some a isso a tradução binária on-the-fly aprimorada da Microsoft e temos, pela primeira vez, laptops ARM rodando jogos AAA de maneira aceitável.
Autonomia também impressiona: em teste de duas horas no Speedometer 3.1, o notebook com X2 Elite terminou com 72 % de bateria, contra 66 % de um equivalente Core 7 — vantagem pequena, mas valiosa em um voo ou reunião fora da tomada.
O que isso significa para o seu próximo notebook?
• Para estudantes e usuários casuais: o Snapdragon C promete aparelhos finos, frios e com bateria que atravessa o dia — tudo na faixa dos mil reais mais baratos que modelos Intel Core U equivalentes.
• Para criadores, programadores e gamers eventuais: a linha X2 chega com fôlego de desktop, IA embarcada e um salto gráfico que finalmente tira o Windows on ARM da categoria “curiosidade”.
• Para o mercado como um todo: mais concorrência. Intel, AMD e — em breve — Nvidia (plataforma Spark) terão de contra-atacar, o que tende a reduzir preços e acelerar a inovação.
No fim das contas, a Qualcomm não apenas quer “participar” do mercado de PCs; ela quer reescrevê-lo, do notebook mais barato ao topo de linha ultraportátil. Se você pretende trocar de máquina em 2026, coloque os modelos com Snapdragon no seu radar — a balança custo-benefício pode surpreender.
Com informações de Mundo Conectado