A Apple abre a WWDC 2026 nesta segunda-feira (10) com um clima incomum: enquanto o valor de mercado bate recordes, investidores e fãs questionam se Tim Cook vai, enfim, mostrar que Cupertino domina a inteligência artificial. Será o derradeiro evento do executivo como CEO — John Ternus, atual chefe de hardware, assume o posto no fim do ano — e a nova Siri com IA generativa promete ser o ponto de virada (ou o maior balde de água fria) para quem pensa em atualizar o iPhone ou o Mac nos próximos meses.
A Apple chega pressionada, mas com caixa cheio
Em doze meses, a companhia adicionou US$ 1,6 trilhão ao seu valor e hoje negocia a 36 vezes o lucro acumulado, segundo a MoffettNathanson. Ou seja, o mercado já precificou o sucesso da estratégia de IA antes mesmo de ela ser mostrada. Qualquer deslize pode custar bilhões em poucas horas, lembrando o tombo recente do Vision Pro, que não empolgou nem desenvolvedores nem consumidores.
Como deve funcionar a nova Siri?
Fontes próximas aos bastidores descrevem uma reformulação completa, transformando a assistente em um chatbot capaz de costurar ações entre aplicativos. Na prática, você poderá dizer “preciso de um carro para o aeroporto” e a Siri cuidará de abrir Uber, checar seu calendário, enviar o recibo pelo WhatsApp e inserir o trajeto no Mapas — tudo sem tocar na tela.
Para isso, a Apple mescla dois pilares:
- Processamento local — explorando até 38 TOPS do Neural Engine dos chips Apple Silicon, algo que já dá um banho em rivais Qualcomm Snapdragon 8 Gen 3 e Exynos 2400 em tarefas de IA on-device;
- Nuvem otimizada — parte das requisições rodará na Google Cloud, turbinada por GPUs Nvidia H100. É a primeira vez que a Apple assume depender de infraestrutura externa para IA generativa.
Parcerias de peso: Uber, Amazon e WhatsApp já na largada
A companhia fechou acordos iniciais para o App Intents, a camada que permite à Siri “enxergar” funções de terceiros. Uber, Amazon Shopping e WhatsApp são só o começo; desenvolvedores que entrarem cedo no ecossistema ganham exposição imediata aos potenciais 2,2 bilhões de dispositivos ativos da marca.
Comparativo rápido com a concorrência
• Microsoft Copilot já está integrado ao Windows 11, mas depende fortemente da nuvem Azure e ainda engasga em PCs sem NPU dedicada.
• Google Gemini roda no próprio Pixel com G3, porém em um universo bem menor de usuários.
• Meta aposta no AI Studio para Instagram e WhatsApp, mas não controla o hardware.
A estratégia híbrida da Apple tenta entregar respostas instantâneas (on-device) sem sacrificar modelos de linguagem gigantes (na nuvem). Se funcionar, o ganho de autonomia de bateria e privacidade pode ser um diferencial importante na hora de escolher um novo smartphone.
Imagem: Internet
Vale esperar para trocar de iPhone ou Mac?
O Goldman Sachs acredita que a Siri 2.0 pode acelerar o ciclo de upgrade, principalmente se a Apple limitar parte dos recursos aos futuros iPhone 16 e aos MacBooks com chip M4. Quem possui modelos com A14 ou M1 talvez receba apenas funções básicas, repetindo o que ocorreu com o Live Photos no passado.
Em contrapartida, analistas como Stephanie Link, da Hightower, veem pouco upside para as ações enquanto o crescimento projetado permanece em 10%. Jim Lebenthal, da Cerity Partners, diz não enxergar catalisadores “imediatos” na conferência.
O legado de Tim Cook em jogo
Dan Newman, CEO do The Futurum Group, foi direto: “IA é a lacuna da gestão Cook”. A WWDC 2026 será o último palco para o executivo provar o contrário. Caso a Siri supere a performance de Alexa, Gemini e Copilot, Cook sai consagrado. Se ficar aquém, Ternus herda um problema caro e urgente de resolver.
De qualquer forma, o veredicto do consumidor chegará apenas em setembro, quando a linha 2026 de iPhones, iPads e Macs chega às lojas. Até lá, resta acompanhar os betas do iOS 20 e do macOS 15 para descobrir o quanto a IA da Apple é, de fato, “mágica” — e se justifica ou não esperar antes de colocar um novo dispositivo no carrinho.
Com informações de Olhar Digital