A contagem regressiva começou e, desta vez, não é para um lançamento de foguete. A SpaceX pretende estrear na bolsa com avaliação de impressionantes US$ 1,75 trilhão, montante que pode transformar a companhia de Elon Musk no recordista absoluto de maior IPO (Oferta Pública Inicial) já realizado. Mas, afinal, investidores pessoa física no Brasil poderão participar desse “voo”? A resposta curta é: sim, com algumas condições.
Entenda por que esse IPO é diferente
Normalmente, grandes ofertas públicas são dominadas por investidores institucionais. A SpaceX, porém, reservou até 30% dos papéis — cerca de US$ 22,5 bilhões — ao varejo. Para efeito de comparação, empresas de tecnologia de peso que abriram capital na última década raramente ultrapassaram 10% para esse público. O código de negociação já definido é SPCX.
Como comprar ações da SpaceX no Brasil
Para ter direito à reserva no bookbuilding, o investidor precisa de conta em corretoras internacionais habilitadas. Entre as que já sinalizaram participação estão:
- Fidelity – reduziu o mínimo de US$ 500 mil para US$ 2 mil;
- Robinhood, SoFi e E*Trade – sem valor mínimo exigido;
No Brasil, bancos e corretoras parceiras ainda definem critérios, mas a tendência é repetir as exigências externas. Quem não obtiver lote na reserva terá a alternativa de comprar as ações quando começarem a negociar em bolsa — em geral, a Nasdaq.
Mercados onde o IPO estará disponível
Além dos Estados Unidos, a operação foi estruturada para incluir investidores de:
Brasil, Argentina, México, Índia, Reino Unido, Austrália, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul e países do Espaço Econômico Europeu. As regras variam conforme a legislação de cada território — na Europa, por exemplo, parte das vendas depende da aprovação do prospecto pelas autoridades locais.
Volatilidade à vista: prepare-se para turbulências
Analistas ouvidos pela Reuters preveem oscilações fortes nos primeiros pregões. IPOs muito disputados costumam registrar altas expressivas logo na estreia, impulsionadas por quem não conseguiu entrar ao preço inicial. Contudo, corretoras alertam contra o flipping — vender os papéis nas primeiras semanas pode bloquear o investidor de futuras ofertas.
Imagem: Walter Cicchetti
Vale a pena investir? Principais riscos e oportunidades
• Valuation salgado: a avaliação de US$ 1,75 trilhão representa cerca de 110 vezes a receita dos últimos 12 meses. Isso exige crescimento acelerado para justificar o preço.
• Capex infinito: setor espacial demanda investimentos constantes em infraestrutura, lançamentos e constelações de satélites. A SpaceX ainda não projeta lucro no curto prazo e, portanto, não deve entrar tão cedo no S&P 500, que exige histórico de lucratividade.
• Concorrência aquecida: Blue Origin, Rocket Lab e empresas de IA como Anthropic disputarão o mesmo “bolso” dos investidores nos próximos anos.
• Alternativas indiretas: quem prefere diversificação pode buscar ETFs ou fundos globais que incluam SpaceX após o IPO. É uma forma de diluir riscos sem abrir mão da exposição.
O que o investidor brasileiro ganha com isso?
• Acesso a um dos players mais disruptivos do planeta, em áreas que vão de foguetes reutilizáveis a internet via satélite (Starlink).
• Possibilidade de dolarizar parte da carteira num ativo de alto crescimento — algo buscado por quem já compra hardware de ponta e quer também “upar” seu portfólio.
• Participar de um IPO histórico que pode estabelecer novos parâmetros de mercado, assim como Nvidia e Apple fizeram em momentos-chave da tecnologia.
Checklist antes de apertar o botão de compra
1. Verifique se sua corretora terá acesso ao bookbuilding.
2. Atualize cadastros e requisitos de perfil de risco.
3. Defina o valor que está disposto a alocar, considerando a alta volatilidade.
4. Leia o prospecto completo para entender metas, lock-ups e projeções.
5. Planeje sua estratégia: manter no longo prazo ou realizar parte do ganho inicial?
Conclusão: A abertura de capital da SpaceX tende a ser um divisor de águas para o mercado financeiro — e os brasileiros finalmente poderão embarcar nessa jornada interplanetária de investimentos. Com potencial de ser o maior IPO já registrado, a operação carrega tanto oportunidades colossais quanto riscos proporcionais. Quem decidir participar precisa ajustar o cinto de segurança e ter estratégia clara, tal qual em um lançamento rumo a Marte.
Com informações de Olhar Digital