Uma nova pesquisa de alcance nacional conduzida pela RAND Corporation aponta que 13,1 % dos adolescentes e jovens adultos norte-americanos usam inteligência artificial generativa para aconselhamento em saúde mental. Em números absolutos, o percentual representa cerca de 5,4 milhões de pessoas entre 12 e 21 anos nos Estados Unidos.
Um salto entre 18 e 21 anos
O levantamento, realizado on-line entre fevereiro e março de 2025 com 1.058 respondentes, mostra que a adoção salta para 22,2 % quando o recorte considera apenas o público de 18 a 21 anos — faixa etária que costuma enfrentar a pressão da faculdade, do primeiro emprego e da transição para a vida adulta.
Frequência e satisfação surpreendentes
Entre os usuários que buscam a IA para suporte emocional, 65,5 % o fazem pelo menos uma vez por mês. O dado mais chamativo, entretanto, é a taxa de aprovação de 92,7 %: a esmagadora maioria classifica as respostas como úteis ou muito úteis.
Por que tanta gente confia na “terapia algorítmica”?
Os jovens destacam três vantagens principais:
- Baixo custo: a maioria das ferramentas oferece planos gratuitos ou valores bem inferiores a uma sessão convencional;
- Acesso imediato, 24/7: bastam alguns toques no celular ou no notebook;
- Sensação de privacidade: conversar com um chatbot evita o constrangimento de “se abrir” para um desconhecido cara a cara.
Para quem passa horas em chamadas de vídeo ou jogando com headsets e microfones, essa praticidade se encaixa naturalmente na rotina digital — mais um sinal de como a tecnologia molda o autocuidado dessa geração.
O alerta dos profissionais de saúde
Na outra ponta, entidades médicas soam o alarme. A American Psychological Association (APA) divulgou em 2025 uma nota oficial advertindo que chatbots se baseiam em previsão de palavras, não em diagnóstico clínico, e não são capazes de manejar crises graves. Já pesquisadores de Stanford constataram que uma em cada cinco respostas dos assistentes foi inadequada ou insegura.
Contexto preocupante: depressão em alta
Nos EUA, 18 % dos adolescentes de 12 a 17 anos relatam episódios depressivos maiores, e 40 % desse grupo não recebe tratamento formal. Neste vácuo de atendimento, a IA surge como solução rápida — ainda que imperfeita — para milhões de jovens.
Imagem: William R
O que isso significa para você?
Se você usa — ou pensa em usar — chatbots para desabafar, entenda que eles podem ser ótimos para organizar ideias, sugerir exercícios de respiração ou meditação e até lembrar hábitos saudáveis. Contudo, eles não substituem acompanhamento profissional, principalmente em situações de autolesão ou pensamentos suicidas.
Especialistas recomendam combinar tecnologia e terapia tradicional: monitore seu humor com aplicativos, converse com a IA para apoio rápido, mas procure um psicólogo ou psiquiatra sempre que possível. E vale a pena checar se o app ou serviço que você usa armazena dados de forma segura — uma boa prática é consultar a política de privacidade antes de compartilhar informações sensíveis.
Tendência de mercado: mais gadgets para bem-estar
O crescimento desse uso também aquece a oferta de gadgets focados em saúde mental, como wearables que medem a variação da frequência cardíaca ou fones com cancelamento de ruído voltados a sessões de meditação guiada por voz. Quem busca uma experiência mais imersiva pode encontrar opções já integradas a assistentes de IA, um segmento que deve ganhar força nos próximos lançamentos de 2025.
No fim das contas, a pesquisa da RAND liga o sinal de alerta para pais, educadores e autoridades, mas também mostra o potencial de ferramentas inteligentes como ponto de partida para democratizar o acesso a cuidados emocionais. A tecnologia, quando bem-orientada, pode ser uma aliada — desde que o usuário saiba onde termina o conselho algorítmico e começa a necessidade de ajuda humana.
Com informações de Hardware.com.br