Não é todo dia que o horizonte se transforma em um verdadeiro “show de lasers” naturais. Mas foi exatamente isso que aconteceu em Gran Canaria, nas Ilhas Canárias, quando a fotógrafa Marina Prol registrou — em dias consecutivos — dois fenômenos tão fugazes quanto espetaculares: o flash verde e o ainda mais elusivo flash azul. As imagens rodaram o mundo e reacenderam a curiosidade de astrônomos amadores, viajantes e fotógrafos que sonham em capturar o instante em que o Sol se despede com um brilho de esmeralda ou de safira.
O que, afinal, é o flash verde (e o azul)?
Durante os segundos finais do pôr do Sol, a atmosfera terrestre atua como um gigantesco prisma. Os diferentes comprimentos de onda da luz solar se separam; o vermelho some primeiro, enquanto o verde, graças à sua combinação particular de frequência e refração, costuma ser o último suspiro de cor antes de o disco desaparecer. Esse relance esverdeado dura, em média, de 1 a 3 segundos — piscou, perdeu.
Já o flash azul exige uma sincronia atmosférica quase perfeita. De comprimento de onda mais curto, o azul é facilmente dispersado por moléculas de ar, pó e vapor-d’água. Por isso, ver (e registrar) o brilho azulado é estatisticamente mais difícil: precisamos de ar extremamente limpo, baixa turbulência e um horizonte completamente desobstruído.
Checklist para observar o fenômeno com segurança
1. Horizonte livre: mar aberto, topo de montanha ou edifício alto. Quanto menos obstáculos, melhor.
2. Céu limpo: um dia sem nuvens, neblina ou poluição.
3. Proteção ocular: nunca olhe diretamente para o Sol até que ele esteja quase “sumido”. Use óculos escuros de alta proteção ou desvie o olhar até os instantes finais.
4. Paciência e precisão: o show dura poucos segundos; esteja pronto.
Dicas de equipamento para quem quer fotografar o flash verde
• Câmera com sensor de alta latitude: modelos mirrorless full-frame, como a Sony A7 IV ou a Canon EOS R5, entregam excelente range dinâmico, preservando detalhes nas altas luzes do astro-rei.
• Lentes telefoto de 200 mm a 400 mm: aproximam o disco solar sem sacrificar resolução. Opções populares incluem a Nikon Z 100-400 mm ou a Sigma 150-600 mm.
• Filtro ND graduado: reduz a intensidade da luz na parte superior do quadro, equilibrando o brilho do Sol com o primeiro plano.
• Tripé estável + disparador remoto: manter a cena fixa é crucial quando se trabalha com distâncias focais longas.
Mesmo com uma DSLR de entrada ou uma mirrorless APS-C, é possível obter resultados impressionantes se você dominar a técnica. Dispare em modo burst (sequência contínua) nos segundos finais do pôr do Sol para aumentar as chances de flagrar o flash em pelo menos um frame.
Configurações recomendadas
Velocidade: 1/500 s a 1/2000 s, dependendo da luminosidade.
Abertura: f/8 a f/11 para mais nitidez.
ISO: o mais baixo possível sem comprometer a velocidade — em geral, ISO 100 ou 200.
Formato RAW: facilita a recuperação de detalhes na pós-produção.
Imagem: Marina Prol via Spaceweather.com
Por que isso importa (além do feed do Instagram)?
Observar e registrar flashes verde ou azul não é só uma vitória estética. É também um laboratório a céu aberto para entender óptica atmosférica, dispersão e refração de luz — conceitos que regem desde a qualidade de imagens em telescópios espaciais até o design de sensores fotográficos de última geração. Se você é gamer, streamer ou criador de conteúdo, dominar condições de luz extremas ajuda a extrair cada gota de performance de webcams e câmeras usadas em transmissões ao vivo.
Comparativo rápido: flash verde vs. outros fenômenos de céu
• Duendes vermelhos (sprites): descargas elétricas na alta atmosfera; visíveis apenas à noite.
• Arco-íris duplo: refração em gotas de chuva; muito mais comum e de longa duração.
• Eclipses: eventos astronômicos previsíveis; flashes são imprevisíveis.
A moral da história? O flash verde (e o azul) permanece um dos espetáculos naturais mais rápidos e difíceis de repetir, o que dá ainda mais prestígio a quem volta para casa com a foto perfeita.
Se você vai tentar, prepare-se hoje mesmo
Com o verão se aproximando no hemisfério sul — época de céus mais limpos em muitas regiões costeiras brasileiras —, este é o momento ideal para atualizar seu kit fotográfico. Um bom corpo de câmera, uma lente telefoto nítida e um filtro ND graduado podem ser a diferença entre ver o fenômeno e eternizá-lo com qualidade digna de publicação.
Da próxima vez que o Sol se aproximar do horizonte, ajuste o cronômetro, respire fundo e mantenha o dedo no disparador contínuo: talvez seu feed seja o próximo a exibir aquele raro brilho de esmeralda ou safira.
Com informações de Olhar Digital