No estande da Computex 2026, a ASUS roubou a cena ao exibir um protótipo da GeForce RTX 5090 alimentada por uma linha de 48 V e capaz de puxar espantosos 1.030 W em testes de pico. Identificada pelo software GPU Tweak III como ASTRAL-RTX5090, a placa utilizava um único conector 12V-26 redesenhado — o mesmo formato físico adotado na geração atual, mas agora preparado para cargas que dobram o limite oficial de 600 W.
Por que saltar de 12 V para 48 V?
A física explica: potência (W) é o produto de tensão (V) e corrente (A). Quando uma RTX 5090 convencional consome 600 W a 12 V, o sistema precisa lidar com cerca de 50 A. São quase 8 A por fio, carga que já levou diversos cabos a ultrapassarem 150 °C em testes independentes. Elevando a tensão para 48 V, a mesma potência exige apenas 12,5 A — ou pouco mais de 2 A por fio — reduzindo drasticamente o aquecimento e as perdas elétricas.
O resultado prático? Mais espaço térmico para overclock, maior eficiência na entrega de energia e, principalmente, uma solução para o problema de derretimento de conectores que atormentou as RTX 4090 e 5090 iniciais.
Fonte ATX “híbrida” garante retrocompatibilidade
Para a demonstração, a ASUS desenvolveu uma fonte de alimentação dedicada que detecta automaticamente se a placa de vídeo opera em 12 V ou 48 V. Assim, o mesmo cabo pode alimentar GPUs de gerações anteriores — algo crucial, já que todo o ecossistema de PCs ainda gira em torno dos tradicionais 12 V.
Segundo a marca, o cabo 12V-26 customizado suporta até 1.200 W. Quem trabalhar com duas conexões poderá chegar a 2.400 W, margem pensada para aceleradores de IA e renderização, segmentos em que o consumo energético não para de crescer.
Como isso afeta gamers e criadores?
A curto prazo, trata-se de um tech demo. A ASUS não falou em data ou preço, mas o recado está dado: se você pretende montar um PC high-end nos próximos anos, prepare-se para fontes mais robustas, cabos certificados e, possivelmente, gabinetes com gerenciamento térmico avançado — itens já abundantes em lojas online.
Imagem: William R
Para quem joga em 4K ou explora ray tracing pesado, a migração para 48 V pode significar boosts de clock sustentados sem estrangular a fonte. Já para criadores que rodam Stable Diffusion ou Blender, menos queda de desempenho por limitação térmica é sempre bem-vindo.
Concorrência e legado
Nos últimos anos, a NVIDIA aumentou o TGP (Total Graphics Power) de 450 W na RTX 4090 para até 600 W na RTX 5090 de lançamento. Rumores apontam que a próxima geração, focada em IA, pode ultrapassar 800 W. Enquanto isso, rivais como AMD e Intel também estudam novas topologias de energia. Ou seja, a proposta de 48 V da ASUS — embora ousada — pode virar tendência, assim como o conector 12VHPWR se tornou padrão após estrear nas placas GeForce RTX 40.
Seja qual for o cronograma, a mensagem da Computex 2026 é clara: a escalada de potência veio para ficar. E, com ela, oportunidades para fontes moduláveis, sistemas de refrigeração líquida mais parrudos e estabilizadores inteligentes — componentes que já começam a pipocar nas vitrines de e-commerce.
Com informações de Hardware.com.br