Quem joga no PC, faz compras online ou simplesmente paga o café da esquina com o Pix esbarra, a cada clique, em algoritmos. Ainda assim, a palavra costuma aparecer nos noticiários como sinônimo de espionagem, viés ou perda de privacidade. A matemática espanhola Clara Grima, doutora em Matemática Aplicada pela Universidade de Sevilha, quer virar esse jogo. No recém-lançado livro “Con algoritmos y a lo loco” (“Com algoritmos, à loucura”, em tradução livre), ela prova que há muita beleza, ética e utilidade por trás dessas sequências de instruções que movem a tecnologia — da placa de vídeo do seu PC ao app de delivery.
Quem é Clara Grima e por que você deveria ouvi-la
Além de professora e pesquisadora, Grima é popular na Espanha por tornar temas cabeludos de exatas leves e divertidos. Agora, ela quer desmistificar o “monstro algorítmico” que assombra discussões sobre inteligência artificial. A matemática lembra que, antes mesmo da era dos computadores, somar e subtrair já eram algoritmos. A diferença é que hoje eles estão embarcados em hardware poderoso — pense em CPUs multicore, GPUs com milhares de núcleos CUDA ou unidades Ray Tracing dedicadas — e, claro, nas recomendações de séries que pipocam no seu streaming favorito.
Arte em forma de código: do FFT ao algoritmo do Google
Para Grima, alguns algoritmos mereciam espaço em museu. Caso clássico: FFT (Fast Fourier Transform), verdadeiro canivete suíço da computação. Ele comprime áudio, processa imagens, otimiza redes sem fio e até ajuda o console a calcular o som 3D que chega aos seus fones gamer. Outro ícone é o PageRank do Google, que, com “matemática simples”, decide quais links sobem ao topo da busca.
Há ainda algoritmos que calculam a rota mais curta — essenciais para empresas de logística, mas também para o matchmaking de partidas online, que reduz lag ao conectar jogadores por ping. E sem criptografia, que também é puro algoritmo, não existiriam transações bancárias seguras, seja no app do banco ou no smartwatch.
O impacto direto no seu set-up
Se você é entusiasta de hardware, estes exemplos não são teoria: são o que torna a experiência next-gen. Tecnologias como NVIDIA DLSS 3 e AMD FSR 3 aplicam algoritmos de IA para reconstruir quadros em tempo real, gerando mais FPS sem sacrificar gráficos. Já o Smart Access Memory, presente nas plataformas Ryzen, usa algoritmos de prefetch para acelerar o acesso à VRAM — algo que faz diferença real no benchmark e, claro, no gameplay.
Ou seja, por trás daquela GPU na Amazon com desconto relâmpago, o que você leva para casa é uma coleção de algoritmos otimizados em silício.
Por que ainda temos medo?
Grima aponta que a ansiedade matemática começa cedo, antes mesmo do ensino médio. Quando a mídia retrata algoritmos como vilões, o pânico só aumenta. Resultado: carência de profissionais justamente quando IA, ciência de dados e cibersegurança bombam no mercado.
Imagem: María Ramos Domínguez
Falta diversidade no código
Em 1985, mais mulheres do que homens cursavam Matemática nas universidades públicas da Espanha. Hoje, elas representam pouco mais de 36% dos alunos. Para Grima, é um cenário “desolador”: menos diversidade gera algoritmos mais tendenciosos. Seu relato pessoal — notar problemas de acessibilidade em rampas após virar mãe — exemplifica como diferentes vivências resultam em melhores soluções de engenharia.
Algoritmos que fiscalizam algoritmos
Se algoritmos podem ser usados para manipular, por que não criar “algoritmos guardiões”? A ideia de Grima é simples: sistemas automáticos que supervisionem os demais, identificando vieses ou usos abusivos. Mas, para isso, matemática e computação precisam caminhar lado a lado com ética, filosofia e direito, estabelecendo um “código de conduta” global — na prática, como ocorreu com a legislação de imprensa.
O que a era da IA pede de nós
Máquinas vão executar tarefas repetitivas cada vez melhor. Cabe aos humanos fazer o que elas não conseguem: pensar de forma crítica, dialogar e criar. Isso vale para quem escreve o próximo blockbuster de algoritmos e para quem escolhe a melhor placa-mãe AM5 para montar o PC. Entender como a tecnologia funciona deixa de ser opcional — é diferencial competitivo.
No fim das contas, como reforça Clara Grima, algoritmos não são bons nem maus; são reflexo de quem os cria e de como são aplicados. Ao encará-los como ferramentas — tão fundamentais quanto o processador que roda seu game favorito — damos o primeiro passo para usar a matemática a nosso favor, social e economicamente.
Com informações de Computerworld