Um celular que não existe oficialmente, custa mais de US$ 2 mil e pode chegar apenas em 2026 já desperta desejo em um a cada sete donos de iPhone nos Estados Unidos. O dado vem de uma pesquisa encomendada pela CNET à YouGov e indica que 14% dos usuários considerariam trocar de aparelho por um eventual iPhone Fold ou iPhone Flip — índice que, para qualquer outra marca, já seria motivo de comemoração. Para a Apple, pode ser o empurrão que faltava para popularizar de vez os dobráveis.
O que a pesquisa revela
Realizado entre 29 de abril e 1.º de maio de 2026 com 2.486 adultos norte-americanos, o levantamento mostra que:
- 13% de todos os proprietários de smartphones se dizem atraídos por um formato dobrável/flip.
- Entre usuários de Android Samsung, a taxa sobe para 15%.
- Entre usuários de iPhone, fica em 14% — ou cerca de 120 milhões de pessoas, se aplicado aos mais de 860 milhões de iPhones ativos no mundo.
O número parece modesto, mas, considerando que a categoria de dobráveis representa menos de 2% do mercado global, é um salto de interesse relevante. Em 2024, um estudo da UBS apontava score negativo para o formato. Dois anos depois, a intenção de compra saiu do vermelho.
Por que só 14% já é muito?
A IDC projeta crescimento de 30% em dobráveis em 2026, puxado justamente pela entrada da Apple. A consultoria estima que o futuro iPhone Fold capture 22% das unidades vendidas e 34% da receita do segmento no primeiro ano, graças a um ticket médio de US$ 2.400.
Em outras palavras, mesmo que apenas parte desses 14% realmente compre o aparelho, a Apple já pode abocanhar um terço de todo o dinheiro envolvido em dobráveis.
Especificações vazadas: o que esperar
Rumores de fornecedores apontam para:
- Tela interna flexível de 7,8 pol. — próxima a um iPad mini, ótima para consumo de vídeo e produtividade.
- Painel externo compacto, ideal para uso com uma mão, algo que falta em concorrentes como o Galaxy Z Fold 8.
- Dobradiça em metal líquido e vidro ultrafino de dupla camada, prometendo reduzir a marca de vinco.
- Armazenamento de 256 GB, 512 GB e 1 TB.
- Preço estimado entre US$ 2.320 e US$ 2.900.
Para quem joga no celular, uma tela de 7,8 pol. pode significar espaço extra para controles virtuais sem tampar a ação, enquanto a dobradiça reforçada tende a aguentar sessões prolongadas sem folgas — um ponto onde alguns modelos Android ainda escorregam.
Preço e bateria continuam mandando
A pesquisa confirma que preço (55%) e duração de bateria (52%) seguem como os maiores gatilhos de upgrade. IA generativa, vendida pelas gigantes como a próxima revolução, atrai só 12% dos entrevistados. E nem mesmo o design ultrafino do iPhone Air entusiasmou: apenas 7% ligam para celulares mais finos.
Isso explica por que a Apple testa baterias de silício-carbono semelhantes às vistas no OnePlus 15, capaz de entregar até 20% mais densidade energética sem engrossar o aparelho. Se o iPhone Fold chegar perto da autonomia do atual champion iPhone 17 Pro Max, já terá um diferencial competitivo sobre o Galaxy Z Fold, que costuma ficar abaixo das 5h30 de tela.
Imagem: Internet
Concorrência afia as armas
A Samsung prepara o Galaxy Z Fold 8 para julho de 2026 e deve apresentar também um inédito Galaxy Z Trifold no primeiro semestre do mesmo ano. A estratégia é inundar o mercado antes da Apple. Google, Xiaomi e Honor correm por fora, mas ainda não atingiram escala global — algo que a loja da Apple consegue no dia 1.
Impacto prático para você
Se você já pensa em trocar de smartphone em 2026, a chegada de um iPhone dobrável pode:
- Aumentar a variedade de formatos — e, com sorte, baixar o preço dos modelos atuais da Samsung e Motorola.
- Trazer acessórios otimizados, como teclados Bluetooth compactos e mouses de viagem, perfeitos para a tela quase de tablet do dobrável — itens que já valem ficar no carrinho da Amazon.
- Acelerar a adaptação de apps e jogos a telas flexíveis, algo que hoje ainda é irregular no ecossistema Android.
Vale a pena esperar?
A distância entre interesse declarado e compra real é grande — especialmente quando a etiqueta parte de US$ 2 mil. Mas a Apple costuma transformar curiosidade em necessidade. Se você quer o form-factor dobrável, mas também valoriza atualizações de longo prazo, integração com Macs, iPads e seus futuros AirPods com câmera, esperar pode ser a jogada mais segura.
No curto prazo, porém, vale monitorar o Galaxy Z Fold 8 — que costuma cair de preço rapidamente — e modelos como o Motorola Razr 50 Ultra. Eles já entregam parte da experiência de multitarefa em tela grande, custando até 40% menos que o valor esperado para o iPhone Fold.
Seja qual for sua escolha, 2026 promete ser o ano em que os dobráveis saem do nicho para a vitrine principal. E, como de costume, basta a Apple colocar o logotipo da maçã no jogo para todo o setor mudar de marcha.
Com informações de Mundo Conectado