Uma equipe da Universidade de Pequim apresentou a primeira ferramenta de automação de projeto eletrônico (EDA) criada sob medida para a arquitetura LogicFolding, da Huawei. A novidade emprega uma abordagem “true-3D” que trata todo o chip como um único bloco vertical, em vez de desenhar cada camada separadamente e depois empilhá-las. Nos testes iniciais, o método reduziu em 30% o comprimento da fiação interna, prometendo mais desempenho e menor aquecimento em comparação aos fluxos de trabalho tradicionais.
O que é o LogicFolding?
Anunciada pela Huawei durante o IEEE International Symposium on Circuits and Systems (ISCAS 2026), a arquitetura LogicFolding “dobra” os circuitos na vertical. Ao encurtar os caminhos físicos por onde o sinal trafega, a empresa diminui resistência, capacitância e atraso de propagação. Em termos práticos, isso significa chips mais rápidos e mais eficientes energeticamente — algo que pode fazer a diferença em smartphones potentes, placas de vídeo compactas e até mini-PCs voltados a games.
Como funciona a abordagem true-3D da Universidade de Pequim
No design convencional, engenheiros criam cada camada do chip em 2D e, só depois, empilham as estruturas. Já o software chinês enxerga todas as camadas simultaneamente, otimizando o roteamento como se fosse um único bloco. Entre os resultados reportados:
- 30% menos fiação interna, reduzindo perda de sinal;
- Melhor dissipação de calor, essencial para manter altas frequências sob controle térmico;
- Potencial para chips menores ou com mais transistores na mesma área.
Por que isso importa para você, usuário final?
Se a Huawei conseguir levar o LogicFolding a produção em massa, produtos de consumo podem ganhar:
- Smartphones Kirin com maior autonomia sem sacrificar velocidade;
- Aceleradores de IA da família Ascend mais compactos, diminuindo custo de data centers;
- Possível adoção futura em GPUs e CPUs que você encontra no varejo — imagine a vantagem em FPS ou renderização 3D se um processador conseguir encurtar atrasos internos da lógica, assim como a AMD 3D V-Cache já fez nos Ryzen para games.
Sinopse do mercado EDA: tirando o sono de Synopsys e Cadence
Hoje, Synopsys (31%), Cadence (30%) e Siemens EDA (13%) dominam mais de 80% do mercado global de EDA, inclusive dentro da própria China. Essas empresas focam em empacotamento avançado (chiplets, 2.5D, 3DIC), mas não oferecem uma solução dedicada a dobrar lógica verticalmente num único die, como exige o LogicFolding.
Para a Huawei — que segue sob sanções dos EUA — ter uma alternativa caseira significa menos dependência de software ocidental. E, para o consumidor, maior concorrência costuma se traduzir em inovação acelerada e preços mais agressivos.
Próximos passos: Kirin no segundo semestre e meta de “1,4 nm” até 2031
A Huawei confirmou que os próximos processadores Kirin, esperados para a segunda metade do ano, serão os primeiros a usar LogicFolding. A empresa também mira chips com densidade equivalente a 1,4 nm até 2031, mesmo sem acesso às máquinas de litografia EUV de última geração.
Imagem: Internet
Vale lembrar que a TSMC planeja fabricar em massa no nó de 1,4 nm em 2028. Ou seja, a Huawei ainda corre contra relógio — mas, se a estratégia de “dobrar” lógica em vez de encolher transistores der certo, o jogo pode ficar interessante.
Ainda é só um protótipo — mas o mercado já reagiu
Ferramentas EDA levam anos até ganharem selo de confiança industrial. Precisam de integração com kits de processo (PDK) das foundries e milhares de tape-outs para provar consistência. Mesmo assim, apenas o anúncio já fez as ações da SMIC, principal parceira fabril da Huawei, subirem 7,6%.
Se a redução de 30% na fiação se confirmar em escala fabril, poderemos ver um novo paradigma de chips 3D “monolíticos” ganhando terreno — e isso pode respingar em todo o ecossistema, de notebooks gamer vendidos na Amazon a placas-mãe que precisam acomodar CPUs mais densas e frias.
Em outras palavras, fique de olho: a próxima grande evolução de desempenho no seu computador ou smartphone pode vir menos da física de litografia e mais da criatividade no design.
Com informações de Mundo Conectado