Uma peça praticamente invisível aos olhos do consumidor, mas onipresente em smartphones, placas-mãe, placas de vídeo e até em mouses gamer, virou motivo de dor de cabeça na indústria. As placas de circuito impresso (PCBs) ficaram até 40% mais caras em abril depois que um ataque iraniano paralisou a produção de matéria-prima na Arábia Saudita. Analistas do Goldman Sachs alertam: o repasse de custos deve chegar às prateleiras já no próximo trimestre.
O que aconteceu?
No início de abril, tropas iranianas bombardearam o complexo petroquímico de Jubail, na costa saudita. O alvo principal foi a Saudi Basic Industries Corporation (SABIC), responsável por cerca de 70% do fornecimento mundial de resina de éter de polifenileno (PPE), polímero que dá rigidez térmica e elétrica às PCBs modernas.
Com as linhas da SABIC fora de operação e bloqueios no Estreito de Ormuz atrasando rotas marítimas, o resultado foi imediato: falta de PPE, fibra de vidro, folha de cobre e outras matérias-primas essenciais.
Escassez em números
- Aumento de 40% no preço das PCBs em comparação com março.
- Cobre, que responde por 60% do custo de materiais da placa, subiu até 30% só em 2026.
- Prazo de entrega dos insumos químicos saltou de 3 para 15 semanas.
- PCBs avançadas para servidores de IA chegam a 13.475 yuans (≈ R$ 9,8 mil) a unidade.
- Modelos multicamadas comuns custam 1.394 yuans (≈ R$ 1 mil) por m².
Por que isso mexe com o seu setup?
Todo hardware moderno — de um teclado mecânico RGB a placas de vídeo como a NVIDIA RTX 4090 — depende de PCBs para interligar chips, memórias e controladores. Se a base encarece, fabricantes precisam:
- Rever orçamentos, atrasando linhas de produção.
- Reduzir margens ou repassar custos ao consumidor.
- Priorizar produtos de maior valor agregado (por exemplo, GPUs topo de linha), o que pode limitar a oferta de modelos de entrada.
Em 2021, a crise dos semicondutores elevou o preço de placas-mãe no Brasil em até 35%. Desta vez, o impacto inicial já é maior para o componente mais básico: a própria placa. Expectativa do mercado é de aumentos graduais em PCs montados, notebooks gamers, consoles e periféricos ao longo do segundo semestre.
Comparativo com outras crises
• Pandemia (2020-2021): Falta de wafers e gargalos logísticos. Alta média de 20% a 30% em chips.
• Conflito Irã-Saudita (2026): Quebra na oferta de PPE e cobre. Elevação já detectada de 40% especificamente em placas de circuito, potencialmente mais ampla porque afeta todos os segmentos eletrônicos.
Dicas para não pagar a conta cheia
1. Antecipar upgrades: Se planeja trocar de GPU ou montar um novo PC ainda este ano, monitorar estoques atuais pode evitar preços inflados quando os lotes com PCBs mais caras chegarem.
Imagem: Internet
2. Ficar de olho em modelos 2025: Muitos fabricantes ainda têm placas-mãe, SSDs e acessórios produzidos antes da crise — ofertas que costumam aparecer em grandes varejistas, inclusive na Amazon.
3. Comparar gerações: Uma RTX 4070 da leva antiga pode entregar desempenho próximo ao da futura RTX 5070 por um custo-benefício melhor se a nova já vier com PCB encarecida.
O que vem a seguir?
Especialistas projetam normalização só quando a SABIC retomar pelo menos 50% da capacidade, algo improvável antes do fim de 2026. Enquanto isso, data centers de IA — que precisam de PCBs de altíssima densidade — disputam cada lote disponível, pressionando ainda mais cadeias de suprimento de produtos de consumo.
Para o usuário final, o conselho é simples: acompanhar o mercado. A janela de preço estável pode se fechar rapidamente, sobretudo se a tensão geopolítica escalar ou se novos gargalos logísticos surgirem.
Com informações de TecMundo