Um novo abalo na cadeia global de suprimentos de hardware liga o sinal vermelho para gamers, criadores de conteúdo e profissionais de TI: a ofensiva iraniana contra o complexo petroquímico de Jubail, na Arábia Saudita, derrubou a produção de resina de éter de polifenileno (PPE) e fez o preço das placas de circuito impresso (PCBs) saltar até 40% somente em abril, segundo analistas do Goldman Sachs ouvidos pela Reuters.
O que, exatamente, aconteceu?
A Saudi Basic Industries Corporation (SABIC), responsável por cerca de 70% da oferta mundial de PPE, teve suas operações paralisadas após o ataque. Sem o principal insumo para laminar as placas, a indústria eletrônica já sente:
- Escassez imediata de PCBs — coração de produtos como placas-mãe, placas de vídeo, SSDs e roteadores Wi-Fi.
- Aumento de até 30% no preço do cobre, que representa 60% do custo total de materiais de uma PCB.
- Prazos de entrega que saltaram de três para até 15 semanas para resinas e químicos críticos.
Por que as PCBs são tão críticas?
Sem elas, não existe eletrônica moderna. A placa de circuito impresso conecta e dá suporte físico a componentes como processadores, memórias e controladores de energia. Em produtos avançados, as versões multicamadas (6 a 24 camadas) são indispensáveis para:
- Placas de vídeo de última geração (RTX 40 e Radeon RX 7000).
- Motherboards para CPUs Intel Core 14ª geração e AMD Ryzen 7000.
- Servidores e aceleradores de IA, segmento cuja demanda disparou desde a popularização do ChatGPT.
Quando o custo da PCB sobe, a pressão de preços se espalha por toda a linha de produção, pois fabricantes raramente absorvem o impacto sozinhos.
Impacto no bolso: o que esperar para mouses, teclados e GPUs?
Apesar de periféricos como mouses e teclados usarem PCBs mais simples, o aumento no preço do cobre e da fibra de vidro cria um efeito cascata em toda a indústria eletrônica. Especialistas já projetam:
- Placas-mãe: alta de 8% a 12% nas próximas remessas, a depender do número de camadas e dos slots PCIe.
- Placas de vídeo: risco de reajuste duplo, pois o PCB avançado soma-se ao encarecimento de memória GDDR6X.
- Periféricos premium (teclados mecânicos gamer, mouses com sensor 8.000 Hz): margens menores podem levar fabricantes a reduzir promoções agressivas.
- Notebooks e desktops prontos: grandes marcas tendem a repassar o aumento nos modelos lançados a partir do 3º trimestre.
Comparativo com crises anteriores
Na pandemia de 2020, a falta de semicondutores atrasou lançamentos e inflacionou placas de vídeo em mais de 300%. A atual crise, porém, atinge um estágio anterior da cadeia. Sem PCB, não há como sequer montar o chip no substrato. Ou seja, se não houver normalização rápida, o gargalo pode ser ainda mais severo do que o observado no auge da escassez de GPUs para mineração de criptomoedas.
Vale a pena antecipar compras?
Ninguém deve entrar em pânico, mas o timing importa. Se você já planejava trocar a GPU ou montar um novo PC para aproveitar lançamentos como Starfield ou Elden Ring DLC, antecipar a compra pode evitar reajustes futuros. Da mesma forma, empresas que precisam expandir data centers de IA devem revisar contratos e estoques de segurança.
Imagem: Internet
Perspectivas e próximos passos
A retomada total da produção da SABIC ainda não tem data. Analistas estimam que, mesmo com reparos emergenciais, o mercado só verá volumes regulares de PPE no fim de 2026. Enquanto isso, fornecedores secundários na China e em Taiwan tentam aumentar turnos, mas não cobrem o vácuo de 70% da oferta global.
Em paralelo, bloqueios intermitentes no Estreito de Ormuz atrasam navios-tanque de matérias-primas, elevando custos logísticos. O cenário reforça a importância de cadeias de suprimentos diversificadas e de estoques estratégicos para as fabricantes.
No curto prazo, consumidores devem acompanhar promoções e evitar decisões impulsivas. No médio, prepare-se: se o conflito se prolongar, a nova tendência de alta de preços pode ser o “novo normal” do mercado de hardware.
Com informações de TecMundo