A AMD acaba de deixar escapar, por linhas de código, que sua quarta geração do FidelityFX Super Resolution (FSR4) não será apenas uma mera evolução incremental. Referências encontradas na versão 1.5 do developer kit ADLX, hospedado no repositório GPUOpen, revelam um novo recurso batizado de Multi-Frame Generation (MFG) com seleção de multiplicadores de quadros. Em termos simples, a tecnologia permitirá que a placa de vídeo gere mais de um quadro sintético entre dois quadros reais — um salto importante para quem busca altas taxas de FPS em monitores de 144 Hz, 240 Hz ou até 360 Hz.
Por que isso importa para o seu gameplay?
No modelo atual do FSR3, o jogador recebe apenas 1 quadro extra (2×). Isso já pode dobrar o FPS em títulos otimizados, mas ainda deixa a AMD atrás da concorrência: a NVIDIA alcança 6× com o DLSS 4.5 nas RTX 50, enquanto a Intel atinge 4× via XeSS 3. Se o MFG estrear com multiplicadores maiores — algo sugerido pelo seletor “GetRatio/SetRatio” do novo SDK — o fosso de desempenho tende a desaparecer.
O que o SDK denunciou
A interface — de nome quase impronunciável, — lista hoje apenas os valores “unknown” e “2x”. Entretanto, a própria estrutura foi projetada para aceitar números superiores, algo que não faria sentido se a AMD quisesse manter o limite no dobro de frames. Outro detalhe saboroso: o driver possuirá um override, permitindo que jogos compatíveis com FSR 3.1 sejam promovidos automaticamente ao novo método baseado em IA, sem exigir patches dos desenvolvedores. Isso significa adoção em massa mais rápida e menos trabalho para estúdios independentes.
RDNA 4 pode ser a exigência mínima
Embora ferramentas de terceiros, como o Lossless Scaling, mostrem que GPUs antigas conseguem emular técnicas de frame-gen, a AMD deve restringir o suporte oficial ao próximo lineup Radeon RX 9000 (arquitetura RDNA 4). O motivo? Núcleos dedicados de IA — algo inédito na linha Radeon — que irão acelerar as redes neurais responsáveis por prever e compor múltiplos quadros com baixa latência e ausência de artefatos. Quem sonha em revitalizar uma RX 6000 ou RX 7000 pode acabar limitado ao 2× tradicional.
Comparativo rápido: FSR4 vs. DLSS 4.5 vs. XeSS 3
AMD FSR4 (rumor) – até 4× ou 6×; compatibilidade via driver; foco em RDNA 4.
NVIDIA DLSS 4.5 – até 6×; requer núcleos Tensor de 4ª geração; suporte consolidado em mais de 400 jogos.
Intel XeSS 3 – até 4×; otimizado para XMX das Arc “Battlemage”; baseado em standard aberto DP4a.
Na prática, o principal diferencial da AMD pode ser a abertura do código (GPUOpen) e o fato de o FSR não exigir hardware proprietário em APIs como DirectX 12 ou Vulkan — algo que interessa a desenvolvedores de jogos independentes e, por tabela, ao consumidor que usa placas de diferentes marcas.
Imagem: William R
Quando saberemos mais?
Analistas de mercado apontam para a Computex 2026, em junho, como palco oficial do anúncio. A feira taiwanesa costuma concentrar a maior parte das revelações de GPUs e placas-mãe, e deve ser lá que Lisa Su subirá ao palco com detalhes de performance, demos ao vivo e, quem sabe, benchmarks comparando FSR4 MFG contra o DLSS 4.5 em títulos AAA como Starfield 2 ou Cyberpunk 2089.
Para quem está de olho em um upgrade de GPU em 2026 — seja para aproveitar lançamentos como o Unreal Engine 6 ou os próximos óculos de realidade mista — vale a pena ficar atento: se o Multi-Frame Generation realmente entregar até 6× de fluidez, os novos Radeon podem entrar forte no radar de jogadores competitivos que hoje migram quase automaticamente para a NVIDIA.
No fim das contas, a disputa não é só pelo número de quadros, mas pela experiência completa: menor latência, preservação de detalhes em 4K/8K e suporte imediato em grandes engines. E é justamente aí que a AMD parece determinada a encurtar a distância.
Com informações de Hardware.com.br