Promessas de ganhar até R$ 1.500 por dia apenas curtindo posts ou seguindo perfis estão lotando grupos de WhatsApp e Telegram — e custando caro aos brasileiros. Um levantamento da Redbelt Security identificou 128 grupos ativos em dezembro de 2025, salto de 75% em apenas 15 meses. A fraude, que se apóia no golpe asiático Sha Zhu Pan, já faz parte do dia a dia do cibercrime nacional e surfa no hábito instantâneo do Pix para esvaziar contas bancárias em segundos.
Como o golpe conquista a vítima em duas etapas
1. Depósito de confiança – Assim que o usuário entra no grupo, perfis falsos publicam “comprovantes” de saques via Pix — valores de R$ 5 a R$ 20 que, de fato, caem na conta da vítima. O dinheiro rápido cria a sensação de que o esquema é legítimo.
2. A “tarefa pré-paga” – Na sequência, surge a proposta irresistível: “Envie R$ 1.000 agora e receba R$ 1.500 amanhã”. Quem faz o Pix é bloqueado imediatamente. Na prática, a pequena soma inicial é um investimento dos golpistas para gerar credibilidade e fisgar quantias maiores.
Phishing evoluído: malware e contas laranja entram em cena
Segundo Eduardo Lopes, diretor da Redbelt, criminosos misturam táticas de phishing com trojans bancários disfarçados de apps de marketing. Esses malwares roubam senhas de bancos populares, como Nubank e Caixa, dando aos estelionatários acesso direto ao saldo. Para lavar o dinheiro, laranjas brasileiros emprestam contas e reduzem a chance de rastreamento.
Escala nacional: R$ 29 bilhões em prejuízos
De julho de 2024 a junho de 2025, golpes via Pix fizeram 24 milhões de vítimas e geraram perdas de R$ 29 bilhões, aponta o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A Silverguard estima alta de 21% no prejuízo médio por pessoa em 2025 (R$ 2.540), com idosos perdendo até cinco vezes mais do que jovens.
Os 6 sinais que denunciam a armadilha
Adriano Volpini, diretor da Febraban, resume o padrão das fraudes. Antes de clicar em qualquer link ou aceitar convites, procure por estes alertas:
• Empresa sem CNPJ, site ou contrato público.
• Exigência de depósito para liberar a próxima tarefa.
• Ganho prometido acima de R$ 100/dia por cliques simples.
• Comprovantes bancários de contas aleatórias.
• Contato não solicitado via WhatsApp ou Telegram.
• Ausência de nota fiscal ou termo de prestação de serviço.
Imagem: William R
Nenhuma plataforma séria de microtarefas pede “investimento” para que você receba.
Dica de especialista: transforme seu celular num cofre digital
Quer reduzir drasticamente o risco? Combine autenticação em dois fatores (2FA) com um gerenciador de senhas e, se possível, utilize uma chave física de segurança compatível com USB-C ou NFC. Smartphones mais recentes, como os topos de linha da Samsung e da Apple, também contam com Secure Enclave ou Knox Vault, que criptografam dados sensíveis em hardware — um salto de proteção em comparação a modelos antigos.
Fui vítima. E agora?
1. Registre um B.O. on-line na Delegacia Virtual do seu Estado (categoria “golpe digital/estelionato”).
2. Notifique seu banco imediatamente pelo app ou central de atendimento; a instituição tem até 7 dias para tentar estornar o Pix.
3. Troque senhas de apps bancários, e-mail e WhatsApp.
4. Avise familiares e amigos para bloquearem números suspeitos.
5. Monitore extratos por 30 dias em busca de transações estranhas.
Perder dinheiro para golpistas pode atrasar aquele upgrade sonhado de processador ou placa de vídeo, mas a prevenção custa bem menos do que o prejuízo. Desconfie de retornos fáceis e mantenha seus dispositivos — e sua carteira — protegidos.
Com informações de Hardware.com.br