A Samsung confirmou que o Galaxy Z TriFold – primeiro smartphone de três telas da marca – deixará as prateleiras definitivamente assim que o estoque atual acabar. O anúncio chega menos de 90 dias após a estreia comercial, marcada por preços que ultrapassavam os US$ 2.800 nos Estados Unidos. Ainda que o aparelho tenha esgotado em segundos em cada lote limitado, a conta não fechou para a fabricante sul-coreana.
Por que o TriFold sai de cena tão rápido?
Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, o custo de produção do TriFold era tão alto que, mesmo com o valor de vitrine próximo aos US$ 3 mil, a margem de lucro beirava o zero. A escalada recente nos preços de componentes críticos — DRAM e NAND flash — esmagou de vez qualquer respiro financeiro.
O design triplo também impunha desafios: duas dobradiças independentes, três segmentos de tela OLED sincronizados e uma linha de montagem específica, incompatível com o tooling dos dobráveis “convencionais” da própria Samsung. Resultado? Baixa escala, múltiplos pontos de falha e produção lenta — a antítese da rentabilidade.
Lançamento “de vitrine” – poucos aparelhos, muita repercussão
Na Coreia do Sul, os dois primeiros lotes somaram apenas 3.000 unidades e evaporaram em minutos. Nos EUA, cada reposição seguia o mesmo roteiro relâmpago. Internamente, o projeto era tratado como halo product: mostrar músculo de engenharia, não gerar volume de vendas. O fato de a Samsung não ter enviado amostras para a imprensa especializada e ter vendido o aparelho apenas pelo site oficial reforça essa estratégia de visibilidade controlada.
Concorrentes seguem no jogo tridobrável
Se a Samsung coloca o pé no freio, a Huawei pisa no acelerador. A chinesa já apresentou a segunda geração de seu Mate XT Ultimate, além do Mate XTs (ainda exclusivo da China). Ao alcançar um ciclo completo, a marca rival demonstra ter encontrado um ponto de equilíbrio entre preço, produção e apelo de mercado — ainda que restrito.
Impacto para o consumidor e para o mercado de dobráveis
Para quem sonhava com a próxima fronteira de produtividade móvel — imagine um layout de três telas aberto na mesa, com planilha, e-mail e videoconferência lado a lado — o adeus ao TriFold é um banho de realidade. Engenharia existe; a cadeia de suprimentos acessível, não. A aposta agora recai sobre formatos menos radicais, como o futuro Galaxy Z Fold 8 e rumores de um modelo Wide, que teria um display único mais amplo, reduzindo mecanismos extras.
Na prática, o recuo não significa que a Samsung perdeu fé nos dobráveis. Pelo contrário: a empresa lidera a categoria de forma consistente desde o primeiro Galaxy Fold e já prepara o Galaxy Z Flip 8 para o segundo semestre de 2026. A decisão apenas mostra que o consumidor ainda não vê valor — ou não tem bolso — para bancar uma inovação que ele próprio considera “experimental”.
Imagem: Internet
Vale a pena esperar ou escolher outro dobrável agora?
Se seu foco é experimentar um form-factor diferente já em 2024/2025, opções como Galaxy Z Fold 5, OnePlus Open e Honor Magic V2 surgem como escolhas mais “pé-no-chão”. Esses modelos mantêm uma única dobradiça — portanto são mais baratos de produzir, contam com suporte oficial no Brasil e muitas vezes aparecem com promoções agressivas em varejistas online, inclusive na Amazon. Para jogos, multitarefa e consumo de mídia, eles entregam boa parte da experiência de tablet de bolso sem cobrar a taxa extra do futurismo triplo.
Já quem faz questão de estar sempre na crista da onda tecnológica pode considerar aguardar a próxima geração, quando a queda no custo de memória e displays flexíveis deve permitir designs mais ousados a preços menos proibitivos.
No fim das contas, o Galaxy Z TriFold cumpriu seu papel de vitrine: provar que é possível dobrar OLED em três partes e manter tudo funcionando. O passo seguinte — tornar isso comercialmente viável — ainda carece de escala de produção e, principalmente, de consumidores dispostos a pagar a fatura.
Com informações de Mundo Conectado