Em um raro momento de transparência sobre projetos internos, a Samsung confirmou à Bloomberg que não há, por ora, nenhuma equipe dedicada ao desenvolvimento de um “Galaxy S26 Edge” nem de um “Galaxy Z Trifold 2”. A decisão congela dois dos conceitos mais ousados apresentados pela marca em 2025 e joga luz sobre as mudanças de prioridade no mercado de smartphones premium.
1. O Galaxy S25 Edge tropeçou onde deveria brilhar
Anunciado como o celular mais fino da história da Samsung — apenas 5,8 mm de espessura — o S25 Edge pretendia bater de frente com o iPhone Air. Na prática, porém, três fatores minaram o apelo imediato do modelo:
- Autonomia acanhada: a bateria de 3.300 mAh não sustentou um dia inteiro de uso intenso para jogos ou produtividade.
- Câmeras sacrificadas: sensores menores resultaram em fotos noturnas abaixo do nível do Galaxy S25 “padrão” (que manteve sensor principal de 200 MP).
- Preço premium sem entrega proporcional: lançado a US$ 1.099, o Edge custava quase o mesmo que o S25 Ultra, mas sem o zoom óptico avançado nem a bateria de 5.000 mAh.
Para o consumidor que avalia um novo smartphone na Amazon, isso se traduzia em menor relação custo-benefício — algo difícil de justificar quando modelos como o próprio Galaxy S25 Ultra e concorrentes como o Pixel 9 Pro oferecem mais recursos por valores similares.
2. Galaxy Z Trifold: impressionante na engenharia, inviável no bolso
O Z Trifold virou manchete ao se desdobrar de 6,5 para 10,1 polegadas com duas dobras. Apesar do efeito “uau”, o preço inicial próximo de US$ 2.400 afastou a massa de usuários. Internamente, engenheiros relataram custos elevados de produção e a necessidade de drivers e painéis exclusivos, o que dificultou margens saudáveis. Também pesou:
- Complexidade de reparo: cada dobra é mais um ponto de falha física.
- Ecossistema de apps limitado: poucos softwares se beneficiavam do formato de tela em “Z”.
O resultado foi um produto-vitrine que reforçou a imagem inovadora da Samsung, mas não atingiu escala comercial.
3. Tendência do mercado: design ousado vs. utilidade real
Dados da Counterpoint Research mostram que 74 % dos compradores de tops de linha priorizam bateria, câmeras e durabilidade — justamente os compromissos feitos nos formatos ultrafinos ou multitelas. A pausa da Samsung sinaliza uma volta ao básico aprimorado: entregar IA on-device, sensores maiores e baterias generosas antes de formas radicais.
O que vem agora? Foco no Galaxy S26 e dobráveis “convencionais”
Sem Edge e Trifold na fila, a empresa concentra recursos nos Galaxy S26 (já disponíveis no varejo online) e na próxima geração de Galaxy Z Fold 6 e Z Flip 6, previstos para agosto. A estratégia envolve:
Imagem: Internet
- IA generativa embarcada para edição de fotos, transcrição off-line e sugestões de jogo.
- Privacidade por hardware: chip dedicado de segurança, novidade que deve agradar quem trabalha remotamente.
- Câmeras f/1.4 e codec APV no S26 Ultra, prometendo superar a captura de vídeo do iPhone 16 Pro.
Para o usuário que cogita upgrades, a dica é comparar necessidades reais: se o objetivo é maratonar jogos ou filmar em 8K, os modelos “tradicionais” oferecem mais autonomia e ecosistema de capas, power banks e mouses Bluetooth compatíveis — todos facilmente encontrados na Amazon com preços promocionais recorrentes.
Vale esperar um novo Edge ou Trifold?
Won-Joon Choi, COO da divisão MX, deixou a porta entreaberta: “Continuaremos avaliando formatos inovadores, mas só retornaremos quando pudermos casar design e entrega de valor”. Em outras palavras, não conte com um sucessor antes de 2027. Até lá, quem busca características de portabilidade extrema pode considerar alternativas como o Galaxy Z Flip, enquanto quem prefere multitarefa em tela grande deve olhar para tablets Android com teclado destacável.
Por ora, a pausa nos projetos Edge e Trifold reforça uma lição do mercado: não basta ser diferente; é preciso ser melhor no que importa para o dia a dia.
Com informações de Mundo Conectado