Uma investigação independente levanta um alerta vermelho para quem pensa em adotar os óculos inteligentes Ray-Ban Meta como próximo gadget do dia a dia. De acordo com reportagens dos jornais suecos Svenska Dagbladet e Göteborgs-Posten, funcionários de uma empresa terceirizada pela Meta no Quênia tiveram acesso a imagens altamente sensíveis – incluindo cenas de nudez, relações sexuais e uso do banheiro – capturadas inadvertidamente pelos wearables.
O que aconteceu de fato?
Mais de 30 colaboradores da Sama, companhia responsável por anotar e rotular dados que alimentam os sistemas de inteligência artificial da Meta, relataram receber um fluxo constante de clipes feitos com os óculos. Entre os exemplos descritos estão:
- Usuários deixando o acessório na mesa de cabeceira antes de sair, permitindo que o dispositivo filme o parceiro se trocando.
- Cartões de crédito sendo exibidos sem que o dono percebesse.
- Pessoas assistindo a conteúdo adulto ou mantendo relações íntimas enquanto a câmera permanecia ativa.
Embora a Meta confirme que parte do conteúdo é compartilhada com prestadores de serviço “para melhorar a experiência de IA”, a empresa alega realizar filtros automáticos – como desfoque facial – para proteger a privacidade. A apuração dos repórteres, porém, indica que esse filtro falha em impedir a chegada de material íntimo às telas dos anotadores.
Como os Ray-Ban Meta coletam dados?
Lançados em parceria com a Luxottica, os óculos trazem câmera de 12 MP, microfones direcionais e integração nativa com o Meta AI. Sempre que o usuário diz “Hey Meta”, uma luz LED se acende para indicar gravação – mas a investigação sugere que muitos consumidores não entendem o significado do indicador.
Segundo a política oficial, fotos, vídeos, transcrições e áudios são enviados automaticamente à nuvem da empresa se o recurso de IA estiver ativado ou se o usuário fizer upload para Facebook ou Instagram. Já transmissões ao vivo são salvas por padrão nos servidores da Meta.
Quais as consequências já visíveis?
O relatório desencadeou reações imediatas:
- Reino Unido: o Information Commissioner’s Office (ICO) enviou uma carta formal pedindo explicações sobre o manuseio dos dados.
- Estados Unidos: uma ação coletiva acusa a Meta e a Luxottica de enganar consumidores ao prometer que o dispositivo seria “controlado por você”.
Impacto para quem busca wearables de realidade aumentada
Se você está de olho em smartglasses para filmar passeios, criar conteúdo ou mesmo turbinar lives no Twitch, a lição é clara: avalie como e onde seus dados são processados. Concorrentes como Xreal Air 2 e TCL Nxtwear S+ operam majoritariamente off-line, exigindo upload manual para nuvem, algo que pode interessar a quem prioriza privacidade.
Imagem: Internet
Por outro lado, recursos poderosos de assistente virtual, tradução em tempo real e transmissão ao vivo – pontos fortes dos Ray-Ban Meta – dependem justamente desse processamento externo. A decisão de compra, portanto, passa a ser um equilíbrio entre conveniência e exposição dos dados pessoais.
O que vem a seguir
Com planos de habilitar reconhecimento facial nos óculos em 2026, segundo o New York Times, a Meta deve enfrentar escrutínio regulatório ainda maior nos próximos anos. Caso o histórico da Cambridge Analytica se repita, podemos ver mudanças significativas de política ou, no mínimo, opções mais claras de consentimento para o usuário final.
Até lá, a recomendação dos especialistas é simples: leia a política de privacidade antes de ligar a câmera – e, se possível, teste o dispositivo em loja para entender exatamente quando a gravação está ativa.
Com informações de Mundo Conectado