Se você pretende atualizar o PC gamer ou trocar de smartphone em 2026, convém preparar o bolso: a escalada da inteligência artificial empurrou o preço das memórias para o alto, com reajustes de até 50 % nos últimos meses de 2025. Enquanto consumidores reclamam, a Samsung comemora — a sul-coreana viu suas ações dobrarem de valor em um ano e garantiu contratos bilionários para abastecer as GPUs da NVIDIA com os cobiçados chips HBM3E e HBM4.
Preço da RAM dispara em 2025 e pressiona o mercado de PCs e celulares
A demanda por grandes volumes de dados gerados por redes neurais fez os datacenters puxarem o freio de mão do varejo. Segundo analistas de mercado, o consumo de memória de alta largura de banda (HBM) e DDR5 cresceu entre 40 % e 50 % apenas no último trimestre de 2025. O resultado foi uma inflação generalizada de chips, fenômeno que já ganhou até apelido: chipflation.
Para o usuário final, isso significa kits DDR5 mais salgados — há modelos na Amazon que custavam cerca de R$ 650 em meados de 2024 e agora beiram R$ 1.000. Nos smartphones, especialistas estimam que o componente pode adicionar de US$ 30 a US$ 50 (cerca de R$ 300-500) ao custo de produção de cada aparelho em 2026.
HBM3E e HBM4: o novo petróleo da IA
Diferentemente da memória DDR tradicional, a HBM empilha múltiplas camadas de silício, entregando largura de banda que ultrapassa 1 TB/s em um único pacote — essencial para treinar e executar modelos gigantes como GPT-5, Gemini Ultra e afins. A Samsung saiu na frente ao iniciar produção em massa das gerações HBM3E e HBM4, hoje indicadas como padrão para as GPUs NVIDIA Blackwell e sucessoras.
Para comparação, a GDDR6 encontrada em placas de vídeo gamer topo de linha oscila entre 384 e 700 GB/s de banda; já a HBM4 deve superar 1,2 TB/s por empilhamento. Em termos práticos, isso significa servidores capazes de treinar IA mais rápido, consumir menos energia e gerar respostas em tempo recorde.
Ações da Samsung saltam 200 % em 12 meses
Em janeiro de 2025, o mercado receava que a empresa não acompanhasse gigantes como NVIDIA e TSMC no ritmo da IA. Para recuperar a confiança, a Samsung iniciou um agressivo programa de recompra de ações avaliado em 10 trilhões de wons (aprox. US$ 7,5 bi). A estratégia, somada ao boom de pedidos de HBM, fez o papel subir quase 200 % e alcançar máxima histórica em janeiro de 2026.
Fábrica de 2 nm no Texas garante contratos militares e governamentais
No segundo semestre de 2026, a companhia inaugura a planta de Taylor, Texas, elevando para US$ 47 bi o investimento total nos Estados Unidos. Produzir chips de 2 nm e 4 nm em solo americano coloca a Samsung em posição privilegiada para fechar acordos estratégicos com o governo norte-americano, que busca reduzir a dependência de semicondutores asiáticos.
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Divisão de chips prioriza servidores e deixa celulares em segundo plano
Relatórios internos apontam que a Samsung Semiconductor rejeitou um contrato de longo prazo com a própria divisão Mobile, que queria fixar valores para as memórias dos smartphones Galaxy 2026. O motivo é simples: os datacenters pagam mais e à vista, garantindo margens maiores. Resultado: a unidade de celulares negociará preços trimestre a trimestre, repassando parte do aumento ao consumidor final.
O que isso muda para quem monta PC ou faz upgrade em 2026?
- Kits DDR5 tendem a ficar instáveis de preço: quem encontrar ofertas abaixo da média histórica pode se antecipar antes de novos reajustes.
- Placas-mãe compatíveis (AM5, LGA 1700/1851) seguem fundamentais para aproveitar frequências mais altas; fique de olho no suporte oficial do fabricante.
- Placas de vídeo baseadas em HBM continuam restritas a servidores, mas a tecnologia deve influenciar o custo das GPUs gamer topo de linha.
- Smartphones premium podem ficar mais caros mesmo sem grandes saltos de performance, já que a memória responde por uma fatia maior da conta.
Na prática, a melhor estratégia para entusiastas é acompanhar estoques e promoções relâmpago — sobretudo em períodos como Prime Day e Black Friday, quando varejistas costumam absorver parte do aumento para girar inventário.
No curto prazo, a Samsung lidera a maré favorável, mas o impacto se espalha por toda a cadeia: se você monta PCs, planeje os upgrades com antecedência; se fabrica produtos finais, repense margens; se é investidor, a HBM pode continuar sendo o “novo ouro” dos semicondutores em 2026.
Com informações de Mundo Conectado