A Samsung é onipresente: dos monitores 4K que dominam os setups gamer às memórias DDR5 que aceleram servidores na nuvem, a marca sul-coreana fornece peças-chave para quase tudo que liga na tomada. Mas pouca gente sabe que, antes de disputar espaço com Apple, Intel e TSMC, o conglomerado nasceu em 1938 como uma simples exportadora de peixes secos. Entender essa virada de mesa explica por que o logotipo de três estrelas virou sinônimo de inovação, confiabilidade e, claro, referência quando você procura um novo SSD ou um smartphone dobrável.
Três estrelas que miravam o topo
O nome “Samsung” combina as palavras coreanas Sam (três) e Sung (estrelas). Para o fundador Lee Byung-chul, o número três simbolizava algo “grande, poderoso e eterno”. A ambição não era exagero: ao longo das décadas, a empresa usou essa mentalidade para saltar de produtos básicos — farinha e verduras — para dominar linhas de produção de TVs, lavarroupas e, hoje, semicondutores de ponta.
Do arroz às TVs em preto e branco
A guinada para a eletrônica começou apenas em 1969, quando a Samsung lançou sua primeira divisão de TVs. O modelo ainda era em preto e branco, mas abriu caminho para pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) na década seguinte. A decisão coincidiu com uma Coreia do Sul que apostava tudo em ciência e exportação de tecnologia, criando o terreno perfeito para o surgimento de um chaebol (“conglomerado familiar”) de peso.
Década de 80: chips na veia
Enquanto marcas ocidentais focavam em produtos de consumo, a Samsung dedicou bilhões de dólares ao nascente segmento de semicondutores. Em 1983, produziu seu primeiro chip de 64 KB DRAM — a semente do império que hoje fabrica módulos LPDDR5X que equipam desde smartphones top de linha até placas de vídeo com IA generativa. O domínio no silício permite à empresa controlar preços e especificações, diferencial que pesa muito na hora de você escolher um notebook, um smartphone gamer ou até aquele SSD NVMe para reduzir o tempo de loading.
Anos 90: design e qualidade na mira da Apple
Nos anos 1990, Lee Kun-hee — filho do fundador — iniciou a famosa estratégia “Quality First”. O slogan era claro: se não pudesse vencer em preço, a Samsung seria inquestionável em qualidade. Resultados rápidos vieram com o lançamento das primeiras TVs LCD e a ascensão à liderança mundial na produção de telas TFT. Esse foco em design preparou o palco para a linha Galaxy, lançada em 2009, que se tornou rival direta do iPhone e referência em fotografia móvel.
Ecossistema Galaxy: muito além do celular
Hoje, quando falamos em Samsung, pensamos logo em smartphones dobráveis ou na câmera de 200 MP do Galaxy S. Mas a estratégia da empresa é muito mais ampla:
- Tablets e notebooks: a série Galaxy Tab e os ultrafinos Galaxy Book competem com iPad Pro e MacBook Air, apostando em telas AMOLED e integração total via Windows 11 + Android.
- Wearables: os Galaxy Watch 6 trazem ECG, medidor de pressão arterial e bateria que dura até 40 horas; um combo atraente para quem faz crossfit ou maratona séries.
- Áudio: os fones Galaxy Buds 2 Pro entregam som 24-bit e cancelamento de ruído que chega a 30 dB — competindo de frente com AirPods Pro 2.
- Casa conectada: geladeiras Bespoke com painel touch e as máquinas de lavar AI Ecobubble se integram ao hub SmartThings, permitindo controlar temperatura e ciclos pelo celular.
Para o leitor que monta um setup de trabalho ou lazer, esse ecossistema facilita sincronizar arquivos via Quick Share, atender ligações do celular no notebook ou usar o tablet como second screen.
Semicondutores: espinha dorsal da era da IA
Alcançar valor de mercado de US$ 1,2 trilhão (maio/2026) não veio apenas dos Galaxy dobráveis. A principal alavanca foi a demanda por chips HBM3E e módulos DDR5, essenciais para treinar modelos de linguagem, renderizar gráficos em Ray Tracing e alimentar data centers hyperscale. Enquanto a TSMC lidera na litografia de 3 nm, a Samsung aposta no processo Gate-All-Around (GAAFET) de 2 nm, previsto para 2027, que promete ganhos de eficiência de até 30% — algo que deve baratear futuras GPUs e consoles.
Imagem: Vitor Pádua
Quem manda na Samsung hoje?
O controle continua com a família Lee. O atual presidente executivo, Lee Jae-yong, neto do fundador, divide a operação com co-CEOs que tocam divisões específicas: dispositivos móveis, semicondutores e consumer electronics. Essa governança híbrida — familiar + acionistas institucionais — garante decisões rápidas sem abrir mão da transparência exigida por investidores globais.
Concorrência acirrada em todos os frontes
Se na telefonia o duelo é direto com Apple, em TVs a briga é com LG e, no segmento de custo-benefício, a ameaça vem de Xiaomi, Realme e Motorola. Já nos semicondutores, a Intel corre para recuperar terreno em Foundry, enquanto a TSMC é parceira e, ao mesmo tempo, rival. Essa multiplicidade de arenas obriga a Samsung a lançar produtos em ciclos muito curtos — ótimo para o consumidor que vê telas OLED caírem de preço e SSDs Gen 4 baterem recordes de leitura.
O que a jornada da Samsung ensina ao entusiasta de hardware?
• Velocidade de inovação: esperar mais de 12 meses para trocar de celular ou GPU significa pular uma ou duas gerações de melhorias — especialmente em câmera e eficiência energética.
• Ecossistema integrado: a sinergia entre celular, TV e eletrodoméstico reduz fricções no dia a dia; um ponto a considerar se você pretende automatizar a casa.
• Chips proprietários: ao controlar do wafer ao produto final, a Samsung entrega updates de segurança por mais tempo (agora são sete anos de Android) e otimiza drivers para games — algo que pesa no multiplayer competitivo.
Em suma, a Samsung saiu de caixas de peixe seco para se tornar a força por trás do display do seu notebook, do SSD que carrega seus games em segundos e do smartwatch que monitora seu sono. Entender essa evolução ajuda você a escolher melhor o próximo upgrade — seja um monitor ultrawide OLED ou um smartphone que dobra e cabe no bolso.
Com informações de Tecnoblog