A Valve, dona da plataforma Steam, acaba de receber um duro golpe na Justiça britânica. O Tribunal de Recurso da Concorrência (CAT), em Londres, negou o pedido da empresa para barrar uma ação coletiva estimada em £656 milhões — cerca de R$ 5,4 bilhões. O processo, que representa 14 milhões de jogadores no Reino Unido, acusa a gigante de abuso de posição dominante, manutenção de preços artificialmente altos e restrição de ofertas em outras lojas digitais.
Por que a Valve está no banco dos réus?
A ação é liderada pela ativista digital Vicki Shotbolt e ataca dois pontos centrais do modelo de negócios da Steam:
1. Paridade de preços: segundo a acusação, contratos de distribuição impedem que publishers ofereçam valores menores em plataformas concorrentes, travando possíveis descontos que beneficiariam o consumidor.
2. Trava de DLC: quem compra o jogo base na Steam seria forçado a adquirir também as expansões (DLCs) ali, permanecendo “preso” ao ecossistema — mesmo quando promoções mais agressivas surgem em lojas como GOG ou Epic Games Store.
O polêmico “imposto” de 30%
O coração da disputa é a comissão de 30% cobrada pela Valve sobre cada cópia vendida. Para efeito de comparação, a Epic Games Store retém apenas 12%. Em um jogo de US$ 60, isso significa US$ 10,80 a mais por unidade na Steam. A diferença poderia virar desconto direto — ou sobra de orçamento para quem quer turbinar o setup com um mouse de alta precisão ou até aquela GPU tão desejada.
Impacto potencial no bolso do gamer
Se a Justiça obrigar a Valve a reduzir taxas ou flexibilizar contratos, os efeitos podem ser sentidos em dois extremos:
- Jogos mais baratos — maior competição entre lojas digitais aumenta a chance de bundles e promoções relâmpago.
- Orçamento realocado — gastando menos em títulos AAA, sobra caixa para investir em periféricos, SSDs NVMe ou mesmo em um processador de última geração. Em outras palavras, uma economia na Steam pode acelerar aquele upgrade que anda na lista de desejos.
Não é só no Reino Unido: o cerco se fecha em vários países
Nos Estados Unidos, a Valve encara ações parecidas, como o caso Wolfire Games, que ganhou status de class action em dezembro de 2024. Se derrotas se acumularem em diferentes jurisdições, a companhia pode ser forçada a rever sua política global de repasses — algo que abalaria a economia de jogos no PC tal qual conhecemos.
Imagem: William R
O que muda para quem monta ou atualiza o PC?
A expectativa é simples: redução de custos em software abre caminho para investimento em hardware. Um corte de 10% a 20% no preço médio dos lançamentos AAA significa algumas centenas de reais economizados por ano — valor suficiente para migrar para um teclado mecânico premium, aumentar a RAM ou até flertar com uma nova placa de vídeo.
Além disso, a menor barreira de entrada para desenvolvedores pode diversificar catálogos, impulsionando títulos otimizados para tecnologias como ray tracing, FSR e DLSS. Ou seja, quem já tiver uma GPU compatível verá benefícios imediatos.
No curto prazo, nada muda: a Valve ainda pode recorrer e o processo deve se arrastar. Mas, se a maré virar contra a Steam, players e publishers poderão experimentar um novo equilíbrio de forças — e o seu bolso, bem como o seu setup, podem sair ganhando.
Com informações de Hardware.com.br