Fim do suspense (pelo menos por enquanto). O TikTok assinou um acordo para transferir suas operações nos Estados Unidos a uma nova empresa chamada TikTok USDS Joint Venture LLC, controlada majoritariamente por capital norte-americano. O movimento mantém o aplicativo vivo para os mais de 170 milhões de usuários do país e afasta o fantasma do banimento decretado por Washington.
O que muda na prática?
• Controle acionário: 50% das ações ficarão com Oracle, Silver Lake e MGX. A ByteDance, dona chinesa do TikTok, terá apenas 19,9%, limite que impede a classificação de “empresa estrangeira controladora”.
• Prazo para a virada: a nova estrutura precisa estar totalmente operacional até 22 de janeiro de 2026.
• Dados em solo americano: a Oracle ficará responsável por armazenar e proteger todas as informações dos usuários nos EUA.
• Código-fonte: continua sendo propriedade da ByteDance, mas licenciado para a joint venture, garantindo a célebre recomendação de vídeos que prende o público por cerca de 52 minutos diários.
Por que a venda era inevitável?
Em abril, o presidente Joe Biden sancionou uma lei que obrigava a ByteDance a vender ao menos 80% de seus ativos americanos ou ver o app banido das lojas de aplicativos. O texto foi apoiado tanto por democratas quanto por republicanos, preocupados com:
- Privacidade infantil – coleta de dados de menores de idade;
- Influência estrangeira – risco de propaganda estatal chinesa no feed;
- Segurança nacional – possibilidade de compartilhamento de dados sensíveis.
O prazo para o desinvestimento foi prorrogado algumas vezes, inclusive por ordem executiva de Donald Trump, mas 2026 virou a data derradeira.
Impacto para criadores e marcas
• Estabilidade regulatória: a definição do novo “dono” deve aumentar a confiança de anunciantes, que geraram 77% dos US$ 23 bilhões de receita global do TikTok em 2024.
• Publicidade e e-commerce: ainda não está 100% claro como ficarão os negócios de TikTok Ads e TikTok Shop, mas a expectativa é de continuidade, já que eles são a principal fonte de faturamento.
• Ferramentas para creators: com a Oracle garantindo compliance local, a tendência é que novos recursos de monetização — lives comerciais, afiliados e até integração com marketplaces como a Amazon — avancem sem o risco de travas governamentais.
Comparação rápida com o cenário de 2020
Quando Donald Trump tentou forçar uma venda emergencial, o comprador seria o combo Oracle + Walmart, e a participação chinesa ficaria em torno de 20%. O negócio não foi para frente por falta de aval de Pequim. Em 2024, o formato sofreu pequeno ajuste, mas manteve o espírito: controle de dados em solo americano, participação minoritária da ByteDance e gestão independente.
E a autorização da China?
O Ministério do Comércio chinês sinalizou abertura para diálogo, mas ainda não cravou a liberação. Como o algoritmo de recomendação é considerado “tecnologia sensível”, Pequim terá de emitir uma licença de exportação — e essa pode ser a última peça do quebra-cabeça.
Imagem: Internet
O TikTok em números
• Usuários globais: 1,59 bilhão (jan/2025).
• Base americana: 135,79 milhões de contas ativas.
• Faixa etária dominante: 18–34 anos (71% do total).
• Tempo médio no app (EUA): 52 minutos/dia — acima de YouTube e Instagram.
Próximos passos
Nas próximas semanas, espera-se a formação oficial do conselho de administração da TikTok USDS LLC, a migração física dos servidores para centros de dados da Oracle e diretrizes claras sobre publicidade e compras in-app. Até lá, para o usuário comum, nada muda: os vídeos continuam rodando, os desafios de dança seguem virais e as oportunidades para criadores e marcas permanecem em alta.
Se você produz conteúdo ou investe em anúncios digitais, vale acompanhar de perto. A estabilidade jurídica pode transformar o TikTok num canal ainda mais atrativo — principalmente para quem já vende gadgets, periféricos gamer ou eletrônicos na Amazon e quer ampliar o alcance.
Com informações de Mundo Conectado