Baixar um navegador “turbinado” com inteligência artificial parece tentador: respostas instantâneas, resumos de páginas e até comandos automatizados. Mas antes de abandonar o Chrome, o Edge ou o Safari, vale a pena olhar com lupa o que está por trás dessas promessas. Testes independentes de universidades europeias e relatórios de segurança apontam que boa parte dos browsers com IA esconde riscos que vão da coleta de dados bancários até quedas bruscas de FPS em jogos.
1. Coleta agressiva de dados sensíveis
Pesquisadores do Reino Unido e da Itália analisaram 10 navegadores com IA — entre eles ChatGPT, Copilot e Atlas — e descobriram que praticamente todos, com exceção do Perplexity AI, registravam dados acadêmicos, médicos e bancários. Além disso, esses dados alimentavam perfis comportamentais para melhorar (ou vender) serviços de IA.
2. Políticas de privacidade confusas (ou inexistentes)
O Stanford Report constatou que a documentação de privacidade dos principais desenvolvedores de IA é prolixa, técnica e, muitas vezes, contraditória. Em alguns casos, não há opção de opt-out. Ou seja: você entrega o pacote completo de informações sem sequer perceber.
3. Treinamento de IA com dados de crianças
No mesmo estudo de Stanford, Jennifer King e sua equipe encontraram registros de empresas que mantêm dados por períodos indefinidos e os reutilizam para treinar modelos, inclusive dados de menores de idade. Isso fere legislações como a GDPR europeia e a LGPD brasileira.
4. Ações não autorizadas em seu nome
Navegadores como Atlas prometem “executar tarefas automaticamente”. Conveniente? Sim. Seguro? Nem tanto. Se a IA receber um comando malicioso enquanto você está logado no internet banking, ela pode executar a rotina inteira sem que você perceba — desde clicar em links suspeitos até confirmar transações.
5. Porta de entrada para malware
Em um experimento da Infosecurity Magazine, pesquisadores enganaram o navegador Comet enviando um e-mail falso de exames de sangue. A IA completou o CAPTCHA, baixou o arquivo e instalou o vírus. O usuário não precisou clicar em nada.
6. Vazamento de senhas e cartões salvos
Deixar senhas gravadas no navegador já é arriscado; com IA integrada, o perigo cresce. A ferramenta pode ser induzida a preencher campos em sites fraudulentos ou a realizar compras indesejadas, explorando as credenciais armazenadas.
Imagem: Mentor
7. Venda de perfis para publicidade dirigida
Levantamento da Surfshark revela que 1 em cada 3 big techs de IA compartilha seus dados com terceiros. Resultado: anúncios ainda mais invasivos e direcionados, baseados nas conversas que você teve com o assistente.
8. Consumo extra de CPU e RAM — e o impacto nos seus jogos
Modelos de linguagem precisam de poder de fogo para rodar localmente. Na prática, isso significa picos de uso de CPU e memória. Quando a Mozilla liberou a versão 141 do Firefox com IA experimental, usuários reportaram travamentos e stuttering em jogos competitivos. Se você investiu em uma NVIDIA GeForce RTX 4060 ou em um AMD Ryzen 7 7800X3D, não faz sentido perder desempenho por um navegador ganancioso.
Existe alternativa segura?
Se você quer recursos de IA sem abrir mão de privacidade, opte por extensões independentes com código aberto ou por navegadores que permitam desativar totalmente a coleta. E lembre-se: um bom teclado mecânico ou mouse gamer não compensa conexões inseguras — invista também em um gerenciador de senhas e em antivírus de reputação sólida.
Em resumo, navegadores baseados em IA ainda estão em fase de amadurecimento. Até que as empresas tornem suas práticas de segurança e privacidade mais transparentes, o caminho mais sensato é manter seu browser tradicional atualizado, instalar extensões com parcimônia e, claro, ficar de olho no uso de recursos para que o seu setup — seja ele um notebook intermediário ou um desktop com placa de vídeo de última geração — entregue todo o desempenho pelo qual você pagou.
Com informações de Olhar Digital