Será que os discos Blu-ray estão mesmo com os dias contados no console da Sony? A notícia de que, a partir de janeiro de 2028, todos os novos títulos para PlayStation serão vendidos apenas por download provocou a reação imediata de lojistas, colecionadores e jogadores que valorizam a boa e velha “caixinha” na estante. O caso ganhou um capítulo inédito nesta semana: Jade Pearce, CEO da rede canadense PNP Games, abriu um abaixo-assinado online pedindo que a Sony reveja a decisão. O movimento já superou 180 mil assinaturas e continua crescendo.
Por que a bronca é tão grande?
Pearce argumenta que os jogos físicos sustentam uma cadeia inteira de empregos: varejo especializado, distribuidores, fabricantes de mídias, empresas de logística, além do mercado de usados e da comunidade de preservação de games. “Não somos contra o digital. Somos contra o digital ser a única opção”, resume o executivo na descrição do manifesto.
Na prática, deixar de produzir discos significa que lojas independentes — muitas das quais ainda sobrevivem graças à venda de mídia física e à troca de jogos usados — podem simplesmente desaparecer. Para o consumidor final, a mudança também tem impacto direto:
- Fim da revenda ou troca de jogos após zerar a campanha;
- Dependência total de conexão à internet para baixar títulos que, atualmente, já ultrapassam 100 GB;
- Risco maior de perder acesso caso a conta seja banida ou a loja digital feche (o que já aconteceu com o PS3 e o PS Vita);
- Redução no valor colecionável — edições de colecionador passam a ser, na prática, “caixas vazias” com códigos de resgate.
O cenário competitivo: Xbox e Nintendo vão pelo mesmo caminho?
Até o momento, a Microsoft mantém versões do Xbox Series X com leitor de disco, embora rumores de um Series X totalmente digital circulem desde 2023. A Nintendo, por sua vez, ainda usa cartuchos proprietários no Switch e planeja repetir a estratégia no sucessor do console. Em outras palavras, a Sony se arrisca a ser a primeira gigante a decretar oficialmente o fim da mídia física, o que explica a mobilização de fãs.
O que isso significa para quem joga — e para o seu bolso
Se você pretende montar ou atualizar seu setup, é bom considerar que o armazenamento interno vai virar protagonista. Com lançamentos como Horizon Forbidden West e Final Fantasy VII Rebirth beirando 150 GB, um SSD NVMe PCIe 4.0 de 2 TB (como o Samsung 990 Pro ou o WD_Black SN850X, ambos vendidos na Amazon) pode sair mais barato do que colecionar versões digitais que rapidamente esgotam o espaço do PS5.
Além disso, headsets e roteadores Wi-Fi 6/6E ganham relevância: downloads mais pesados exigem conexões mais estáveis. Modelos como o roteador TP-Link Archer AX73 ou o Asus RT-AX86U, por exemplo, já aparecem entre os campeões de vendas porque entregam velocidades que evitam “engarrafamentos” na hora de baixar aquele patch de 50 GB.
Imagem: Thássius Veloso
Existe chance de a Sony voltar atrás?
Historicamente, a empresa costuma manter o plano mesmo diante de críticas — vide o aumento de preço do PS Plus em 2023. Porém, a reação de figuras influentes, como Hideo Kojima, que também se manifestou contra o fim do formato físico, adiciona pressão pública. Se o abaixo-assinado ultrapassar a marca simbólica de 500 mil assinaturas, pode se tornar o maior já direcionado à divisão PlayStation.
No curto prazo, nada muda: os discos continuam nas prateleiras e nas vitrines virtuais da Amazon. Mas, se você é do time que prefere ter a mídia na mão — seja pela revenda, pela nostalgia ou simplesmente para guardar na coleção —, vale ficar de olho nos bundles e edições especiais que ainda estão chegando em 2024 e 2025. Elas podem se transformar em itens de colecionador bem mais rápido do que você imagina.
Com informações de Tecnoblog