Imagine derrubar um drone invasor com algo tão simples quanto uma corrente de 70 gramas. Foi exatamente isso que engenheiros do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), na Alemanha, demonstraram em um estudo que já virou assunto entre fabricantes de defesa e entusiastas de eletrônica DIY. Em vez de lasers multimilionários ou canhões de radiofrequência, o grupo propõe um lançador portátil calibre 40 mm capaz de disparar correntes metálicas a 80 m/s (aprox. 288 km/h), travando instantaneamente as hélices de quadricópteros.
Como funciona o “chicote” voador
A inspiração vem de uma tecnologia ancestral: a boleadeira usada por vaqueiros sul-americanos. No protótipo alemão, as cordas viram elos de aço de 3 a 4 mm conectados entre si. Quando a corrente toca o drone, o momento angular a faz se enrolar cada vez mais apertado — um verdadeiro chicote rotativo que trava os rotores e derruba a aeronave em poucos milissegundos.
Ficha técnica resumida
- Calibre do lançador: 40 mm
- Peso do projétil: 70 g
- Comprimento da corrente: 2 000 mm
- Velocidade de saída: 80 m/s (288 km/h)
- Alvo de teste: drone de 1 kg
- Software de simulação: Abaqus
Correntes vs. lasers: por que escolher o caminho “low-tech”
Hoje, Reino Unido e Alemanha investem em lasers de 20 a 50 kW que literalmente carbonizam drones. O problema? Cada disparo exige baterias robustas, sistemas ópticos caros e manutenção especializada. O protótipo do KIT, por outro lado, cabe em um lançador portátil e usa munição que beira o custo de sucata metálica. A desvantagem óbvia é o alcance: assim como uma espingarda, ele funciona apenas a curta distância, mas é ideal como última linha de defesa em aeroportos, estádios ou usinas.
Testes reais e próximos passos
Para sair do papel, a equipe de H. Moldenhauer e Claus Mattheck realizou disparos no centro balístico de Sternenfels. Os ensaios começaram com catapultas — suficientes para comprovar que a corrente envolve hélices com facilidade — e agora avançam para munição de fogo real. O próximo desafio é refinar o modelo aerodinâmico, incorporando a resistência do ar e o vórtice formado na boca do tubo.
O que isso significa para quem voa (ou precisa se proteger)
Segundo autoridades alemãs, só em 2025 ocorreram mais de mil sobrevoos suspeitos de drones sobre instalações sensíveis. No Brasil, o Aeroporto de Guarulhos precisou fechar por quase duas horas após avistamentos semelhantes. Para administradores de infraestrutura, uma solução portátil, barata e mecânica pode ser a diferença entre um pouso seguro e o fechamento de uma pista movimentada.
Imagem: Internet
Mercado em ebulição
A proposta do KIT entra em um cenário já povoado por canhões de RF, drones interceptadores equipados com redes e sistemas antiaéreos totalmente automatizados. Na prática, especialistas apontam que o futuro da defesa antidrone será híbrido: eletrônico para longas distâncias e mecânico em curta proximidade.
Embora ainda seja um protótipo, a ideia de neutralizar drones com correntes baratas reforça a busca por soluções custo-efetivas em um mercado dominado por tecnologias de alto investimento. Se o KIT conseguir validar o lançador em campo, poderemos ver forças policiais e empresas de segurança adicionando o equipamento ao arsenal — tão simples quanto um colete balístico e potencialmente tão indispensável.
Com informações de Mundo Conectado