Se você aproveita promoções em lojas estrangeiras para garantir aquele mouse gamer ou fone de ouvido bluetooth por menos de US$ 50, vale acender o alerta no calendário: a partir de 2027, esse ticket médio voltará a sofrer taxação federal no Brasil. A cobrança virá embutida na Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), novo tributo criado pela reforma tributária que unifica impostos e adota o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
O que muda na prática?
Hoje, compras de até US$ 50 estão isentas do Imposto de Importação, pagando apenas o ICMS estadual (17%-20%). Com a CBS, a alíquota federal — ainda em definição pela Receita Federal e pelo TCU — será aplicada integralmente sobre o valor do produto mais frete e seguro. A estimativa inicial girava em torno de 8,8%, mas exceções podem elevar esse percentual.
Na vida real, um teclado mecânico de US$ 49,90 que hoje sai por algo em torno de R$ 330 (incluindo ICMS e câmbio) pode chegar perto de R$ 360-380 com a nova alíquota. Em produtos mais caros, a diferença fica ainda mais sensível.
Entenda o novo tributo
A CBS faz dupla com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substitui ISS e ICMS. Juntos, eles compõem a base da reforma tributária focada no consumo. Até dezembro deste ano, governo e órgãos de controle devem bater o martelo sobre:
- Alíquota cheia da CBS para encomendas internacionais;
- Possíveis faixas diferenciadas para categorias essenciais;
- Regra de transição para marketplaces já cadastrados no programa Remessa Conforme.
Por que a polêmica reacende?
Varejistas nacionais, reunidos no Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), defendem a equiparação tributária. Eles argumentam que a antiga isenção criava “concorrência desleal”, pressionando lojas físicas e e-commerces brasileiros — inclusive aqueles que vendem oficialmente placas de vídeo, CPUs e periféricos gamer.
Na outra ponta, plataformas como AliExpress, Shein e Shopee sustentam que a taxação eleva custos para consumidores de baixa renda e restringe o acesso a itens que, muitas vezes, não encontram fabricação local.
Impacto para quem curte tecnologia
• Periféricos leves (mouses, teclados compactos, webcams) costumam ficar abaixo dos US$ 50. A CBS pode adicionar cerca de R$ 20-40 ao valor final, dependendo do câmbio.
• Acessórios de PC e consoles (memórias RAM, SSDs externos, controles) frequentam a faixa de US$ 40-70. Quem pagar acima do limite já arca hoje com 20% de Imposto de Importação; a partir de 2027, pagará a nova CBS também.
• Placas de vídeo de entrada ou CPUs básicos raramente custam menos de US$ 50, mas a combinação de impostos tende a ficar mais alta para toda a cadeia. Produtos vendidos oficialmente no Brasil — como as linhas da Amazon que já chegam com nota fiscal e garantia local — ganham competitividade.
Vale ainda importar pequenos gadgets?
A resposta passa por três variáveis: custo total, garantia e prazo. Com a CBS, o “custo Brasil” sobre itens baratos diminui a diferença em relação a ofertas nacionais. Se a economia cair para menos de 10%, pode deixar de compensar, sobretudo em produtos com alto índice de defeito (baterias, fones TWS, fontes de alimentação).
Imagem: Internet
Por outro lado, importação segue atrativa para acessórios de nicho que não têm similar no país, como keycaps customizados, hubs Thunderbolt ou microcontroladores específicos. Nestes casos, mesmo com novos tributos, o consumidor paga pela exclusividade — e precisa ter clareza sobre possíveis cobranças extras.
Próximos passos
O governo deve publicar a alíquota definitiva até dezembro. Depois disso, marketplaces terão de se adequar aos novos recolhimentos em 2027, mantendo o tracking e a declaração prévia exigidos pelo Remessa Conforme. Até lá, quem costuma garimpar dispositivos tecnológicos lá fora tem dois anos para planejar compras, comparar com ofertas locais e avaliar o melhor momento de atualizar o setup.
Fato é que, com mais impostos no horizonte, produtos disponíveis em estoque nacional — especialmente aqueles entregues pela Amazon com garantia imediata — podem se tornar ainda mais competitivos. Fique de olho em cupons, fretes gratuitos e promoções sazonais (Prime Day, Black Friday) para equilibrar a balança.
No fim das contas, a volta da tributação federal coloca de novo na mesa a eterna equação entre preço, conveniência e segurança na hora de turbinar seus gadgets.
Com informações de Tecnoblog