Imagine somar o know-how da Samsung em semicondutores, câmeras e IA ao portfólio da Boston Dynamics, responsável por máquinas icônicas como o cão-robô Spot e o humanoide Atlas. É exatamente esse cenário que voltou a circular na imprensa sul-coreana: segundo o Seoul Economic Daily e o Maeil Business Newspaper, a gigante de Seul teria estudado comprar cerca de 10% da fabricante de robôs – justamente a participação que ainda pertence ao grupo japonês SoftBank. Embora a Samsung classifique a informação como “infundada”, o mercado parou para fazer contas.
O que é fato e o que ainda é especulação?
Fato: desde 2021, o controle da Boston Dynamics está nas mãos do conglomerado Hyundai, que detém 56,3% via HMG Global. O presidente do grupo, Chung Euisun, mantém 23% em participação pessoal. Já a SoftBank, antiga dona majoritária, ficou com uma “sobrinha” de cerca de 10% e carrega uma put option (opção de venda) exercível até junho de 2026.
Especulação: analistas de corretoras como a Korea Investment & Securities veem a Samsung como candidata natural a comprar essa fatia, preparando o terreno para um IPO da Boston Dynamics entre 2027 e 2028, possivelmente na Nasdaq. Nada disso foi confirmado pelos envolvidos.
Por que a Samsung estaria interessada?
Robótica é uma das grandes apostas de crescimento da companhia. Em março de 2025, a Samsung assumiu o controle da também sul-coreana Rainbow Robotics, dona do bípe Hubo, elevando sua participação para cerca de 35%. A aquisição originou a divisão Future Robotics, que já trabalha no Ballie – robô doméstico que roda o modelo de IA Gemini, do Google.
Colocar a Boston Dynamics na equação significaria acesso imediato a décadas de P&D em robôs móveis e braços industriais, além de sinergia direta com sensores, baterias e chips Exynos. Para o consumidor final, isso pode acelerar a chegada de robôs capazes de tarefas complexas dentro de casa – imagine um “Spot doméstico” que se integra ao SmartThings e aos seus gadgets com Alexa.
Quanto vale a líder em robôs móveis hoje?
Quando a Hyundai pagou US$ 1,1 bilhão em 2021, muita gente achou caro. Três anos depois, com o novo Atlas 100% elétrico roubando a cena na CES e contratos de logística ganhando tração, bancos de investimento estimam a Boston Dynamics entre US$ 21 bilhões e US$ 28 bilhões. A valorização, contudo, veio à base de caixa: a Hyundai já injetou cerca de US$ 2,25 bilhões e a empresa ainda opera no vermelho.
SoftBank: hora de fazer caixa?
A SoftBank tem direcionado capital para data centers voltados à IA e poderia se desfazer da posição minoritária em robótica para reforçar o caixa. Com a opção de venda até 2026, a pressão por uma saída é real. Se a Samsung topar pagar o prêmio de valuation, o cheque poderia girar entre US$ 2,1 bilhões e US$ 2,8 bilhões pelos 10% – valores que não fariam cócegas nos cofres de uma empresa que lucrou mais de US$ 30 bilhões só em semicondutores em 2024.
Impacto prático: o que muda para seus gadgets e jogos?
1. Casas mais inteligentes: integrar o Ballie à tecnologia de locomoção do Spot permitiria que um robô doméstico mapeasse o ambiente em 3D, cuidasse da segurança e, quem sabe, até substituísse seu aspirador-robô atual.
Imagem: Internet
2. Gaming e periferia: sensores LiDAR, câmeras de profundidade e processadores de bordo desenvolvidos para robôs podem migrar para mouses, teclados e monitores gamers de próxima geração, oferecendo latência zero em rastreamento e feedback háptico avançado.
3. Ecosistema Samsung-Google-OpenAI? Caso a Samsung some hardware da Boston Dynamics ao Gemini e aos chips NPUs Exynos, teremos robôs com IA generativa local, capazes de executar comandos complexos sem depender totalmente da nuvem.
Próximos passos e janela de IPO
Mesmo que a Samsung negue publicamente, nada impede negociações bilaterais em sigilo – algo comum antes de aquisições estratégicas. O mercado trabalha com um roteiro em que:
- Samsung compra a fatia da SoftBank até 2026.
- Google entra em rodada pré-IPO para turbinar integração com Gemini.
- Boston Dynamics abre capital em 2027/28, provavelmente listando na Nasdaq.
Se esse script vingar, a companhia chegaria à bolsa já rentável, pois a produção em escala de robôs para logística deve ganhar fôlego graças ao braço Stretch e à eletrificação do Atlas.
No fim das contas, mesmo que o negócio não ocorra, o rumor reforça o apetite da Samsung por robótica avançada – e isso costuma se traduzir em melhorias tangíveis nos produtos que você encontra no dia a dia, do smartwatch ao seu futuro aspirador inteligente.
Com informações de Mundo Conectado