Antes mesmo de “monitor gamer” virar sinônimo de altas taxas de refresh e painéis IPS, a Samsung lançou uma pequena revolução: o GXTV (GXE-1395). Apresentado em 1997, o televisor CRT de apenas 13 polegadas nasceu para resolver um drama típico da época — disputar a TV da sala com jornal, novela e futebol — e, de quebra, entregar recursos turbinados que ainda fazem brilhar os olhos de quem coleciona hardware retro. Entenda por que essa “TV com portas” continua sendo considerada um dos projetos mais exóticos (e cobiçados) da história dos games.
Uma resposta audaciosa à “guerra do sofá”
Nos anos 90, ter mais de um televisor era luxo. A Samsung enxergou a dor dos adolescentes que brigavam pelo horário nobre e reposicionou o formato de 13″: em vez de TV secundária de cozinha, o GXE-1395 foi vendido de US$ 229 a US$ 299 como “TV pessoal para videogames”. O marketing citava, de cara, compatibilidade com Nintendo 64, PlayStation, Sega Saturn, Super Nintendo e Sega Genesis — basicamente todos os consoles quentes da geração.
Design “transformer” com portas articuladas
O apelido “TV com portas” não é à toa. Duas abas frontais se fecham sobre a tela formando uma cápsula com o logotipo GX em alto-relevo. Ao abrir, além do tubo CRT, o usuário encontra os alto-falantes embutidos nas próprias portas, inclináveis para apontar o som diretamente ao jogador. O resultado é um visual que, ainda hoje, grita “gadget futurista” — perfeito para vitrines de lojas de games da época.
Áudio 2.1 antes de isso ser moda
A ficha técnica surpreende para o tamanho: são dois drivers de 5 W (um em cada porta) reforçados por um subwoofer traseiro de 15 W, conectado a um duto interno que amplifica os graves. Para quem cresceu ouvindo o áudio tímido dos CRTs convencionais, o GXTV soava como um mini-system embutido. Havia ainda o Modo GX, que elevava contraste e nitidez para enfatizar cores e contornos nos jogos.
Entradas que atendiam — e podiam ser turbinadas
Por padrão, a conectividade era simples: duas entradas RCA composto estéreo, dois conectores RF independentes, saída de vídeo em loop e um jack de fone de ouvido frontal. Nada de S-Video ou RGB de fábrica, mas o famoso jungle chip aceitava sinal RGB/Y-C internamente, o que abriu espaço para modificações caseiras que extraíam qualidade extra dos consoles.
Recursos de controle que anteciparam o “controle dos pais”
A Samsung incluiu bloqueio por senha, temporizador para sessões noturnas e uma tela de “baixa emissão” — preocupações raras na época. Hoje, a função lembra opções de bem-estar digital presentes em consoles modernos e até em smart TVs 4K vendidas na Amazon.
Como o GXTV se encaixa no setup gamer atual?
Embora a tela de 13″ pareça minúscula perto de monitores IPS de 27″ e 240 Hz que dominam o mercado, o pacote “display + áudio 2.1 + design icônico” ainda agrada quem joga a curta distância ou busca uma estação retro no quarto. Para quem quer algo moderno com a mesma filosofia “tudo-em-um”, é possível replicar a experiência combinando:
Imagem: William R
- Monitores gamer compactos com taxa de atualização elevada e baixo input lag;
- Soundbars slim ou caixas 2.1 USB que cabem sob a tela;
- Suportes articulados que escondem cabos e deixam o visual limpo — sem precisar fechar portas de plástico, claro.
De curiosidade a peça de colecionador
No Reddit, um entusiasta relatou ter recebido um GXTV “de brinde” ao buscar outros CRTs. A reação comum? Surpresa total com o design e um som que faz a tela parecer maior do que é. O pedestal opcional, dizem, inclina levemente o conjunto — mais um charme vintage. Com poucas unidades sobrevivendo em bom estado, o modelo passou a frequentar canais de YouTube especializados, muitas vezes apelidado de “CRT gamer mais exótico já feito”.
Se você está montando um cantinho retro, vale ficar de olho em leilões e grupos de troca: apesar de raro, o GXTV ainda aparece perdido em porões ou estoques de antigas locadoras. E, enquanto a Samsung não resgata a ideia em versão mini-LED ou OLED, a nostalgia pode ser satisfatoriamente suprida com monitores modernos, placas de captura e caixas de som premium — todos facilmente encontrados no catálogo da Amazon Brasil.
No fim das contas, o GXTV é um lembrete de que, mesmo antes de 4 K, HDR e 120 Hz serem padrão, já existiam produtos pensados exclusivamente para a imersão do gamer. E é justamente essa ousadia que transforma um simples tubo de 13″ em objeto de desejo quase três décadas depois.
Com informações de Hardware.com.br