Um exemplar lacrado e ainda com o selo de fábrica de Fortnite para Xbox One, lançado em 2017, foi vendido por US$ 42.500 (algo em torno de R$ 213 mil na cotação de hoje) em um leilão realizado nos Estados Unidos. O fato estabelece um recorde histórico de preço para o game e reacende o debate sobre o valor das mídias físicas em plena era dos downloads e das lojas digitais.
Por que exatamente essa cópia vale tanto?
Ao contrário do Fortnite que você baixa hoje gratuitamente, o disco arrematado remete à fase em que o jogo era comercializado como campanha cooperativa paga — o modo Save the World. Era, portanto, um título de prateleira convencional, distribuído em quantidades limitadas antes de o fenômeno battle royale explodir e transformar o game em free-to-play.
Para completar, o exemplar obteve nota máxima de preservação em avaliação especializada (escala 10/10+, segundo a certificadora Wata Games). Isso significa que:
- O lacre original está intacto, sem rachaduras ou amassados na caixa;
- Não há sinais de descoloração pelo tempo;
- A edição faz parte de uma tiragem inicial com arte de capa e número de série específicos.
Da prateleira do varejo à categoria “relíquia pop”
É a combinação entre raridade física (poucos discos foram prensados), relevância cultural (o jogo redefiniu o mercado de games as a service) e estado de conservação impecável que impulsiona o preço. Especialistas comparam o feito a cartuchos selados de The Legend of Zelda ou Super Mario Bros. que já ultrapassaram a casa dos US$ 1 milhão, mostrando que até títulos modernos — se tiverem o contexto certo — podem alcançar cifras dignas de veteranos dos anos 80.
Comparativo rápido: custa mais que um PC gamer “top” ou uma RTX 4090
Só para colocar o número em perspectiva, o valor pago pela cópia de Fortnite daria para montar um PC high-end com Intel Core i9, RTX 4090 e monitor 4K de 240 Hz — e ainda sobraria troco. Também equivale a quase 20 unidades do Xbox Series X ou a cerca de 40 controles Elite Series 2 da Microsoft.
A virada para o digital impulsionou o fenômeno
Fortnite foi um dos primeiros jogos a mostrar o quão rápido a indústria pode migrar para o digital: em menos de um ano, a Epic Games abandonou a distribuição em disco e concentrou seus esforços na versão gratuita atualizada por seasons. Esse movimento, somado às prateleiras cada vez menores dedicadas a mídia física, transformou as caixas originais em símbolos de uma geração que está desaparecendo.
Imagem: William R
Oportunidade ou bolha? O que dizem os especialistas em colecionáveis
Profissionais do segmento alertam que o mercado de retro games passa por uma curva de aquecimento semelhante à vista em cards de Pokémon e HQs raras. Ainda assim, a recomendação é avaliar três fatores antes de investir:
- Estado de conservação: Selos e cantos perfeitos são imprescindíveis para valorização.
- Contexto histórico: Edições que marcaram transições de modelo de negócios, como esta de Fortnite, tendem a ganhar peso.
- Liquidez: Nem todo item raro encontra compradores dispostos a pagar valores astronômicos rapidamente.
Se você tem discos de Xbox One ou PlayStation 4 guardados em excelente estado, vale a pena conferir tiragem, versão de capa e eventuais certificações disponíveis. Quem sabe o próximo recorde não esteja esquecido na sua estante?
Com informações de Hardware.com.br