A novela da recuperação judicial da Oi ganhou um capítulo decisivo: a **Método Telecom**, companhia mineira especializada em soluções corporativas, assinou o contrato de compra da unidade de telefonia fixa da operadora carioca por **R$ 60,1 milhões**. Embora o valor pareça modesto diante do tamanho da rede, o acordo tira da Oi um peso financeiro considerável e, ao mesmo tempo, coloca a Método sob os holofotes de um dos segmentos mais complexos das telecomunicações brasileiras.
Por que essa venda é tão importante?
Para a Oi, a transação ajuda a cumprir o plano de recuperação judicial aprovado em 2023, aliviando a pressão de caixa e focando a empresa em serviços de fibra óptica e telefonia móvel. Já para a Método, trata-se de um salto estratégico: a companhia herda uma infraestrutura espalhada pelo país — torres, postes, cabos subterrâneos e a operação completa dos telefones públicos (os famosos orelhões).
Mais do que linhas residenciais, o pacote inclui a **gestão de números de emergência**, como 190 (Polícia Militar), 192 (SAMU) e 193 (Corpo de Bombeiros). Em outras palavras, a nova controladora passa a ser responsável por serviços críticos que não podem ficar fora do ar, o que exige robustez técnica e investimentos contínuos.
Próximos passos: Anatel e Cade na jogada
A assinatura sela a intenção, mas o negócio só será concluído após o sinal verde dos dois principais órgãos regulatórios do setor: a **Anatel** e o **Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)**. A expectativa de mercado é que a análise siga o rito tradicional, avaliando tanto a capacidade técnica da Método quanto eventuais impactos concorrenciais.
Compromissos até 2028: cobertura nas áreas isoladas
Um dos pontos sensíveis do contrato é a obrigação de manter a telefonia fixa ativa em cerca de 7.400 localidades onde a Oi é, hoje, a única prestadora. Esse serviço deve continuar, no mínimo, até dezembro de 2028, garantindo comunicação de voz em regiões remotas que ainda dependem do cobre tradicional ou de enlaces via rádio.
Para o consumidor dessas áreas, a mudança promete ser quase transparente no curto prazo: o número continua o mesmo e as tarifas permanecem reguladas. No médio prazo, porém, a expectativa é de melhorias na qualidade do sinal e na manutenção dos equipamentos, já que a Método planeja usar **inteligência artificial** para otimizar centrais de atendimento e monitorar falhas em tempo real.
Sem dívidas herdadas: alívio para o balanço
Importantíssimo: a aquisição é feita sem transferência de passivos trabalhistas, cíveis ou fiscais. Ou seja, a Método não carrega o histórico de dívidas da Oi, fator que costuma travar investimentos quando uma operadora muda de mãos.
Imagem: Barbara Eckstein
Quem é a Método Telecom?
Fundada em 1991 e sediada em Belo Horizonte (MG), a Método começou oferecendo centrais telefônicas corporativas e hoje atua em comunicação em nuvem, segurança eletrônica e projetos de IoT. Entre os clientes, figuram secretarias estaduais, órgãos federais e prefeituras, além de empresas privadas de médio e grande porte.
Segundo executivos ouvidos pelo mercado, a empresa pretende aproveitar sua expertise em redes convergentes para **modernizar parte da malha legada de cobre para fibra óptica** em regiões economicamente viáveis. Ainda não há cronograma público, mas analistas apontam que a troca de tecnologia pode reduzir custos de manutenção e, de quebra, ofertar banda larga em localidades onde hoje só existe telefonia básica.
Impacto prático para o usuário final
- Continuidade garantida dos serviços 190, 192 e 193, além dos orelhões em ruas e rodovias.
- Possibilidade de **planos de voz mais baratos** ou integrados a pacotes de internet fixa no futuro.
- Melhor manutenção da rede, graças a ferramentas de IA e monitoramento preditivo da nova controladora.
- Potencial chegada de fibra ou 4G fixo em localidades hoje atendidas apenas pelo cobre.
Para a Oi, a venda representa mais uma etapa no enxugamento de operações e na priorização da Oi Fibra, serviço que já soma mais de 4 milhões de clientes. Para a Método, é a chance de se posicionar como player nacional, ampliando o portfólio e reforçando a presença em contratos públicos de alta relevância.
Com informações de Tecnoblog