Instalar um sistema operacional 100% focado em jogos, sem pagar licença e com desempenho próximo ao Windows, deixou de ser sonho distante. A Valve acaba de confirmar que o SteamOS está ganhando suporte oficial para processadores Intel e, em seguida, para placas de vídeo Nvidia. O movimento, que começa na versão 3.8.10 do sistema, pode transformar desde mini-PCs com Intel Core de 14ª geração até desktops parrudos com GPUs GeForce RTX em máquinas prontas para rodar sua biblioteca da Steam.
Por que isso interessa a quem monta PC em 2024?
Hoje, quem investe em um Intel Core i5-14600K ou em uma GeForce RTX 4060 — componentes populares e facilmente encontrados na Amazon Brasil — precisa recorrer ao Windows ou a distribuições Linux convencionais para jogar. Com o avanço do SteamOS, será possível instalar o sistema, ligar o PC e cair direto no modo Gaming, economizando o valor de uma licença e evitando a configuração manual de drivers e de ferramentas como o Proton.
O que já funciona com chips Intel
A atualização 3.8.10 do SteamOS traz um firmware inicial voltado a portáteis e desktops equipados com CPUs Intel. Isso inclui suporte a recursos de eficiência energética dos processadores Alder Lake (12ª gen.) em diante, melhor gerenciamento de threads híbridas e otimizações para gráficos integrados Intel Arc. O objetivo é oferecer desempenho estável em jogos AAA e independentes, algo que hoje depende de ajustes avançados quando o usuário tenta instalar o SteamOS manualmente.
E as placas de vídeo Nvidia?
Segundo Pierre-Loup Griffais, engenheiro da Valve, o trabalho em conjunto com a Nvidia já começou, mas o suporte maduro só deve chegar em 2026. Até lá, a meta é entregar:
- Drivers proprietários integrados ao instalador do SteamOS;
- Compatibilidade com tecnologias populares, como Nvidia DLSS e Reflex;
- Atualizações “over-the-air” diretamente pela interface do sistema, sem terminal.
Na prática, isso significa que donos de RTX 4070 ou até de modelos mais antigos, como a GTX 1660 Super, poderão alternar entre Windows e SteamOS em dual boot com poucos cliques.
SteamOS, Windows 11 ou Ubuntu? Pequeno comparativo
Windows 11 ainda domina em compatibilidade e ferramentas profissionais, mas consome mais recursos do sistema. Já o Ubuntu oferece estabilidade para quem precisa de produtividade, embora exija ajustes finos para jogos. O SteamOS aposta em:
- Interface no estilo console (Gaming Mode) que liga direto na sua biblioteca;
- Desktop Mode baseado no KDE Plasma, para navegar, estudar ou trabalhar;
- Atualizações automáticas de kernel, drivers e Proton, tudo em um só pacote.
Impacto para futuros lançamentos e Steam Machines “faça você mesmo”
A Valve já sinaliza que quer repetir a estratégia do Steam Deck em equipamentos de terceiros. Ao abrir oficialmente o sistema para hardware Intel e Nvidia, ela pavimenta o caminho para pequenos fabricantes — e usuários entusiastas — criarem suas próprias Steam Machines com peças modulares. Imagine montar um barebone Mini-ITX com um Intel Core i3-14100F, colocar 16 GB de RAM DDR5 e encaixar uma RTX 3060 compacta: basta inserir um pendrive com SteamOS, instalar e começar a jogar.
Imagem: divulgação
Vale esperar ou já montar o PC agora?
Se você utiliza GPUs AMD (por exemplo, a Radeon RX 7600) ou precisa apenas de gráficos integrados Intel, o SteamOS 3.8.10 já é teste quase obrigatório. Para quem depende de placas Nvidia topo de linha, o ideal é acompanhar as próximas betas ou manter o dual boot com Windows enquanto o suporte amadurece. De qualquer forma, a tendência é clara: ter uma alternativa gratuita, otimizada e focada em jogos vai aumentar a concorrência — e, possivelmente, baratear o custo total de um PC gamer.
Próximos passos da Valve
Até 2026, a empresa pretende:
- Simplificar o instalador, permitindo particionamento automático para dual boot;
- Liberar ISOs estáveis sem depender da imagem do Steam Deck;
- Aprimorar suporte a Anti-Cheat (VAC) em títulos competitivos populares;
- Expandir parceria com fabricantes para vender PCs pré-montados com SteamOS.
Fique de olho: a cada nova build, a Valve publica notas detalhadas no GitHub do projeto. Se você curte mexer em hardware, vale reservar um SSD NVMe de sobra para testar o sistema — afinal, nada melhor do que rodar seus jogos favoritos sem gastar um centavo a mais em licenças.
Com informações de Tecnoblog