Quase vinte anos depois de assumir o topo do mercado mundial de televisores, a Samsung vê seu reinado estremecer. Dados de remessa de dezembro de 2025 mostram a TCL saltando a 16 % de participação, ultrapassando os 13 % da rival sul-coreana no mesmo mês. Se o ritmo continuar, 2026 pode marcar a primeira troca de coroa em escala global desde 2006. Mas por que isso está acontecendo agora – e, principalmente, o que isso muda para quem sonha com uma TV nova antes da próxima Copa do Mundo? A seguir, destrinchamos os números, as tecnologias envolvidas e as consequências práticas dessa virada.
A virada histórica: Mini LED gigante e estratégia de preço
A TCL vem investindo pesado em painéis Mini LED de grandes polegadas, combinação que agrada a quem busca cinema em casa sem pagar valores estratosféricos. Só em 2025, o portfólio da marca chinesa ganhou mais de dez modelos acima de 75 ″, área que cresceu quase 40 % em volume mundial segundo a DSCC. O resultado explodiu as vendas no varejo dos EUA e da Europa, dois mercados onde antes a Samsung nadava de braçada.
Shipment x Faturamento: nem todo milhão de caixas vale o mesmo
É preciso separar dois indicadores que viraram manchete:
- Volume (shipment): quantas unidades saem das fábricas rumo às lojas. Aqui, a TCL já encostou — e em dezembro passou — a Samsung.
- Faturamento (receita): quanto dinheiro entra. Em 2025, a Samsung abocanhou 30 % de toda a receita global de TVs, apostando em margens altas com linhas 8K, MicroLED e Mini LED RGB.
Em outras palavras, a estratégia da Samsung ecoa a da Apple nos smartphones: vender menos, lucrar mais. Enquanto isso, TCL e Walmart disputam o bolso de quem quer o melhor preço por polegada.
Ranking atualizado das fabricantes
No fechamento de 2025, a tabela de líderes ganhou novos protagonistas:
- TCL – 16 % em dezembro, guiada por telas gigantes e Mini LED.
- Samsung – 13 % no mês, mas 17 % no acumulado do ano graças ao segmento premium.
- Hisense – 12 %, impactada pela retração do mercado chinês.
- LG – destaca-se no OLED, especialmente na América Latina.
- Walmart – 5 % após comprar a Vizio; usa TVs baratas para monetizar anúncios no próprio sistema operacional.
A Xiaomi, que tentou subir o tíquete médio e abandonou modelos de entrada, caiu para a sexta posição.
OLED: rivalidade que vira parceria
No universo OLED, a LG mantém 52 % de participação, mas a Samsung já detém 30 %. O ponto curioso é que, para atender à procura por OLED de entrada, a Samsung passou a comprar painéis da LG Display. Os próprios painéis QD-OLED da Samsung ficam reservados às linhas topo, como a S95, focadas em gamers exigentes e cinéfilos.
Por que isso importa para você?
1. Telas maiores, preços menores: a competição puxa o valor das TVs de 75 ″ para baixo, ótimo para quem quer imersão máxima em jogos do PS5, Xbox Series ou streaming em 4K HDR.
2. Mini LED cada vez mais acessível: contraste próximo ao OLED, mas sem risco de burn-in — ideal para quem deixa a HUD do jogo ou a grade do campeonato horas na tela.
Imagem: Divulgação
3. Funcionalidades gamer de fábrica: modelos 2026 da Samsung já confirmaram compatibilidade oficial com NVIDIA G-Sync; TCL e Hisense respondem com FreeSync Premium em painéis de 144 Hz.
Copa do Mundo 2026: o empurrão que faltava
Historicamente, grandes eventos esportivos turbinam as vendas de TV. Contudo, analistas alertam: o aumento no custo de painéis LCD e memória pode encarecer modelos high-end. Marcas de custo-benefício, como TCL e Walmart, tendem a ganhar ainda mais tração se segurarem os preços.
Parceria TCL + Sony a caminho
Já para 2027, deve ficar madura a joint venture em que a TCL fabrica o hardware e a Sony cuida do processamento de imagem e calibração cinematográfica. Caso se concretize, a marca chinesa ganha selo de qualidade premium que pode mexer também no mercado de soundbars e receivers compatíveis com Dolby Atmos.
Esperar ou não esperar?
Se você procura uma TV gigante para jogos ou streaming, 2026 promete catálogos recheados e mais baratos. Por outro lado, quem sonha com 8K ou MicroLED pode ver um leve aumento de preço até a estabilização dos componentes. Fique de olho nos lançamentos de março e setembro — janelas tradicionais de anúncio da Samsung, TCL e LG — antes de bater o martelo.
Conclusão: a coroa da Samsung já balança. Se a escalada da TCL se manter, 2026 pode selar a primeira troca real de liderança global em volume de TVs no século. Para o consumidor, a competição deve significar mais tecnologia, telas maiores e preços menos assustadores.
Com informações de Mundo Conectado