A Apple acaba de virar uma página importante da sua história no Brasil. Com a chegada da atualização iOS 26.5, usuários de iPhone passam a ter acesso, pela primeira vez, a lojas de aplicativos alternativas e a novos métodos de pagamento dentro e fora da App Store. A mudança é fruto de um acordo firmado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) após dois anos de investigação iniciada por uma denúncia do Mercado Livre.
Por que isso é grande coisa?
Até ontem, quem quisesse instalar qualquer app em um iPhone tinha um único caminho: a App Store da própria Apple. Agora, o cenário se aproxima do que já existe no universo Android, onde o usuário pode recorrer a diversas lojas (ou até instalar APKs manualmente). Em termos práticos, isso pode resultar em:
- Maior concorrência entre lojas, pressionando preços para baixo em assinaturas, jogos e serviços digitais;
- Métodos de pagamento locais (Pix, boleto ou carteiras digitais brasileiras) oferecidos diretamente pelos desenvolvedores;
- Possibilidade de promoções exclusivas fora da App Store graças a taxas menores.
Como vão funcionar as novas lojas?
Qualquer marketplace de apps precisará passar por uma autorização da Apple, cumprindo requisitos mínimos de segurança e privacidade. A companhia chama o processo de “autenticação”: uma combinação de checagens automáticas e revisão humana para detectar malware e garantir que o app faz o que promete. Ao contrário da análise detalhada da App Store, essa inspeção é mais enxuta, então o grau de confiabilidade pode variar.
E as crianças?
Contas de menores de 18 anos receberam uma proteção extra no acordo. Apps classificados como Infantis não poderão incluir links externos de compra, e qualquer aplicativo que aceite formas de pagamento alternativas precisará acionar o Controle Parental antes de fechar a transação. Uma nova API será liberada para que pais acompanhem compras feitas fora do ecossistema da Apple.
Taxas: quanto a Apple ainda vai cobrar?
A gigante de Cupertino não abre mão da comissão, mas flexibiliza os percentuais. Desenvolvedores poderão escolher:
- Pagamento interno (Apple In-App Purchase): comissão tradicional de até 30% (ou 15% no Small Business Program);
- Link externo para o site oficial do app: taxas entre 5% e 21%, variando conforme categoria e faturamento;
- Venda pela loja alternativa: comissão depende do acordo entre desenvolvedor e marketplace, mas a Apple ainda cobra uma taxa de “core technology” sobre cada download.
Na prática, jogos premium e serviços de streaming podem ficar mais baratos se os estúdios repassarem essa economia para o consumidor. A dúvida é se o mercado adotará a mesma estratégia agressiva observada na União Europeia, onde o Digital Markets Act (DMA) impôs mudanças semelhantes.
Brasil vs. União Europeia: quem saiu ganhando?
Em conversa com jornalistas, executivos da Apple elogiaram o Cade por compreender “melhor que a UE” o equilíbrio entre abertura e segurança. No velho continente, a empresa trava disputas públicas em torno do DMA e até ameaçou retirar recursos do iPhone em alguns países. Por aqui, a negociação foi descrita como mais “colaborativa”. Resultado: brasileiros recebem as novas regras antes de mercados europeus-chave como França e Alemanha.
Imagem: Vitor Pádua
Impacto para quem joga ou trabalha no iPhone
• Gamers mobile: títulos pesados, como Genshin Impact ou Call of Duty Mobile, podem surgir em lojas que cobram menos comissão, aumentando a chance de promoções relâmpago ou pacotes de moedas mais baratos.
• Produtividade: serviços como gerenciadores de senha e editores de documentos poderão oferecer planos em reais via Pix, fugindo da volatilidade do dólar do iTunes.
• Empreendedores: empresas que mantêm apps corporativos podem distribuí-los por marketplaces fechados, sem depender do TestFlight ou de certificados empresariais.
Vale a pena atualizar agora?
Se o seu iPhone é compatível com o iOS 26.5, a resposta curta é sim. Além da abertura do ecossistema, o update traz os tradicionais patches de segurança que fecham brechas exploradas por malwares. Para modelos a partir do iPhone 11 — todos à venda oficialmente no Brasil — a instalação é altamente recomendada.
De quebra, se você estava de olho em trocar de aparelho, a novidade deixa os iPhones vendidos na Amazon ainda mais versáteis, já que passam a oferecer um leque de apps e meios de pagamento digno do Android, mas sem perder o ecossistema Apple que tantos usuários valorizam.
No fim das contas, o varejo vai mostrar se a teoria do Cade — de que competição diminui preço — se confirma. Enquanto isso, atualize seu iPhone, fique de olho nas novas lojas que começam a aparecer e compare ofertas antes de assinar seu próximo serviço mobile.
Com informações de Tecnoblog